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Conta-me como foi da bola: a cimeira luso-italiana na UEFA
Desporto 5 min. 11.02.2021

Conta-me como foi da bola: a cimeira luso-italiana na UEFA

vitor

Conta-me como foi da bola: a cimeira luso-italiana na UEFA

vitor
Desporto 5 min. 11.02.2021

Conta-me como foi da bola: a cimeira luso-italiana na UEFA

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
É prato cheio para a semana, com Porto-Juventus e Braga-Roma.

Portugal e Itália, juntos e ao vivo. O sorteio da UEFA tem o que se lhe diga. Então não é que há um duplo cruzamento. Um na Liga dos Campeões, entre Porto e Juventus. Outro na Liga Europa, entre Braga e Roma. A primeira mão é para a semana, os dois jogos em Portugal, separados por 55 quilómetros e, vá, um dia. O jogo no Dragão é na ressaca do Carnaval, dia 17. O do Municipal de Braga a 18.

Serve isto para falar de todas as cimeiras luso-itallianas na história da UEFA. A primeira de todas acontece em 1992-93. No dia 3 março de 1993, um golaço de Papin (uma tremenda papinade, por sinal, um remate de primeira sem deixar cair a bola, sem qualquer hipótese para Baía) derruba o Porto na fase de grupos da Liga dos Campeões. No dia 4, na Luz, o Benfica comete a proeza de ganhar 2:1 à Juventus para a primeira mão dos ¼ final da Taça UEFA. Grande jogatana de Paneira, autor dos dois golos. Pelo meio, o formidável Vialli silencia a multidão, de penálti.

Avancemos, uma época apenas. Em 1993-94, é o esplendor à flor da relva, novamente com Porto e Benfica metidos ao barulho. Os dois jogos marcados para o dia 13 abril de 1994. O das Antas vs Milan acaba sem golos e certifica o Milan em primeiro lugar do grupo, o Porto em segundo. Quer isso dizer que o Porto encontra o Barcelona, vencedor do outro grupo, e o Milan defronta o Monaco para as ½ finais da Liga dos Campeões – inéditas, por sinal, a uma só mão. Na Luz, o Benfica recebe o Parma de Nevio Scala, uma equipa da classe média, quase quase quase alta em Itália. É o charme da ½ final da Taça das Taças e o Benfica ganha avanço por 2:1. Isaías marca o primeiro da noite, Zola empata e Rui Costa fixa. Poderia tudo ser mais glorioso se Bucci não tivesse defendido um penálti de Paneira. Quem diria, o herói da cimeira luso-italiana da época anterior vira o vilão.

Em 1994-95, Portugal e Itália cruzam-se duas vezes. Incrível e verídico. Primeiro em outubro de 1994, ambos os jogos para a segunda eliminatória da Taça UEFA. Na Madeira, a Juventus de Paulo Sousa ganha 1:0. O golo pertence a Ravanelli, o homem do momento. O penabianca (pelo cabelo completamente branco) marcara cinco em Turim vs Levski Sofia e ainda assinaria mais dois vs Marítimo, na segunda mão, em Tuirim.

O Boavista de Manuel José empata 1:1 vs Nápoles no Bessa. Desvio na narrativa para apresentar o excelentíssimo treinador do Nápoles. Chama-se Vujadin Boskov e é um artista de primeira água. Internacional jugoslavo (bronze nos Jogos Olímpicos Helsínquia-1952), o seu mérito é mais como treinador. Na primeira experiência num clube, levanta a Taça da Holanda pelo Haia, em 74-75. Seis anos depois, o jugoslavo de Novi Sad dá nas vistas no Real Madrid com um campeonato e duas Taças do Rei (dobradinha em 1980). É nesse Verão que se dá um caso curioso: o Madrid apanha 9-1 do Bayern na Corunha, no Teresa Herrera, o mais famoso torneio do mundo. À chegada ao aeroporto de Barajas, o treinador mais se parece um filósofo: “É melhor perder uma vez por nove golos do que nove vezes por um golo.” À saída de Madrid, segue- -se o título de campeão da segunda divisão italiana pelo Ascoli. É em Génova, onde jogara em 61-62, que Boskov assume um protagonismo inaudito (é também aí que morre, aos 82 anos). Repare nesta sequência: Taça Itália 1988, outra Coppa 1989, Taça das Taças 1990, campeonato italiano 1991 e Supertaça italiana 1991. É o tempo de Pagliuca, Vierchowod, Katanec, MIkhailichenko, Mancini e Vialli. Dos cinco títulos da Sampdoria, todos eles pertencem a Boskov. Que homem, que categoria. E ainda estreia Totti na Roma. E elimina o Boavista. O céu é dele.

Mais à frente nessa época 1994-95, há os ¼ final. Na Liga dos Campeões, o Milan elimina o Benfica de Artur Jorge. Dois golos de Simone garantem uma vantagem confortável para a Luz, onde o 0:0 é teimoso até ao fim, embora Isaías acerte a bola nos dois postes na mesma jogada. Na Taça das Taças, o Porto é abalroado em casa pela Sampdoria. Com surpresa maiúscula. E isto porque ganhara 1:0 em Génova, golo de Iuran. Nas Antas, o trintão Mancini empata a eliminatória e provoca prolongamento. Depois penáltis. Na linha dos 11 metros, Latapy é o único a falhar. Cabe ao careca Lombardo enganar Baía para acabar com as dúvidas. Pela segunda vez, após o bis do suplente César Brito no escaldante Porto-Benfica da 1.ª divisão 1990-91, Eriksson sai das Antas com um largo sorriso.

Pausa. Play. Vira-se o século. Pausa. Esbarramos em 2006-07, mais precisamente setembro 2006. Na primeira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, o Sporting dá uma imensa alegria com a vitória sobre o Inter de Figo e Ibrahimovic por 1:0. À vitória surpresa, o golo improvável de Caneira. E um senhor golo, um remate de fora da área, sem hipótese para Toldo. No quadradinho seguinte, Figo é substituído pelo treinador Mancini. E, quatro minutos depois (68’), Vieira é expulso. O Sporting tem o caminho aberto e aproveita-o para categoria de Paulo Bento.

Dois dias depois, para a Taça UEFA, o Braga de Carlos Carvalhal (hoje novamente o treinador do Braga) domina o Chievo sem apelo nem agravo. Um golo de Paulo Jorge aos 5’ e um penálti de Wender em cima do minuto 90 traduzem a superioridade incontestável de uma equipa com dois craques do além, JVP e Hugo Leal.

Agora mais do mesmo, Portugal em frente ou Itália avanti? Famos fer, como diria Eriksson. 

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