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Campeonato mais português do Luxemburgo já arrancou e promete emoções fortes
Desporto 11 min. 02.10.2019

Campeonato mais português do Luxemburgo já arrancou e promete emoções fortes

Tal como nas épocas anteriores, Racing Luxembourg e FC Differdange são dois dos mais sérios candidatos à conquista do título de campeão e da Taça do Luxemburgo de futsal.

Campeonato mais português do Luxemburgo já arrancou e promete emoções fortes

Tal como nas épocas anteriores, Racing Luxembourg e FC Differdange são dois dos mais sérios candidatos à conquista do título de campeão e da Taça do Luxemburgo de futsal.
Foto: Stéphane Guillaume
Desporto 11 min. 02.10.2019

Campeonato mais português do Luxemburgo já arrancou e promete emoções fortes

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
A época 2019/2020 deu o pontapé de saída no passado fim-de-semana com os campeonatos da primeira e segunda Ligas de norte a sul do país. O Contacto ouviu treinadores, dirigentes, jogadores e membros de claques que são unânimes em querer erradicar a violência dos pavilhões.

“Este vai ser, sem sombra de dúvida, o campeonato de futsal mais competitivo de sempre no Luxemburgo”, antevê André Sério, treinador do Racing Luxembourg, bi-campeão da elite da modalidade no Grão-Ducado.

“De uma forma geral, todas as equipas reforçaram-se em qualidade e algumas também em quantidade. Esta época, prevejo uma competição bastante equilibrada, que com toda a certeza o será ainda mais a partir do mês de março do próximo ano, quando começar o play-off título”, enfatiza o técnico português que já conquistou dois campeonatos e uma Taça do Luxemburgo ao serviço da equipa da capital.

Depois da participação na pré-eliminatória da Liga dos Campeões, o técnico luso aponta baterias para as provas internas, assumindo que quer continuar na senda das vitórias.

“Nas últimas temporadas temos estado em quase todas as decisões no campeonato e na taça e é assim que queremos continuar. Sabemos que as dificuldades aumentaram e a concorrência também, mas temos que trabalhar, acreditar no nosso valor e continuar a lutar pelos títulos como o temos feito ano após ano.”

“Esta época não vão ser só o Racing e o Differdange a lutar pelo título”

Filipe Costa, responsável pela secção de futsal do FC Differdange, partilha da opinião do treinador do Racing e deixa um aviso: ”Esta época não vão ser só o Racing e o FC Differdange a lutar pelo título. A maioria das equipas reforçou-se com jogadores de grande qualidade, o que aumenta o nível da competição em todos os aspetos.”

O dirigente do FC Differdange destaca “a enorme evolução do campeonato” desde a sua criação, vincando que “antes jogava-se entre amigos e agora os quase todos os clubes têm bons jogadores e estruturas competentes.”

“Os níveis competitivos do campeonato aumentaram exponencialmente e a qualidade dos jogos também. As bancadas enchem-se cada vez com maior frequência como aconteceu recentemente na pré-eliminatória da taça frente à US Esch. Foi um grande jogo com um ambiente espetacular nas bancadas que acabou por deixar a verdadeira imagem que queremos veicular do futsal. É importante que a imprensa e alguns dos que querem denegrir este desporto venham assistir aos jogos e vejam as coisas boas que a modalidade pode oferecer”, reclama.

“Defender e promover a imagem o futsal”

Domenico Laporta e a Association Luxembourgeoise de Street Soccer (ALSS) estão de regresso à elite. Para o dirigente e um dos grandes impulsionadores do futsal no país, “a ALSS está no seu devido lugar. Passámos por um processo de fusão com outro clube que não correu bem, mas estamos de volta à ribalta da modalidade e isso é o mais importante para nós”, garante.

“Somos dos pioneiros do futsal no país e continuamos a adotar uma filosofia diferente de todos os outros clubes: O acompanhamento social de jovens desfavorecidos através do desporto continua a ser um dos objetivos da ALSS. Integração, Inserção e Respeito são os três vetores que orientam o nosso trabalho. Não sou contra ao facto de se contratarem jogadores em outros países, mas para nós é fundamental aproveitar os jovens de qualidade que existem no Luxemburgo”, precisa.

Sobre o campeonato desta época foi esclarecedor: “Este ano vai ser tremendo porque a evolução tem sido enorme. Perdemos o primeiro jogo contra o FC Differdange, que é um dos crónicos candidatos ao título, mas isso é perfeitamente normal. Confio muito no valor dos meus jogadores e acredito que poderemos disputar o play-off título. Mas para mim, o mais importante é que todos juntos possamos defender e promover a imagem do futsal. Querer ganhar é importante, mas existem regras a cumprir. Erradicar a violência nos pavilhões é fundamental. Na comissão do futsal, da qual faço parte, estamos a trabalhar nesse sentido para sensibilizar clubes, jogadores, dirigentes, árbitros e público para melhorar a imagem e ganhar cada vez maior credibilidade em todos os aspetos”, conclui.

Jogadores e treinadores que vêm de Portugal

Jorge Fernandes, o novo reforço do FC Differdange
Jorge Fernandes, o novo reforço do FC Differdange
Foto: FC Differdange

O campeonato da primeira Liga é composto por dez equipas. Todas elas se reforçaram em função de dois objetivos: A luta pelo título e a fuga à despromoção. Teoricamente, inserem-se no primeiro lote Racing Luxembourg, FC Differdange, Amicale Clervaux, US Esch, ALSS e Red Boys Aspelt. No segundo, FC Nordstad, RAF Team, CS Fola, e FC Wiltz.

