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Cristiano Ronaldo. 14 golos em 10 finais
Desporto 7 min. 28.08.2022
Futebol

Cristiano Ronaldo. 14 golos em 10 finais

Cristiano Ronaldo quando jogava para o Real Madrid em 2013.
Futebol

Cristiano Ronaldo. 14 golos em 10 finais

Cristiano Ronaldo quando jogava para o Real Madrid em 2013.
EPA
Desporto 7 min. 28.08.2022
Futebol

Cristiano Ronaldo. 14 golos em 10 finais

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar

Capítulo 23. É dose, 14 golos em finais

Golos. A partir de um determinado momento, Ronaldo transforma o seu futebol. Em vez de sair a driblar e assistir os companheiros, é ele quem joga mais adiantado, de frente para a baliza. A palavra golo começa a ser mais frequente e a evolução é constante. Eis a prova, com 14 golos em 10 finais de autor. 

2004 É a primeira época de Ronaldo em Inglaterra e chega à final da Taça de Inglaterra, vs Millwall, da 2.ª divisão, em Cardiff. O favoritismo é todo do United e o resultado final de 3:0 é convincente.

 Ao intervalo, 1:0. O golo é de Ronaldo, de cabeça, após cruzamento de Gary Neville. A jogada é curiosa porque Ronaldo está no lado oposto, ainda fora da área, quando o lateral arranca o centro. O capitão-treinador do Millwall, um homem com jeito para se meter com ele próprio ao espelho, chama-se Dennis Wise e está à espera da bola nas calmas. Aparece então Ronaldo como um foguete e toma lá disto.

Segue-se um bis de Van Nistelrooij e o holandês é eleito o melhor em campo, distinção atribuída por quem entrega a taça, um senhor bastante conhecido entre nós: Sven-Göran Eriksson. A eleição levanta algum sururu, porque todos os meios de comunicação entregam o título a Ronaldo.  

2006 Passam-se dois anos e o United volta a uma final doméstica, agora a da Taça da Liga. O Wigan é o rival, novamente em Cardiff, e é claramente driblado por 4:0. Rooney marca o primeiro da tarde-noite numa jogada com três toques desde o pontapé de baliza do guarda-redes Van der Sar. 

Na segunda parte, o Wigan baixa a guarda e raramente passa do seu meio-campo. Aos 55’, Ronaldo recebe no peito uma bola da esquerda, controla-a e isola Gary Neville pela direita. O cruzamento do lateral é de primeira, Saha empurra, o guarda-redes suplente Filan defende para a frente e o ressalto é caprichoso para o avançado francês.

É de Saha a assistência para o 3:0 de Ronaldo. Isolado, à entrada da área, Cristiano avança um pouco e atira rasteiro com o pé direito, sem hipótese para o desamparado Filan. O português tira a camisola, vê o amarelo e ouve assobios dos adeptos do Wigan aquando do anúncio do autor do golo.

A bola vai ao meio, o United recupera-a e Ronaldo, encostado à linha lateral, faz uma série de dribles. Quando vai para a sua esquerda, é derrubado. Da respectiva falta, Giggs marca para o coração da área, Ferdinand ganha nas alturas e Rooney fixa o 4:0.

2008 Mais dois anos para a frente e eis o United numa final, agora europeia. O adversário, esse, é inglês: o Chelsea de Avram Grant, sucessor de Mourinho no início dessa época 2007-08.

É a única final europeia com início num dia e fim no outro, em Moscovo. A culpa é do prolongamento e, depois, dos penáltis. Neste capítulo, Ronaldo falha o seu e Nani acerta. Contas finais, o United ganha por conta uma escorregadela de Terry e, depois, de uma defesa de Van der Sar à bola de Anelka.  

Antes, durante os 90 minutos, há dois golos. O primeiro é de Ronaldo, de cabeça, bem lá em cima. O cruzamento da direita é de Brown, o salto do 7 é prodigioso, coitado do Essien. O Chelsea reage e empata antes do intervalo, por Lampard.

2011 A história continua, já em Espanha, na Taça do Rei. É o auge da rivalidade entre Real Madrid e Barcelona, entre Mourinho e Guardiola. 

No Mestalla, em Valencia, o 0:0 aguenta-se até aos 90 minutos, embora Ronaldo usufrua de três boas oportunidades na primeira parte e Casillas seja o melhor em campo na segunda. No prolongamento, Di María mete a quinta aos 103’ e serve um cruzamento para o interior da área, onde Ronaldo dá um salto estratosférico e resolve o clássico com um cabeceamento sensacional, sem hipótese para Pinto.

Nos festejos, o defesa Sérgio Ramos deixa cair a taça do rooftop do autocarro e é preciso uma réplica da réplica para o museu do Real Madrid.  

