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Conta-me como foi da bola. A extraordinária coincidência entre 1986 e 2020
Desporto 5 min. 08.08.2020

Conta-me como foi da bola. A extraordinária coincidência entre 1986 e 2020

Conta-me como foi da bola. A extraordinária coincidência entre 1986 e 2020

Foto: dpa
Desporto 5 min. 08.08.2020

Conta-me como foi da bola. A extraordinária coincidência entre 1986 e 2020

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Porto, Real Madrid, Paris SG, Bayern, Juventus e Liverpool, os campeões dos seis países mais importantes do futebol europeu.

Porto, Real Madrid, Paris SG, Bayern, Juventus e Liverpool. Porto, Real Madrid, Paris SG, Bayern, Juventus e Liverpool. Ups, repetimo-nos? Nada disso, é mesmo assim. Zero gralhas, tudo na perfeição. Mais uma vez, vá: Porto, Real Madrid, Paris SG, Bayern, Juventus e Liverpool. Como se fosse a tabuada, outra vez. Porto, Real Madrid, Paris SG, Bayern, Juventus e Liverpool. Só mais esta: Porto, Real Madrid, Paris SG, Bayern, Juventus e Liverpool.

 Pois é, Porto, Real Madrid, Paris SG, Bayern, Juventus e Liverpool. A vida dá voltas e mais voltas. Às vezes, volta ao mesmo. Confira lá os títulos de campeão em 2020. Em Portugal? Porto. Em Espanha? Real Madrid. Em França? Paris SG. Na Alemanha? Bayern. Em Itália? Juventus. Em Inglaterra? Liverpool. Agora vamos recuar 34 anos e perceber as diferenças. Se é que as há. Portugal? Porto. Espanha? Real Madrid. França? Paris SG. Alemanha? Bayern. Itália? Juventus. Inglaterra? Liverpool. Great Scott, como diria o Doc Emmet Brown do ‘Regresso ao Futuro’. Que preciosismo. Igual, igual, igual, como se fosse a papel químico

 Como já se sabe tudo sobre 2020, vamos falar dos títulos de 1986. O do Porto é premonitório, porque vale uma Taça dos Campeões. A gente explica, vá. Com o título de campeão alcançado in extremis, o Porto entra na Taça dos Campeões e passa a primeira eliminatória (10-0 no conjunto das duas mãos ao Rabat Ajax). Depois passa a segunda (3-1 ao Vitkovice). Depois a terceira (2-1 ao Bröndby). Depois a quarta (4-2 ao Dínamo Kiev). Finalmente a final, 2-1 ao Bayern. Que limpeza. E a culpa é de quem? Artur Jorge, acima de todos. O treinador do Porto cria uma equipa de estrondo, infalível. Basta ver a final. Sem os capitães Lima Pereira e Gomes, ambos lesionados, a reviravolta após o intervalo é um mimo.

 Como é que o Porto chega à Taça dos Campeões? O campeonato da 1.ª divisão 1985-86 é renhido, com o Benfica. No final da primeira volta, o Porto é surpreendido na Covilhã (2-0) e baixa para o quarto lugar. Nada de bom em perspectiva. Ou não. O Porto enche-se de brio e corre atrás do Benfica. Na penúltima jornada, Futre garante o solitário 1-0 no Bonfim, em Setúbal. À mesma hora, o Sporting surpreende tudo e todos com o 2-1 na Luz. O Sporting ganha na casa do Benfica, algo inédito desde 1965. Ou seja, há 21 anos. A cambalhota faz-se e o Porto parte em primeiro lugar para a última jornada. O jogo é (in)tranquilo, com o já despromovido Covilhã, treinado por Vieira Nunes, cunhado de Artur Jorge. Family ties.

