Carlos Fangueiro. "Saio desiludido, mas com a consciência tranquila"
Carlos Fangueiro. "Saio desiludido, mas com a consciência tranquila"
O treinador português foi afastado na segunda-feira do Union Titus Pétange, mas admitiu ao Contacto que "não esperava o despedimento" de um clube que serviu durante cinco anos e meio. Confessou que "custou muito", mas lembra que "o futebol tem destas coisas."
Depois de uma primeira volta praticamente 'imaculada' o Titus Pétange terminou em primeiro lugar da tabela, algo que muito poucos poderiam vaticinar no início do campeonato. No entanto, a segunda volta começou da pior forma para o clube que averbou um empate e três derrotas, às quais, Fangueiro não resistiu.
"Fizemos uma grande primeira volta e isso acabou por subir à cabeça de algumas pessoas, porque num ápice aumentou-se a fasquia da exigência. Devo lembrar que inicialmente o objetivo da direção era terminar entre os cinco primeiros, e mais recentemente, entre os três que dão acesso à Europa. O plantel foi espetacular na forma como trabalhou e se bateu dentro de campo. Uma equipa não pode liderar a toda primeira metade do campeonato por acaso. Infelizmente, houve muito trabalho bem feito que não foi devidamente avaliado", explica.
"Das seis semanas de preparação deste início de ano, estivemos uma em Espanha e aí trabalhámos muito bem, porque durante as outras, no Luxemburgo, foram em condições precárias. Aliás, transmiti essa minha preocupação aos dirigentes numa reunião e agora vejo que tinha razão", esclarece.
"Eu até compreendo a decisão dos dirigentes. Passámos do primeiro para o quarto lugar, mas tínhamos todas as condições para voltar a recuperar um lugar entre os três primeiros. Tivemos, também, lesões que nos limitaram em alguns jogos, mas o plantel foi sempre irrepreensível no seu comportamento", sublinha.
"Para mim, o presidente é, e foi sempre soberano. Por isso, tenho que respeitar a decisão, mas confesso que não esperava sair assim", diz, desiludido, e desabafa: "Os meus adjuntos saíram comigo por solidariedade, a qual também me foi sobejamente manifestada por todos os jogadores, sócios e alguns dirigentes. E esta é a prova cabal de que as coisas estavam a ser bem feitas."
Mas nem todos apreciaram o trabalho de Carlos Fangueiro no clube e o treinador acabou por revelar de onde partiu a insatisfação que o levou ao seu despedimento: "Infelizmente, o diretor desportivo nunca me apoiou. Desde o primeiro jogo do campeonato. Mesmo quando estavamos em primeiro lugar, raramente concordava com as minhas opções e tinha sempre reparos a fazer. Acredito que teve grande influência no meu afastamento", diz.
Ainda estou frustrado, mas a vida continua..."
Apaixonado pelo desporto-rei, Carlos Fangueiro diz que ainda não digeriu bem o despedimento, mas vai esperar por um novo desafio: "Sou um doido pelo futebol. Sempre fez parte da minha vida e não a concebo sem ele. Ainda estou bastante frustrado, mas a vida continua. Vamos ver o que acontece nos próximos dias. Espero que me apareça um projeto interessante para voltar aos relvados o mais depressa possível. É lá que a minha vida faz sentido", vinca.
"Tenho pena de não ter sido o primeiro treinador a levar o clube a uma competição europeia, porque acredito que esta época era possível concretizar esse sonho. Mas, apesar de tudo, sinto-me orgulhoso por tudo o que fiz naquele [ambicioso] clube ao longo de cinco anos e meio. Parto, mas deixo um grande abraço a todos. Jogadores, dirigentes, sócios e amigos que ganhei neste tempo e que trago no coração. Saio desiludido, mas com a consciência tranquila", rematou.
Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.

