Escolha as suas informações

Conta-me como foi da bola. Os tomba-gigantes da Taça
Opinião Desporto 5 min. 18.11.2020

Conta-me como foi da bola. Os tomba-gigantes da Taça

Conta-me como foi da bola. Os tomba-gigantes da Taça

Foto: Ben Majerus
Opinião Desporto 5 min. 18.11.2020

Conta-me como foi da bola. Os tomba-gigantes da Taça

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é a Taça que passa, no doce balanço. Na véspera do arranque de mais uma eliminatória da Taça de Portugal, lembrámo-nos de falar de três tomba-gigantes. Uma crónica de Rui Miguel Tovar.

Resumo da matéria dada: quem são os Cinco Violinos? Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travaços e Albano. Nos anos 40 e 50, marcam uma época com um futebol apaixonante e superior a qualquer outro no plano nacional. Juntos são o diabo a sete. Separados, desafinam de vez em quando. É o que acontece na primeira eliminatória da Taça 47-48, em Santo Tirso, no lendário Campo Abel Alves de Figueiredo, onde o Sporting cai escandalosamente por 2-1. Só com Vasques no onze, o Sporting até marca primeiro por Armando Ferreira, aos 12 minutos. O que se segue é a impensável reviravolta, obra de Catolino 20’ e Mendes 83’, naquela que ainda hoje é considerada uma das maiores surpresas de sempre na Taça. Marque a data: 17 abril 1948. O Tirsense está na 2.ª divisão da AF Porto.

A chegada de Fernando Santos às Antas em 1998 resulta no inédito penta do futebol português. Nessa época, o Porto derrapa na Taça de Portugal, e em casa. Ultrapassado o Famalicão da 2.ª B, com dificuldades inesperadas (4-2 só ao fim de 120 minutos), chega a hora de receber o Torreense (9.º classificado da 2.ª zona centro), numa reedição da final de 1956. Desta vez, vitória dos torreenses. Com um golo do suplente Cláudio Oeiras, a cinco minutos do fim. É verdade que o FC Porto só apresenta três habituais titulares (Aloísio, Fernando Mendes e Drulovic), mas os adeptos insurgem-se contra o “engenheiro”. Como é seu timbre, Santos reage com frontalidade. “É inexplicável o que aconteceu. Isto foi um desastre, parece um pesadelo. Para já, este é o pior momento da minha carreira.” O Torreense, esse, vive o Carnaval mais festivo da sua história. Que dura até aos ¼ final (Vitória FC, 3-0 no Bonfim).

Só falta o Benfica a cair. Na era Jesualdo, em 2002-03, o Gondomar apresenta-se na Luz com três centrais e arrefece os ânimos dos benfiquistas mais efervescentes através de um golo de Cílio Souza, aos 10 minutos. Daí para a frente, acredite, o Benfica nem cócegas faz. É uma pobreza franciscana. Em tudo. Imagine só, Roger lesiona-se à meia-hora e Carlitos lesiona-se no aquecimento na altura da substituição pelo lateral-esquerdo Cabral. Lança-se então Mantorras. Em vão, o Gondomar defende-se bem e provoca a maior surpresa de todas.

Repetimo-nos: olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é a Taça que passa, no doce balanço. Agora vamos escrever sobre os três resultados mais volumosos da Taça. O Sporting é o clube dos recordes. Maior vitória no campeonato (14-0 ao Leça), a maior na Europa (16-1 ao Apoel) e a maior na Taça. Sincronizem o relógio, época 70-71, numa altura em que as equipas das colónias entram na Taça. O Mindelense, como campeão cabo- -verdiano, vai a Alvalade discutir a passagem para os quartos-de-final. E dá-se mal. Muito mal. Ao intervalo já há 13-0 para os leões. Na segunda parte, “só” 8- 0. Tsc tsc tsc. Lourenço abre a conta aos 4’ e fecha aos 88’. Dos 13 jogadores leoninos utilizados nessa tarde, sete festejam: Peres (7), Lourenço (6), Pedras (3), Tomé (2), Chico, Dinis e Marinho. O Sporting não se fica por aí e acaba por ir à final, levantando o troféu frente ao Benfica com um implacável 4-1.

José Mário, José Mário, José Mário. Três golos deste rapaz de 19 anos na maior goleada de sempre do Belenenses em jogos da Taça de Portugal: 17-0 ao Vila Franca do Campo, de São Miguel, Açores, para os 64 avos de final. Acrescente-se outro nome a este José Mário para a notícia ter mais relevância ainda: Mourinho. Num fim-de-semana com chuvas torrenciais em todo o país, que obrigam à interrupção de nove dos 64 jogos, o Belenenses-Vila Franca é, isso sim, uma chuva de golos. Ao todo 17, mas poderiam ter sido 19, já que o árbitro Amândio da Silva, de Setúbal, anula dois golos a Bule. Ao intervalo, 8-0. É aí que o treinador Mourinho Félix lança o filho, para o lugar de Djão. O miúdo, que terminaria a carreira sem qualquer jogo na 1.a divisão, enche-se de brio e marca três golos, aos 48, 80 e 88 minutos. No último, conta o guarda-redes belenense Figueiredo, corre para o banco e abraça o pai.

Mada quê? Madalena, da AF Horta (Açores). É esta equipa a dar que falar em setembro de 2001, na 1.ª eliminatória. O sorteio põe-no frente a frente com o Vasco da Gama da Vidigueira, da AF Beja. O jogo é lá em baixo e acaba com um inexplicável 16-2 para os visitantes. Isso mesmo, dois-dezasseis. É um fartote, é mais hóquei em patins que outra coisa. E é a terceira maior goleada de sempre na história da Taça. Tudo bem que o Madalena tem um jogador chamado Pelé, mas esse nome não justifica tudo. Ou justifica? Suspense. Curiosidade: o Madalena apanha 8-0 do Praiense duas semanas depois, para a 2.ª jornada da 3.ª divisão. Bola extra: o Praiense acabaria o campeonato atrás do Madalena. Bem-vindo à loucura (saudável) da Taça em que todos sonham com propriedade.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas