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Conta-me como foi da bola. O fabuloso destino de Max
Desporto 5 min. 11.05.2021

Conta-me como foi da bola. O fabuloso destino de Max

Conta-me como foi da bola. O fabuloso destino de Max

Foto: EPA
Desporto 5 min. 11.05.2021

Conta-me como foi da bola. O fabuloso destino de Max

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
O guarda-redes Luís Maximiano acaricia a glória como primeiro jogador do Sporting campeão em todos os escalões.

Luís Manuel Arantes Maximiano, mais conhecido por Max. É um miúdo, natural de Celeirós (Braga), nascido em 1999. Aos 13 anos, entra na Academia do Sporting, em Alcochete. E faz o seu caminho. Brilhante, aliás. É campeão nacional nos iniciados, depois juvenis, finalmente juniores. Só falta o de seniores. Mas como? Quando? Onde? Afinal de contas, o Sporting não é campeão desde 2002. Mais de vinte anos. É dose. Daí para cá, o campeonato português é bicéfalo. Monótono, está bom de ver. Ou Benfica ou Porto. Ou Porto ou Benfica.

Aproxima-se a época 2020-21, Rúben Amorim é o treinador e o eleito para a baliza é um trintão espanhol chamado Adán. O bom do Max, titular em 2019-20, é relegado para o banco. Sem mais nem menos. O miúdo encaixa na boa e assiste num lugar privilegiado ao impensável, um Sporting invicto em setembro. Outubro. Novembro. Dezembro. Janeiro. Fevereiro. Março. Abril. Só vitórias (muitas) e empates (poucos). Invicto, insistimos.

Quando Adán vê o quinto cartão amarelo da época na 1.ª divisão, cai o Carmo e a Trindade. Há manifestações de desagrado em quase todo o lado, 'pessoas' muito zangadas com a ausência de Adán. Incrível, e verídico. Por mais surreal que seja. E é. Salta Max para o onze, naturalmente. E o miúdo, ausente desde Julho, volta a fechar a baliza. Com a competência que se lhe reconhece. O mundo avança, o Sporting também. O inacreditável título de campeão está ali à mão de semear.

A sensação é indescritível. Para o treinador Rúben Amorim, para o capitão Coates, para o goleador Pedro Gonçalves, para toda a equipa, para todo o clube, para todos os adeptos. E, neste aspeto, Max é o mais privilegiado de todos eles. Por uma razão extraordinária, o de primeiro campeão nacional pelo Sporting em todas as categorias. É um fenómeno. Nunca visto, sim. Jamais repetido? Boa pregunta. A porta está aberta, veremos quem se segue.

Para já, Max é caso único. O título de campeão em iniciados chega em 2013. Honra lhe seja feita, o Gafanha é o primeiro clube da AF Aveiro a marcar presença na fase final de iniciados. E aparece no quadro de honra do campeonato como convidado especial para a festa do Sporting, cujo título lhe escapa desde 2008. Verdade seja dita, o Gafanha dá luta e prolonga a ansiedade, uma semana depois de ter apanhado 9-2 do Porto. Fora esse acidente de percurso, a forma de jogar de igual para igual é elogiada pela imprensa. 

Tal e qual como em Alcochete. O golo madrugador de Idrissa Sambú motiva o Gafanha, que chega ao empate na primeira jogada da segunda parte. O 1-1 é suficiente para o Sporting, com três pontos de avanço sobre o Benfica, já vencedor vs Porto no Estádio Jorge Sampaio, na Maia (3-2). Acontece que Idrissa faz o bis perto do final e provoca uma festa imensa no Campo Aurélio Pereira. É o seu 17.º golo em 30 jogos. A festa toma conta de Alcochete e Max é um dos presentes, ao lado de outros ilustres como Tomás Foles, João Simões, Bruno Paz, Gonçalo Vieira, João Mendes, Pedro Ferreira, Hélder Almeida, Rafael Duarte, Luís Vaz, Idrissa Sambú, Diogo Fernandes, Moreto Cassamá, Leonardo Almeida e Hugo Farinha. O treinador, esse, é Telmo Costa.

Três anos depois, em 2016, Max repete o título. Agora nos juvenis. A epopeia sportinguista é um carrossel de emoções sem igual. Vencedor das duas primeiras fases, só com uma derrota em 28 jogos, o Sporting começa muito mal o grupo de apuramento para o campeão: derrota no Olival (3-2 para o Porto) e empate no dérbi de Alcochete (1-1). As coisas só animam à terceira jornada, em Braga, e só depois do intervalo. Um penálti de Elves Baldé e o bis de Rafael Leão garantem a reviravolta. Tiago Rodrigues fixa o 4-2. Na semana seguinte, 2-0 ao Porto por João Oliveira e Daniel Bragança, em Alcochete. 

Faltam duas jornadas e vem aí o dérbi no Seixal. Se o Benfica ganhar, é campeão. Com dois golos em 95 segundos, Rafael Leão dá a volta ao jogo. Miguel Luís, de cabeça, prolonga a agonia benfiquista. O 3-2 de Filipe Soares é só uma consolação. De repente, o Sporting está à frente e a 90 minutos de se sagrar campeão. Para tal, basta-lhe empatar com o Braga em casa. Empate, essa é boa. Marcam-se três golos e ainda se atiram duas bolas ao poste. Mais uma festa, mais champanhe para Max. Agora acompanhado por outros ilustres como João Oliveira, Miguel Lopes, Tiago Djaló, Thierry Correia, Daniel Bragança, Bavikson Biai, Miguel Luís, Rafael Leão, Tomás Silvas e Elves Baldé. O treinador é João Couto.

Um ano volvido e eis-nos em 2017. Max é júnior de primeiro ano e vai acabar o ano em grande. Com Porto e Benfica muitos furos abaixo do habitual, é o Vitória SC o mais perigoso adversário do Sporting. A duas jornadas do fim, as duas equipas encontram-se em Alcochete e nem há golos. Adia-se a questão do título por mais uma semana. No dia em que o Porto celebra os 30 anos da primeira conquista europeia (Taça dos Campeões, 2-1 ao Bayern em Viena), o Sporting aparece no Olival pronto para a festa. A sua, claro está. O turco Merih Demiral ameaça a baliza portista aos 11’ e acerta na trave. À segunda, aos 37’, dá golo num lance muito parecido com cruzamento perfeito de Abdu Conté. O Porto empata na segunda parte, com um cabeceamento de António Xavier. Até final, o suplente Bruno Paz falha o 2-1 para o Sporting, de penálti. Atento, o guarda-redes Ricardo Silva defende com qualidade. 

A festa do Sporting é imensa. A ressaca paga-se cara e disso se aproveita o Belenenses para vencer 2-1 em Alcochete e acabar em segundo lugar, a três pontos. Max bebe mais champanhe, ao lado de Diogo Sousa; Thierry Correia, João Oliveira, André Franco,  João Ricciulli, Merih Demiral, Abdu Conté, Daniel Bragança, Pedro Ferreira, Jefferson Encada, Bruno Paz, Jovane Cabral, Douglas Aurélio e Rafael Leão. O treinador é Tiago Fernandes, filho de Manuel Fernandes, o capitão do Sporting nos anos 80, o dos quatro golos ao Benfica nos 7-1 em 1986.

A epopeia de Max continua, agora nos seniores. Primeiro como titular, depois como suplente. Seja como for, o salto para a história está aí ao virar da esquina.

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