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Conta-me como foi da bola. Portugal invicto em casa vs Irlanda
Desporto 4 min. 24.08.2021
Futebol

Conta-me como foi da bola. Portugal invicto em casa vs Irlanda

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Conta-me como foi da bola. Portugal invicto em casa vs Irlanda

Foto: AFP
Desporto 4 min. 24.08.2021
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Conta-me como foi da bola. Portugal invicto em casa vs Irlanda

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Em quatro jogos, só um é a sério e é curiosamente o único em que a Irlanda pontua (1-1 na Luz, golos de Conceição e Holland).

Um, dia 1. É sempre o início do mês. O de Setembro não é excepção. E começa com bola, qualificação para o inenarrável Mundial Qatar-2022. Para o grupo A, a quarta jornada comporta dois jogos. Um é o inesquecível Luxemburgo vs Azerbaijão. Outro é o Portugal vs Irlanda, no Algarve.

 À partida, Portugal ganha. É favorito, francamente favorito. Porque sim (pela história, tradição, qualidade blá blá blá) e porque a Irlanda atravessa um período caótico e ainda nem sequer tem um ponto em seis possíveis, com derrotas na Sérvia e em casa vs Luxemburgo. Na história dos dois países, e se fizermos zoom só aos jogos em Portugal, a Irlanda encontra manifesta dificuldade com um ponto em quatro tentativas.

 A aventura começa Junho 1946. Grande exibição portuguesa no Jamor e vitória categórica sobre a Irlanda, com 3-0 antes da meia-hora. O primeiro golo ainda hoje é motivo de discórdia. Uns jornais escrevem Araújo, outros Peyroteo. Na conversa com os jornalistas no balneário, Araújo atribui-o a Peyroteo. Pronto, seja. Peyroteo, de cabeça. Araújo confirma o 1-0, já dentro da baliza. O 2-0 começa num longo pontapé do guarda-redes Azevedo para o lado esquerdo do ataque, onde aparece Rogério a desnortear McMillen uma e duas vezes antes do remate colocado. Nove minutos depois, bis de Peyroteo, novamente de cabeça. Courtney estica-se todo, em vão. Como bate estrondosamente com a cabeça num poste, é substituído na hora por Martin. Que não sofre golo nenhum. E até vê O'Reilly reduzir já na segunda parte. Curiosidade, na semana seguinte, a Irlanda ganha 1-0 à Espanha, em Madrid.

Eis o onze português Azevedo (Sp); Cardoso (Sp) (cap) e Serafim (Bel); Amaro (Bel), Feliciano (Bel) e Francisco Ferreira (Bf); Lourenço (Est), Araújo (FCP), Peyroteo (Sp), Caiado (Boav) e Rogério (Bf)

O segundo acto é em Maio 1948, novamente no Jamor. Curiosidade maiúscula, é o único jogo da selecção com os cinco violinos do Sporting, o famoso quinteto da frente com Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano. Deste quinteto, só Vasques passa ligeiramente ao lado. Os outros quatro divertem-se a maltratar os irlandeses, com jogadas mirabolantes e dois golos em três minutos. O primeiro é um passe de Jesus Correia e conclusão de Peyroteo, num cabeceamento potente, e o segundo é uma conexão entre Travassos-Albano na ala direita. Com 2-0 aos 23 minutos, Portugal descansa sobre os louros e joga mais a passo, o que é nocivo para o espectáculo. A falta de ritmo diminui o interesse dos adeptos e até da federação. Que demite o trio de treinadores e nomeia Armando Sampaio para o cargo de seleccionador.

O onze português vai assim Barrigana (FCP); Serafim (Bel) e Alberto (Est); Canário (Sp), Feliciano (Bel) e Francisco Ferreira (Bf) (cap); Jesus Correia (Sp), Vasques (Sp), Peyroteo (Sp), Travaços (Sp) e Albano (Sp)

Avançamos uns bons anos, valentes mesmo, e aterramos em 1995. Arredado dos grandes palcos desde o México-86, a selecção portuguesa está a um ponto de dar uma alegria ao país. Ao intervalo, 0-0 em golos e até emoção. Na segunda parte, Portugal assume finalmente o jogo e provoca duas defesas de Alan Kelly para canto, a remates de Secretário e Paulinho Santos. Aos 60', o momento mágico: Couto intercepta uma bola de Quinn e Secretário lança Paulo Sousa. Prossegue JVP, que escorrega e solta a bola para a zona de ninguém, onde aparece Rui Costa a fazer um chapéu lindíssimo. Começa a festa. Hélder e Cadete encarregam-se de ampliar a vantagem, ambos a passe de Folha. Pelo meio, Kenna salva um golo de Figo na linha e Paulinho Santos atira ao poste. Trinta anos depois dos Magriços 1966, Portugal regressa a Inglaterra para dar espectáculo com a geração de ouro. Diz Oliveira, sem compromisso. “Não digo que seremos campeões europeus, mas vamos tentar."

O onze português com Baía (FCP) (cap); Secretário (FCP), Couto (Parma), Hélder (Bf) e Paulinho Santos (FCP); Oceano (Sp), Paulo Sousa (Juve), Rui Costa (Fior), João V. Pinto (Bf) e Figo (Barcelona); Domingos (FCP)

Dois mil, é o bug do milénio. Eis o quarto e último duelo vs Irlanda em Portugal. E é preciso galo. A quatro dias da visita à Holanda, um golo de Holland desfaz o sonho de chegar a Roterdão com outra disposição. Na primeira vez de João Vieira Pinto na Luz como jogador do Sporting, há de tudo entre assobios e aplausos tímidos. Rivalidades à parte, a Irlanda repete o empate em Amesterdão de há 15 dias (2-2) e intromete-se surpreendentemente na luta por um lugar no Mundial-2002. Encostados à sua baliza, os irlandeses defendem-se com galhardia e retardam o golo português. Que só aparece na segunda parte, aos 56', obra de Conceição, num remate cruzado com o pé esquerdo após driblar Carr no vértice da área. Em desvantagem, a Irlanda lá se aventura no ataque e chega ao empate através de um remate fantástico do suplente Holland. A bola entra bem encostada ao poste, sem hipótese para Quim. Diz Figo: "Os pontos que perdemos aqui teremos de os ir buscar a outro campo." Holanda, prepara-te.

O onze português inclui Quim (Braga); Beto (Sp), Couto (Lazio) (cap), Jorge Costa (FCP) e Dimas (Sp); Vidigal (Nápoles); Conceição (Parma), Rui Costa (Fior) e Figo (R. Madrid); João Pinto (Sp) e Sá Pinto (Sp)

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