2013 Mais uma final da Taça do Rei, agora vs Atlético, em casa, no Santiago Bernabéu. A era Mourinho está perto do seu fim, todos o sabem. Entre jogadores e adeptos, já ninguém aguenta as conferências de imprensa de escárnio e mal-dizer.

O Real adianta-se no marcador, cortesia Ronaldo, de cabeça (outra vez, incrível). É um canto da direita e o português eleva-se bem nas costas de Godín e Diego Costa para o 1:0. O Atlético, sempre incómodo, empata pouco depois numa jogada sublime de Falcao ainda no seu meio-campo. O colombiano livra-se da marcação de dois adversários e serve Diego Costa com um passe cruzado. O hispano-brasileiro domina, avança e bate Diego López, titular na ausência de Casillas, numa das decisões de Mourinho mais debatidas em todo o planeta – por falar nele, Mourinho é expulso aos 72 minutos.

No prolongamento, Miranda desata o nó, de cabeça, e repete-se a vitória do Atlético em 1992 no campo do arqui-rival na final da Taça do Rei, na altura com golos de Schuster e Futre (0:2). Pouco antes da festa do Atlético, o árbitro também expulsa Ronaldo, com vermelho directo.

2014 Um ano depois, as duas equipas repetem a final, agora da Liga dos Campeões, e em Lisboa, na Luz. O Real bem mais tranquilo, com Ancelotti. O Atlético ainda e sempre com Simeone. 

Godín dá avanço ao Atlético num lance com culpa para Casillas. Só aos 90-e-tal, Sergio Ramos empata a final e adia tudo para o prolongamento. É aí que o Real se supera sem contestação graças à velocidade de Di María, eleito o melhor em campo. Bale dá a volta aos 110’, Marcelo aumenta a distância aos 118’ e Ronaldo fixa o 4:1 em cima do minuto 120, de penálti, a castigar falta de Gabi sobre si.

2014 Cardiff, again. É a Supertaça europeia, entre campeão europeu e vencedor da Liga Europa (Sevilha, vs Benfica nos penáltis). De um lado, três portugueses com Pepe, Coentrão e Ronaldo. Do outro, dois com Beto e Carriço.

É um clássico da Liga espanhola de sentido único, com 2:0 e bis de Ronaldo. O 7 marca um golo na primeira parte, com o pé direito, e outro na segunda, com o esquerdo. Pelo meio, uma série de remates, um dos quais para defesa formidável de Beto.

2016 Mundial de clubes, em Yokohama (Japão). Jogam Real Madrid, favoritos, e Kashima Antlers, anfitriões. Ninguém dá muito pelo Kashima e a situação até se torna mais libertadora para o Real Madrid com o madrugador golo de Benzema aos 9’.

Shibasaki empata aos 44’ e dá a volta aos 52’. Sensacional, o Real perde e o Kashima é empurrado pelos seus adeptos para a vitória. Ou não? Aos 60’, penálti a favor do Real Madrid por falta sobre Lucas Vázquez. Chamado a marcar, Ronaldo atira rasteiro com o pé direito, junto ao poste de Sogahata.

No prolongamento, o pobre do guarda-redes japonês ainda sofre mais dois golos de Ronaldo, ambos com o pé esquerdo. Acaba 4:2 com hat-trick do português, o primeiro numa final da Taça Intercontinental/Mundial desde o de Pelé na Luz pelo Santos em 1962.

2017 O Real Madrid já é de Zidane, e bem. O francês é o rei da técnica como futebolista e da táctica como treinador. Se o antecessor Ancelotti já doseia Ronaldo a conta-gotas, Zizou força o português a paragens menos espaçadas nos jogos menos importantes da Liga espanhola e Taça do Rei com o intuito de chegar fresco à Liga dos Campeões.

Louve-se a eficácia do Real Madrid vs Juventus, em (crazy) Cardiff: quatro golos em cinco remates à baliza de Buffon. Dos quatro, metade pertencem a Ronaldo. O 1:0 é um remate espontâneo, na sequência de uma tabelinha com o lateral Carvajal e a bola ainda ganha um efeito esquisito por tocar em Bonucci. O 3:1 é um encosto fácil, após serviço de Modric pela direita.

2017 Último capítulo, até agora. Outra final do Mundial de clubes, desta vez em Abu Dhabi (EAU). É Real Madrid vs Grémio, acaba 1:0 com golo de Ronaldo de livre directo aos 53 minutos.

É uma decisão sem grande interesse pela diferença entre as duas equipas. O Real de Zidane joga mais e melhor, o Grémio de Renato Gaúcho só sabe defender, ao ponto de só fazer um remate (e nem é à baliza). Nesse capítulo, o total é 20:1. Se a barreira não se mexesse naquele livre, o 0:0 eternar-se-ia. 

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