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Conta-me como foi da bola. A importância (ou falta dela) do Dia de Portugal
Desporto 4 min. 11.06.2020

Conta-me como foi da bola. A importância (ou falta dela) do Dia de Portugal

Conta-me como foi da bola. A importância (ou falta dela) do Dia de Portugal

Foto: Pixabay
Desporto 4 min. 11.06.2020

Conta-me como foi da bola. A importância (ou falta dela) do Dia de Portugal

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Dia de Portugal, Dia das Comunidades, Dia de Camões. Seja como for, é o dia da portugalidade em todo o seu esplendor. No futebol, a Lei Bosman derruba todas as barreiras e liberta o mercado.

A partir de 1995, está no direito de qualquer equipa reunir um plantel só com estrangeiros. É à vontade do freguês. Se até aí já escasseiam os onzes 100% nacionais, depois é uma impossibilidade. Vai daí, procurámos a agulha no palheiro e encontrámos algumas relíquias.

Começamos pelo Benfica, o mais abusado em termos de longevidade. O último é já de 1985. Ou seja, 35 anos. Estamos a 17 de março 1985, jornada de Taça de Portugal, oitavos-de-final. O Benfica elimina Ponte da Barca (9-0) e Macedo Cavaleiros (3-1) com o dinamarquês Manniche. À terceira, chega o Cova da Piedade, 10.º classificado da 2.ª divisão, zona sul, cuja baliza é guardada pelo jovem Pedro Espinha, de 19 anos. Nessa tarde, o húngaro Pal Csernai abdica de Manniche e faz jogar onze portugueses. A saber: Delgado; Pietra, Bastos Lopes, Oliveira e Álvaro; Tozé, Carlos Manuel e Nunes; José Luís, Jorge Silva e Nené. Acaba 4:0, golos de Jorge Silva, Nené (2) e Nunes.

Segue-se o Porto, a 2 de junho de 1988. Numa época gloriosa, com a conquista de quatro títulos entre Taça Intercontinental, Supertaça Europeia, 1.ª divisão e Taça de Portugal (por ordem cronológica), o treinador sérvio Tomislav Ivic surpreende em Coimbra, por ocasião da 37.ª e penúltima jornada do campeonato, com a estreia do central Fernando Couto. Ao seu lado, Lima Pereira e Eduardo Luís. Nas alas, Bandeirinha e Inácio. Mais à frente, Frasco. Depois, Jorge Plácido, Sousa e Quim. Solto na frente, Domingos. Que é substituído pelo brasileiro Raudnei, autor do golo solitário.

Cinco meses depois, em novembro de 1988, é a vez do Sporting apresentar o último onze inteiramente nacional. Quiçá o Almancilense não saiba, mas está na história do Sporting. Na altura, a equipa algarvia está na Série F da 3.ª divisão e viaja até Alvalade para a festa da Taça. Acaba 5:0, só golos na primeira parte, por Litos (3) e Maside (2). Nessa jornada, o treinador uruguaio Pedro Rocha prescinde do compatriota Rodolfo Rodríguez à baliza e substitui-o por Vital. Daí para a frente, o 11 faz-se com Portela, Venâncio, Miguel e Paulo Torres na defesa, Maside, Oceano, Carlos Xavier e Litos no meio-campo mais João Luís II e Lima no ataque.

Então e a selecção nacional, quando é a última vez a jogar só com jogadores da 1.ª divisão portuguesa? Temos de recuar até 27 de março de 1996. É o último ensaio em casa para o Europeu de Inglaterra e a Grécia é ultrapassada com um golo de penálti de Oceano, aos 87 minutos. Em vez de testar os jogadores mais que eleitos, o seleccionador António Oliveira experimenta outras soluções que dificilmente estariam entre os 22 do Euro. Faz descansar Secretário, Couto, Paulo Sousa, Paulinho Santos, Rui Costa e Figo. Em campo, Baía (FCP); Nélson (SCP), Paulo Madeira (CFB), Tavares (BFC), Fernando Mendes (CFB); Hélder (SLB); Sá Pinto (SCP), Paulo Bento (SLB) e Folha (FCP); João Vieira Pinto (SLB) e Domingos (FCP).


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Então e o último jogo da 1.ª divisão com 22 titulares portugueses? Em Penafiel, no 25 de Abril. Curioso. Dois golos de Coelho resolvem o jogo com o Feirense, para a 8.ª jornada, em novembro de 1989. O Feirense reúne um plantel todo ele português, o Penafiel ainda tem uns estrangeiros. Só que o treinador José Augusto é obrigado a prescindir do paraguaio Amancio e do brasileiro China, ambos lesionados. O resultado é a portugalidade no seu melhor. De um lado, Cerqueira; Valente, Vasco, Martins e Artur; Carlos Alberto; Secretário, Rui Manuel, Nunes e Djão; Coelho. Do outro, Rufino; Licínio, Marcelino, Valido e Pedro Miguel; Artur, Rendeiro e Couto; Quitó, Pedro Martins e João Luís. Mágico.

Então e o último dérbi ou clássico com 22 portugueses? É um dérbi, na Luz, em maio de 1981. O Benfica apresenta Bento; Veloso, Humberto, Bastos Lopes e Pietra; Carlos Manuel, Alves, Shéu e Chalana; Reinaldo e Nené. O Sporting responde com Vaz; José Eduardo, Bastos, Eurico e Inácio; Fraguito, Ademar, Freire e Marinho; Manuel Fernandes e Jordão.

Então e a última equipa portuguesa a jogar só com portugueses na UEFA? É o Belenenses de Sá Pinto, em 2015, vs Altach, no Restelo (0:0). À baliza, Ventura. Na defesa, João Amorim, Tonel, Gonçalo Brandão e André Geraldes. No meio, André Sousa, Rúben Pinto, Abel Camará e Miguel Rosa. No ataque, Sturgeon e Tiago Caeiro. Caramba, até os suplentes falam português de Portugal: João Afonso, Ricardo Dias e Tiago Silva.

Continuamos na UEFA, just for fun. Último onze português do Sporting? Athletic Bilbao, 1985. Do Porto? Juventus, 1984. Do Benfica? Fortuna Düsseldorf, 1981. Do Braga? WBA, 1978. Da CUF? Kaiserslautern, 1972. Do Vitória FC? UT Arad, 1971. Da Académica? Wolverhampton, 1971. Do Vitória SC? Hibernian, 1970. E está feito. De volta ao século XXI. E à Torre de Babel.

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