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Carlos Fangueiro: “Se dependesse de mim, profissionalizava a Liga BGL“
Fangueiro é o novo treinador do Union Titus Pétange, substituindo Baltemar Brito, dispensado na pausa de inverno.

Carlos Fangueiro: “Se dependesse de mim, profissionalizava a Liga BGL“

Foto: Lex Kleren
Fangueiro é o novo treinador do Union Titus Pétange, substituindo Baltemar Brito, dispensado na pausa de inverno.
Desporto 7 min. 09.01.2019

Carlos Fangueiro: “Se dependesse de mim, profissionalizava a Liga BGL“

Álvaro Cruz
Álvaro Cruz
Fangueiro é o novo treinador do Union Titus Pétange – 7° classificado da Liga BGL – substituindo Baltemar Brito, dispensado na pausa de inverno. O ex-diretor desportivo, responsável pela formação e treinador dos sub-19 e sub-23, diz que conhece os jogadores como ninguém. Agradece a confiança dos dirigentes e mostra-se entusiasmado com o novo desafio de tentar colocar a equipa mais perto dos primeiros lugares.

Ficou surpreso com esta promoção a treinador principal na Liga BGL?

Não. Acho que todos sabem que sou a pessoa que melhor conhece os jogadores que fazem parte deste clube. Não apenas os que são profissionais, mas sobretudo aqueles que são oriundos da nossa formação. Uns e outros passaram pelas minhas mãos. Como treinador nas camadas jovens ou diretor desportivo, já que todos eles receberam o meu aval para representarem o Union Titus Pétange. Devo referir, também, que o meu dever é defender da melhor forma possível os interesses do clube. Depois, de certa forma, acho que a decisão dos dirigentes em me entregarem o comando da equipa principal é lógica e acaba por me deixar bastante satisfeito, já que um dos meus grandes objetivos era chegar à Liga BGL. Tenho pena que o Baltemar Brito e o Torres não tenham conseguido ter o sucesso que todos desejavam, mas o futebol é assim mesmo. Por tudo o que tenho feito no clube, acho que estou à altura da missão que me confiaram.

O que lhe pediram os dirigentes do Union Titus Pétange?

Essencialmente que estabilize o clube e que possamos fazer uma segunda volta mais consentânea com o valor dos jogadores. A equipa tem de ter ideias definidas e um rumo bem delineado para conseguirmos alcançar os objetivos pretendidos.

Que expectativas tem neste seu novo desafio?

Quero ganhar o maior número possível de jogos porque são as vitórias que nos motivam no nosso trabalho diário. Depois, espero que tudo corra bem para perspetivarmos juntos o futuro.

Qual a duração do contrato?

Sinceramente nem discuti sobre essa questão com os dirigentes. Sou um homem da casa. Presumo que estarei no comando da equipa até ao final da época e depois faremos um balanço do trabalho que foi feito.

O que acha que pode dar à equipa que até agora ainda ninguém deu?

Conhecendo como conheço os jogadores estarei focado acima de tudo em extrair o máximo de cada um deles em função das suas qualidades. Muitos deles têm qualidade para poderem jogar em qualquer equipa da Liga BGL. Aumentar os níveis de exigência e de intensidade para que os resultados possam ser cada vez mais positivos. Quero colocar esta equipa a jogar à minha imagem, com os principios e a ideia de jogo que quero implementar.

O crescimento do Union Titus Pétange não tem sido demasiadamente rápido para quem tem apenas três anos e meio de existência?

Depende do ponto de vista de cada um. Talvez, para quem olha para o clube do exterior, mas não para mim que conheço as pessoas que lideram o clube, as suas capacidades e os níveis de exigência. Posso até dizer que acho que poderíamos estar numa posição ainda mais confortável. O trabalho efetuado nestes três anos e meio tem sido muito bom e os resultados das nossas equipas são a melhor prova disso. No primeiro ano fomos campeões da Promoção e subimos de divisão. No segundo, terminámos no sexto lugar na Liga BGL e estivemos às portas de conseguirmos participar numa competição europeia. Temos vindo a somar várias subidas de divisão em todas os escalões da formação, terminando em primeiro nas diversas séries. Alcançámos títulos com a equipa de sub-23 que joga no campeonato de reservas, chegámos à final na Coupe du Prince, entre outros êxitos, que tornam notável o trabalho feito na formação. Se a tudo isto juntarmos o facto de vários jogadores que integram a equipa principal terem sido formados no clube, só podemos estar orgulhosos. O presidente tem sido uma pessoa fundamental no crescimento do clube. Ele e as pessoas que trabalham diretamente com ele têm feito um investimento enorme. Por isso, também é natural que os níveis de exigência quanto aos resultados sejam grandes por parte de quem lidera.

Além de diretor desportivo, dirigiu e dedicou-se à formação no clube. Como avalia essa área de trabalho no país?

