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Conta-me como foi da bola. Mais uma final inédita da Taça de Portugal
Desporto 4 min. 23.05.2021

Conta-me como foi da bola. Mais uma final inédita da Taça de Portugal

O jogador Raul Jimenez celebra a vitória frente ao Vitoria de Guimarães na Taça de Portugal em 2017.

Conta-me como foi da bola. Mais uma final inédita da Taça de Portugal

O jogador Raul Jimenez celebra a vitória frente ao Vitoria de Guimarães na Taça de Portugal em 2017.
LUSA
Desporto 4 min. 23.05.2021

Conta-me como foi da bola. Mais uma final inédita da Taça de Portugal

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Benfica e Braga fecham contas de uma época com mais baixos que altos.

Benfica ou Braga, eis a questão. Como sempre, a final da Taça de Portugal fecha a época desportiva e o interesse é maiúsculo pelo encontro entre o terceiro e o quarto classificados da 1.ª divisão, separados por dez pontos.

Coimbra assiste ao adeus de uma época abaixo das expectativas tanto de um como do outro clube. O Benfica partira na pole position pelo título de campeão, alicerçado pelo gasto de 100 milhões de euros em reforços mais a contratação de Jorge Jesus, cujo regresso à Luz é alvo de infinitos hurras pela imensa massa humana benfiquista. Acontece tudo ao contrário e o Benfica acaba a época com dez pontos perdidos em casa, fruto de três empates e duas derrotas, sem esquecer o fracasso xxl na pré-eliminatória da Liga dos Campeões, em Salónica, aos pés do PAOK de Abel Ferreira, entretanto contratado pelo Palmeiras e conquistador da Libertadores, na sucessão a Jesus — as voltas que a vida dá, chi-ça.

E o Braga? Terceiro classificado em 2019-20, à frente do Sporting de Rúben Amorim, ganha um novo élan com Gaitán e Al Musrati, a grande revelação do campeonato nacional. No banco, o treinador Carlos Carvalhal, bracarense e braguista, nascido em 1965, um ano antes da primeira Taça levantada pelo Braga, por obra e graça de Perrichon (1:0 vs Vitória FC).

Durante a época, o Braga nunca corresponde realmente às expectativas no que diz respeito a regularidade entre oito empates e 12 derrotas em 50 jogos. Então e as 30 vitórias? Clap clap clap clap, aplausos. As mais sonantes nos palcos mais inusitados, na Luz e no Dragão, ambos 2:3, o primeiro para a 1.ª divisão, o outro para a Taça de Portugal. E agora, em Coimbra?

Para surpresa, a vantagem no confronto directo é do Braga. Ao 3:2 na Luz, há ainda o 2:1 no Municipal, para a meia-final da Taça da Liga. O terceiro e último jogo entre eles vale a vitória do Benfica por 2:0 na segunda volta da 1.ª divisão. Quem diria, com base em orçamentos e qualidade do plantel, a final da Taça tanto pode equilibrar as contas como aprofundar o fosso.

Benfica ou Braga, eis a questão. Seja qual for o resultado, é caso para eeeeep eeeeep uraaaayyyyyyyy. Porque sim, ora essa. Porque é a festa da Taça, a prova nacional mais democrática com cinco vencedores nos últimos cinco anos (Braga 2016, Benfica 2017, Aves 2018, Sporting 2019, Porto 2020). E porque é a magia da Taça. Isso quer dizer o quê? Simples, é a 10.ª final inédita do século xxi e esse dado por si só explica a palavra magia.

Se, por um lado, é inacreditável a ausência de um dérbi entre Sporting e Benfica há um quarto de século, desde 1996 (mais famoso pela morte de um adepto sportinguista na sequência do lançamento do very light aquando do momentâneo 1:0 de Mauro Airez), é igualmente incrível a quantidade de intervenientes inéditos na decisão. Benfica vs Braga é coisa nunca vista, tal como FC Porto-Marítimo (2001), Sporting-Leixões (2002), FC Porto-União Leiria (2003), FC Porto-Vitória FC (2006), FC Porto-Paços (2009), FC Porto-Chaves (2010), Académica-Sporting (2012), Vitória SC-Benfica (2013), Benfica-Rio Ave (2014), Braga-FC Porto (2016) e Aves-Sporting (2018). Que deslize.

Há ainda um outro encanto, relacionada com o Braga, a quarta equipa a jogar a final da Taça com todos os três grandes. Após as experiências vs Sporting (1982, 2015) e Porto (2016), eis o Benfica. O primeiro dessa ilustre lista é o Vitória FC, com finais vs Sporting em 1954, vs Benfica em 1962 e vs FC Porto em 1968. Segue-se o Boavista, vs Benfica em 1975, vs Sporting em 1979 e vs FC Porto em 1992. Finalmente, o outro Vitória, o de Guimarães. O ciclo dos três grandes completa-se ao fim de 50 anos, ora veja lá: Sporting 1963, FC Porto 1988, Benfica 2013.

Benfica ou Braga, eis a questão. Coimbra, a cidade do ‘tem mais encanto na hora da despedida’, é o palco. A despedida é o final da época, o encanto é o que vamos ver se para Jesus ou Carvalhal. Em comum, no meio de tantas peripécias, uma final perdida para o Sporting e à conta de um golo solitário de um brasileiro. Jesus ao serviço do Belenenses, em 2007, culpa de Liedson, muito perto do fim. Carvalhal ao serviço do Leixões, então na 2.ª divisão B, em 2002, cortesia Jardel.

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