 Ao intervalo, 1-1. No reinício, bis de Artur Semedo e silêncio nas Antas. Empata Gomes, com um vistoso pontapé de moinho. Desequilibra Gomes, de cabeça. Conclui Elói, à boca da baliza, após assistência de Juary. Acaba 4-2. O Porto é campeão. O Benfica, esse, entra completamente desinteressado no Bessa e é abalroado por um golo de Phil Walker. Campeão. Aqui ao lado, o Real Madrid sente menos dificuldades para conquistar a Liga, nunca mais celebrada desde 1980. Daí para cá, o contingente basco Real Sociedad-Athletic Bilbao concentra as atenções por quatro épocas seguidas. Segue-se o ano do Barcelona, na ressaca de Maradona. E eis novamente o Real Madrid, no início da Quinta del Buitre. É pacífico, o passeio. Onze pontos de avanço sobre o segundo classificado, pichichi para Hugo Sánchez pela quarta época seguida e ainda a Taça UEFA.

 Mais ao lado, em França, o PSG dá um ar de sua graça e ganha o primeiro campeonato da sua curta história (16 anos, ainda). O capitão Luis Fernández é a bandeira da equipa treinada por Gerard Houllier e até vai uns minutos à baliza, no lugar do lesionado Joel Bats, em Metz. Líder desde a primeira jornada, o PSG estabelece um recorde de 27 jornadas sem qualquer derrota – ultrapassada a marca do Saint-Étienne em 1957-58. O título de campeão tem pontos altos como o golo da vitória nos descontos, vs Monaco. O herói é Oumar Sené, é ele quem solta o grito de campeão, já preso desde 1936 no que toca a uma equipa da capital francesa. O próximo título do PSG é em 1994, com Artur Jorge – mais Lama, Ginola, Valdo, Ricardo Gomes.

 Mais ao lado ainda, na Alemanha, o Bayern dá o seu toque de magia. Sem nunca ter liderado o campeonato da primeira à penúltima jornada, o Bayern assume o título nos últimos 90 minutos, graças à goleada vs Borussia M’Gladbach em Munique (6:0) e à derrota do Werder Bremen em Estugarda (2:1). Cabe realçar um facto importantíssimo, o do Werder Bremen poder sagrar-se campeão no último minuto da penúltima jornada. Três dias antes da decisão, há um Werder Bremen-Bayern. Aos 89 minutos, penálti cometido por Lerby. A jogar em casa e apoiado pelo seu público, o central Kutzop engana Pfaff. Só que a bola bate no poste e sai do relvado. Acto contínuo, o árbitro apita para o fim. Com o 0:0, a esperança do Bayern cresce. A do Werder diminui consideravelmente. Daí a derrota em Estugarda, com bis de Allgöwer. Que barraca.

 Por falar, o que dizer da Roma? Candidata ao título, de braço dado com a Juventus, deita tudo a perder na penúltima jornada, após perder em casa com o despromovido Lecce (3:2). A Juventus tira partido dessa distração e consolida-se na liderança, graças aos golos de Platini, Laudrup e Serena. O trio ganha jogos por si só e o scudetto vai para Turim. O título honorífico da Roma é o de melhor marcador. Roberto Pruzzo arracada o troféu pelo terceiro ano consecutivo, à conta de 19 golos, 17 dos quais na segunda volta. Notável.

 Nas ilhas, em Inglaterra, o Liverpool faz a única dobradinha da sua história. Tanto na Division One como na FA Cup, o rival é o Everton, do outro lado do rio Merseyside. Na final da Taça, 3:1. No campeonato, a decisão arrasta-se até à derradeira jornada. Há três candidatos. Além de Liverpool e Everton, também West Ham. Em Goodison Park, o Everton ganha ao West Ham e afasta-o da corrida. Resta esperar por um milagre em Stamford Bridge. Em vão. O Liverpool ganha 1-0 ao Chelsea, golo de Kenny Dalglish, jogador-treinador. Pasme-se, Dalglish é o único jogador-treinador do planeta a resolver um campeonato nacional.

 E lá voltamos nós ao início: Porto, Real Madrid, Paris SG, Bayern, Juventus e Liverpool. Que embrulho bonito.

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