Também tem evoluido bastante nos últimos anos. Existe um número razoável de clubes que já trabalha bem. É claro que há muita coisa para melhorar, mas o nível cresceu substancialmente. Para mais, as equipas que têm dificuldades financeiras devem forçosamente virar-se para a formação de jogadores para alimentarem as equipas principais. Valorizar a formação é o principal caminho e o nosso grande objetivo.

O Titus Pétange tem um protocolo com o Vitória de Guimarães que renovou recentemente. Como são as relações entre os dois clubes?

São boas, mas não é fácil estar em permanente contacto com um clube da dimensão do Vitória de Guimarães, que representei vários anos como jogador. Já tivémos na equipa principal jogadores emprestados pelo Vitória que infelizmente não quiseram continuar, mas o Guimarães também teve um jogador nosso na segunda equipa, o Artur Abreu, que tendo atingido os 23 acabou por regressar ao Titus e alguns jovens que já lá foram estagiar. Por vezes enviamos 20 menssagens e fazemos 30 telefonemas aos dirigentes deles e só ao 31° é que conseguimos falar com eles. Mas é normal, sobretudo nesta fase de transferências. É um processo que leva algum tempo a consolidar–se, mas as relações entre os dois clubes são boas.

Foi jogador profissional em Portugal, passando por clubes como Guimarães, Beira-Mar e Leixões, entre outros. Chegou ao Luxemburgo há sete anos, já em final de carreira, o que sentiu quando se deparou com o nível do futebol praticado no país?

Inicialmente foi um choque, estava habituado a outra realidade, mas depois adaptei-me bem. Devo, contudo, dizer que nestes últimos anos o futebol evoluiu muito no Grão-Ducado como atestam os resultados da seleção e dos melhores clubes. Espero que essa evolução possa continuar a verificar-se.

Acha que a Liga BGL no Luxemburgo poderá em breve tornar-se profissional?

Em breve, não, mas nos próximos anos, se todos trabalharem para isso, poderá tornar-se uma realidade. Há muitas equipas que querem ir nessa direção. F91 Dudelange, Fola, Niederkorn, Differdange e Racing Luxembourg estão a trabalhar muito bem a todos os níveis. Confesso que nós também queremos fazer parte das equipas que se querem aproximar o mais possível do profissionalismo. Era muito bom para o futebol luxemburguês.

Defende que a redução do número de equipas é fundamental para tornar o campeonato principal do futebol luxemburguês mais competitivo?

Defendo. Actualmente, o campeonato está partido em dois. A primeira e a segunda metade. Os primeiros classificados exibem um nível futebolístico manifestamente superior às equipas da segunda metade, embora uma ou outra também já tenha mostrado alguma qualidade. Talvez um campeonato com 10 equipas a três voltas fosse uma boa solução. Mais jogos entre as equipas mais fortes poderia contribuir para um maior equilíbrio, intensidade e interesse na competição. Acho, inclusivamente, que até seria melhor para os espetadores.

O Union Titus Pétange tem uma forte componente lusitana ao nível de dirigentes, treinadores, jogadores e até simpatizantes. Como analisa este fenómeno?

Acima de tudo somos um clube multicultural, como o próprio país. Temos muitas culturas e nacionalidades reunidas e isso é bom. Aliás, essa é a tendência do futuro. Desde que se entendam e possam trabalhar juntos em prol do clube, todos ficam a ganhar.

O Luxemburgo vai receber este outubro deste ano a seleção portuguesa em jogo de apuramento para o Europeu de 2020. Como antevê o encontro?

Vai ser uma festa, sem a menor sombra de dúvida. Com a numerosa comunidade lusa aqui residente, outra coisa não seria de esperar, aliás, como se verifica sempre que a nossa seleção cá vem jogar. Quanto ao jogo, acho que apesar da notória evolução que a seleção grã-ducal tem evidenciado a nível internacional nos últimos anos, importa não esquecer que somos os atuais campeões europeus e naturalmente que somos favoritos à vitória. Nem poderia ser de outra forma.

Se pudesse mudar alguma coisa no futebol luxemburguês o que mudaria?

Se dependesse de mim, profissionalizava a Liga BGL. Acredito que é o que vai acontecer no futuro. Nem todas as equipas estão preparadas, mas outras estão a preparar-se. Se não dermos um passo em frente, nunca mais avançamos. Há clubes que se têm dotado de boas infraestruturas e que a nível de organização nada devem a outros países. Já existem alguns jogadores de grande qualidade que poderão atrair outros que podem vir a viralizar ainda mais a competição.

Que desejos formula para este novo ano de 2019?

A nível desportivo, que tudo corra bem e o Union Titus Pétange consiga a sua melhor classificação de sempre. Que continue a evoluir, se aproxime dos melhores clubes do país e possa continuar a desenvolver o excelente trabalho na formação. A nível mundial, gosta que houvesse mais paz e compreensão entre as pessoas.

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