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Conta-me como foi da bola. A hegemonia do hóquei em patins
Desporto 4 min. 04.06.2020

Conta-me como foi da bola. A hegemonia do hóquei em patins

Conta-me como foi da bola. A hegemonia do hóquei em patins

Desporto 4 min. 04.06.2020

Conta-me como foi da bola. A hegemonia do hóquei em patins

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Óquei de Barcelos (Taça dos Campeões), Sporting (Taça das Taças) e Benfica (Taça CERS) conquistam a Europa no mesmo dia, um sábado, 8 Junho 1991

Há hegemonias e hegemonias. Veja-se o caso das equipas portuguesas nos anos 60: Benfica campeão europeu em 1961, Benfica bicampeão europeu em 1962, Benfica finalista da Taça dos Campeões em 1963, Sporting vencedor da Taça das Taças em 1964, Benfica finalista da Taça dos Campeões em 1968. Sem esquecer a presença de Portugal no Mundial-1966. Nos anos 80, um pouco mais do mesmo: Benfica finalista da Taça UEFA 1983, FC Porto finalista da Taça das Taças em 1984, FC Porto campeão europeu em 1987, Benfica finalista da Taça dos Campeões em 1988. Sem esquecer a presença da selecção no Euro-1984 e Mundial-1986. No arranque do milénio, Portugal curte o melhor momento de sempre no que diz respeito a Europeus e não há outra selecção com um registo sequer parecido, tão-só porque só falhamos as meias-finais uma única vez, em 2008 (vs Alemanha, nos quartos). Faça lá as contas: 2000 vs França (derrota), 2004 vs Holanda (vitória), 2012 vs Espanha (derrota nos penáltis) e 2016 vs Gales (vitória).

 Saímos do futebol e escolhemos outra modalidade muito do nosso agrado, o hóquei em patins. A hegemonia é forte, fortíssima. E nem é preciso um ano, basta um dia. Pois é, a 8 Junho 1991, um sábado, três equipas portuguesas conquistam os três títulos europeus. Vamos por ordem de importância? Primeiro a Taça dos Campeões, através do Óquei de Barcelos, cuja figura é um jovem chamado Pedro Alves. Aos 17 anos, já resolve finais europeias. E fora de casa, num ambiente hostil, de cortar a respiração. Em Monza, Itália. É o local da segunda mão. Na primeira, 3:3. Acredite se quiser, o segundo jogo acaba também empatado a três. Tudo para prolongamento. E é aí que aparece Pedro Alves, que aproveita uma bola perdida no meio-campo, passa por um adversário (número 2), dribla outro com uma classe de outro planeta (n.º 8), faz a diagonal e bate o guarda-redes. Um golo de antologia, ainda por cima decisivo. Pela primeira vez na história, o Óquei de Barcelos ganha a Taça dos Campeões – passam-se uns anos e Pedro Alves é o herói do título mundial em 2003, novamente com um golo no prolongamento, vs Itália.

 Passamos para a Taça das Taças, competição em que o Sporting sempre demonstra uma apetência especial. O futebol é o que se sabe, com aquele golo de canto directo de Morais ao MTK Budapeste em 1964. No hóquei, a glória escreve-se em letras douradas em 1981, 1985 e 1991. O hat-trick, por assim dizer, é selado na nave de Alvalade, cheia como um ovo. Antes, em Novara, uma reviravolta épica abre o apetite. Ao intervalo, 6:4 para o Novara. Na segunda parte, 3:0 para o Sporting. Acaba 7:6. Em Lisboa, o Novara não acusa a pressão da maior enchente de sempre e assusta. Ao intervalo, 2:2. Na segunda parte, a repetição de Itália e 3:0 para o Sporting. Para tal, muito contribui a entrada em pista do veterano João Campelo e as milagrosas defesas do guarda-redes Chambel. Na hora da festa, o presidente Sousa Cintra é levado em ombros.

 Para compor o ramalhete, a Taça CERS (espécie de Taça UEFA). Ganha pelo Benfica, que nunca levantara qualquer título europeu na sua história – e só voltaria a fazê-lo em 2011. A final é com o Reus e o favoritismo é dos espanhóis, já vencedores de uma Taça das Taças precisamente vs Benfica, em 1984 (no acumulado das duas mãos, 10:9). E agora? A pergunta é ainda mais pertinente com o 6:4 no pavilhão do Reus, em Tarragona (Catalunha). No pavilhão da Luz, a que os jornalistas espanhóis apelidam de inferno pelo constante apoio dos adeptos, o Benfica dá a volta de uma forma avassaladora. Aos três minutos, já há 3:0. Ao intervalo, 6:1. No fim, 10:3. Que goleada. A figura maiúscula é Paulo Almeida, então com apenas 20 anos. É ele quem marca mais golos nos dois jogos e merece amplo destaque.

 Bola extra: como se isso fosse pouco, à conquista das três competições por clubes, a selecção nacional é campeã europeia nesse mesmo ano de 1991, um mês depois, em Julho, no Porto. A vitória é esmagadora, com oito vitórias em outros tantos jogos. Veja-se bem o desfile dos tristes derrotados na fase de grupos: Austrália 11:2, Holanda 6:1, EUA 8:1, Brasil 2:1 e Chile 11:0. Nos quartos, 8:0 à Alemanha. Nas meias, 5:1 ao Brasil. Na final, 7:0 à Holanda, a grande supresa da prova depois de eliminar Espanha (5:4) e Argentina (4:2 nos penáltis). No inapelável 7:0 à Holanda, os golos pertencem a Realista (bis), Paulo Alves, Paulo Almeida, Vítor Hugo, Tó Neves e Luís Ferreira.

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