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Clube festejou 43 anos: Os Lusitanos continuam uma referência no associativismo português
Os Lusitanos festejaram no sábado, o 43° aniversário na sede, em Bonnevoie, com sócios e simpatizantes.

Clube festejou 43 anos: Os Lusitanos continuam uma referência no associativismo português

Foto: M. Dias
Os Lusitanos festejaram no sábado, o 43° aniversário na sede, em Bonnevoie, com sócios e simpatizantes.
Desporto 4 min. 03.05.2017

Clube festejou 43 anos: Os Lusitanos continuam uma referência no associativismo português

O Grupo Desportivo Recreativo e Cultural Os Lusitanos, um dos clubes portugueses mais antigos no Luxemburgo, festejou o 43° aniversário no sábado, na sede, em Bonnevoie, na capital. Já sem modalidades desportivas no ativo e apenas com um grupo de dança, continua a ser uma das cada vez mais raras associações que congrega os portugueses no Grão-Ducado.

O Grupo Desportivo Recreativo e Cultural Os Lusitanos, um dos clubes portugueses mais antigos no Luxemburgo, festejou o 43° aniversário no sábado, na sede, em Bonnevoie, na capital. Já sem modalidades desportivas no ativo e apenas com um grupo de dança, continua a ser uma das cada vez mais raras associações que congrega os portugueses no Grão-Ducado.

“Já não temos a sede cheia como nos anos em que nos reuníamos aos domingos para ir ao futebol, mas somos um clube com pergaminhos no seio da comunidade portuguesa. E como se viu hoje, continuamos bem vivos. É o nosso amor ao clube que o mantém de pé”, congratulou-se António Melo, um dos sócios mais antigos dos Lusitanos e atual vogal da direção.

“A sede é a minha segunda casa. Passo mais horas aqui do que com a família, mas faço-o por gosto”, lembra o dirigente, que serve o clube do seu coração há mais de três décadas.

“Cada aniversário do clube é sempre motivo de satisfação e regozijo pelo facto de estarmos vivos. Somos mais que uma associação. Temos representado e defendido com dignidade parte da cultura e identidade portuguesas no Luxemburgo ao longo destes 43 anos de história”, sublinha.

António Melo abre a sede dos Lusitanos por volta das duas da tarde, fecha por volta das dez da noite e por volta da meia noite aos fins de semana. Durante o dia aparecem os sócios para beber um copo à mesa, jogam às cartas, dominó ou bilhar, confraternizam e deitam contas à vida.

Aos sábados e domingos servem-se almoços e a sala acolhe com regularidade comunhões, aniversários, batizados e festas de grupos privados.

“Neste momento, o clube não deve nada a ninguém, mas já passou por tempos difíceis. Os sócios ajudaram sempre o clube e desde que Domingos Gonçalves, o atual presidente, está à frente dos destinos da coletividade, tudo tem funcionado bem, e espero que assim continue”, esclarece.

As saudades dos tempos áureos do clube são muitas, sobretudo pela representatividade desportiva que Os Lusitanos chegaram a ter durante muitos anos. As conquistas de vários campeonatos de futebol da Federação das Associações Portuguesas no Luxemburgo (FAPL), as participações gloriosas em várias provas nacionais e internacionais no atletismo e a equipa de ’quilles’ davam uma imagem de grandeza ao clube que hoje se esbateu.

“As coisas mudaram muito nos últimos anos”, diz António Melo. “Há uns anos, ser diretor dos Lusitanos era uma vaidade. Hoje, é uma carga de trabalhos para se encontrar gente para as direções, sobretudo desde que a equipa de futebol acabou”, recorda.

“O futebol era sinónimo de festa e os campos enchiam. Era giro esse tempo. Todos os clubes tinham uma grande vaidade com as suas equipas”, conta. “A não ser o futebol e os bailaricos, ao fim de semana a comunidade não tinha mais nada para se entreter”, recorda.

“Era nos campos de futebol, aos domingos, que os amigos se encontravam, apesar das rivalidades”, diz com saudosismo.

“Festejávamos as vitórias e chorávamos algumas derrotas, mas sempre com desportivismo e amor ao clube. Éramos um grande clube em todos os aspetos e continuamos a ser. A maior prova disso é a nossa vitalidade que, infelizmente, contrasta com o fechar de portas de muitos clubes que outrora foram também grandes”, recorda.

“São tempos que já não voltam. Para além das despesas que uma equipa futebol acarreta, hoje, os miúdos começam a jogar nas equipas luxemburguesas desde pequenos e os laços afetivos aos clubes e associações portuguesas deixam de existir”, lamenta. “Alguns sócios mais antigos que regressaram a Portugal e muitos dos jogadores que vestiram a camisola dos Lusitanos continuam a visitar-nos. Vêm à sede para rever os troféus conquistados e recordam os grandes momentos que viveram no clube”, diz, com a voz embargada.

Teresa Monteiro, filha do presidente, que não esteve presente por razões de saúde, é uma das (raras) jovens que frequentam a sede dos Lusitanos. Ocupa-se da parte administrativa e ajuda a dinamizar o clube. A par de Jessica Marques, que também faz parte da direção, acompanha o grupo de dança “Lusi”, constituído por cerca de dez jovens, que abrilhantou a festa de aniversário no sábado. Congratulou-se por mais um aniversário do clube, que começou a frequentar por influência do pai, e diz sentir um “grande orgulho” por fazer parte de um clube como Os Lusitanos, que conta com cerca de 170 sócios.

“Este é um clube especial. Somos uma grande família. A vida social entre os membros no clube é importante porque aqui todos se sentem em casa”, sublinha.

“Organizamos torneios de cartas e de bilhar, uma viagem para sócios uma vez por ano e mais um ou outro evento. Não temos apoios de ninguém, mas queremos continuar a ser uma referência no contexto associativo português no Grão-Ducado”, enfatiza.

Apesar de já não ter o fulgor e a grandeza de outros tempos, o clube que foi fundado precisamente no dia 25 de Abril de 1974 – dia da Revolução dos Cravos – continua a ser um dos mais representativos da comunidade portuguesa no Grão-Ducado. Apagou recentemente 43 velas e segundo os seus dirigentes quer continuar a ser uma referência no mundo associativo português no país.

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