Nas últimas épocas, o recrutamento de jogadores e treinadores de muitas equipas tem passado pelo mercado português, tendência que se tem vindo a reforçar. Um dos mais mediáticos efetuado pelo FC Differdange foi o de Jorge Fernandes, jogador que tem no palmarés 75 internacionalizações pela seleção A portuguesa e já representou clubes como Sporting clube de Portugal, Porto Salvo e Sassoeiros.

Com 33 anos, Djo, como é mais conhecido, conta com um palmarés recheado de títulos e explica a que se deve a sua vinda para o Luxemburgo: “A proposta que o FC Differdange me endereçou foi bastante interessante. Outro dos aspetos que me atraiu foi o facto de já conhecer alguns jogadores que cá estão e também alguns treinadores que fizeram bons percursos no campeonato português. Depois, acredito que aqui posso jogar a um bom nível e ganhar maior estabilidade na vida”, concede.

No primeiro jogo da pré-eliminatória da Taça do Luxemburgo Djo estreou-se a marcar e mostrou-se satisfeito com o comportamento dos colegas de equipa, a quem não poupou elogios.

“A integração tem sido fácil. Fui muito bem recebido por todos no clube e até agora tudo tem sido espetacular. Há muitos jogadores e dirigentes portugueses no clube, o que acaba por facilitar as coisas”, explica.

Sobre o seu primeiro jogo na taça, frente à US Esch, o internacional português mostrou-se satisfeito e ao mesmo tempo surpreendido: “Foi uma vitória merecida e sem contestação. Adorei a claque que não parou de nos incentivar e confesso que fiquei surpreendido por jogar num pavilhão completamente cheio e com um grande ambiente. Foi uma estreia inesquecível”, diz.

“Tinha acompanhado alguns jogos da última época porque conhecia muitos dos jogadores, mas agora já começo a ter uma ideia mais concreta das coisas. Acredito que este ano podemos fazer coisas muito interessantes. O grupo é ambicioso e tem muita qualidade. Estou bastante confiante em relação ao futuro”, sublinha.

Mas Djo é apenas um dos casos de jogadores que vieram de portugal. Atualmente, grande parte das equipas – sobretudo as mais cotadas da primeira e segunda Ligas – conta nos respetivos plantéis com vários jogadores e treinadores com currículo em Portugal, exceção feita ao Red Boys Aspelt, cuja maioria de jogadores é de origem Croata e à recente criada equipa Halo Junace Hassel, da segunda Liga, composta por um grupo de jogadores de outras repúblicas da ex-Jugoslávia.

“Nem tudo é mau nas claques”

Patrick Amorim, líder da claque Ultras Diff 45, espera que o campeonato seja “melhor que o anterior”, mas sobretudo “que seja ganho dentro do campo.”

O responsável dos apoiantes organizados do FC Differdange ainda não ’engoliu’ o facto de o título da última época ter sido atribuído ao Racing Luxembourg na secretaria, na sequência dos incidentes verificados no primeiro jogo do play-off, e espera que esta temporada as coisas corram melhor para o seu clube de coração.

“Este campeonato tem tudo para ser o melhor de sempre. Há equipas com muita qualidade, como se pôde verificar no jogo da taça contra a US Esch. Antevejo uma luta interessante entre vários dos melhores clubes e espero que esta temporada as coisas corram melhor em todos os aspetos. Muitos condenam as claques e acham que somos apenas um bando de arruaceiros, mas essa é uma imagem distorcida da realidade. Por vezes, pagamos todos pelo facto de um elemento cometer um ato irrefletido, como aconteceu no ano passado, com as consequências que todos conhecem. Também condeno esses atos de violência gratuíta e o individuo que o cometeu no final da época passada está a pagar por isso. Vamos aos jogos com o intuito de apoiar a nossa equipa. Fazemos barulho, temos indumentária própria, mas apenas quqeremos incentivamos os nossos jogadores e apoiamos o nosso clube”, vinca.

“Nos jornais e redes sociais há a preocupação de apenas falar mal do futsal, mas quando acontecem coisas boas, ninguém diz, como por exemplo no último jogo em Esch. O pavilhão encheu e os adeptos das duas equipas fizeram a festa sem que se verificasse qualquer desacato. Raramente se vê um pavilhão cheio nas outras modalidades como se vê no futsal.”

“Temos que ser positivos e lutar pela boa imagem futsal no país”, defendeu.

Segunda divisão com sete clubes e várias integrações

O campeonato da segunda Liga agrupa sete equipas e muitas delas integram a prova pela primeira vez, sem ainda se percercer bem quem vai lutar pela subida.

Niederkorn e Halo Junace, duas equipas na segunda Liga.
Niederkorn e Halo Junace, duas equipas na segunda Liga.
Foto: Á. Cruz

Aos sobreviventes da última época, FC Bettendorf e Miseler Leiwen, juntam-se esta época o Progrès Niederkorn, clube que passou a integrar o extinto Samba Seven, o F91 Dudelange ao qual se juntou o Sparta Dudelange, o Halo Junace que antes era o All Stars Colmar-Berg, o recente criado CS Sanem e o FC Gruefwiss Leideleng, equipa que luxemburguesa que integrou nos últimos anos as divisões secundárias belgas e esta época aderiu ao campeonato luxemburguês.

O fenómeno das últimas fusões e integrações com clubes luxemburgueses foi encarado por Luís Ramos, ex-dirigente do Samba Seven e agora do Progrès Niederkorn, como um “mal menor” e uma “vantagem para os clubes poderem progredir”.

Para o mais antigo dirigente de futsal – fundou com o irmão e outros amigos o Samba Seven Niederkorn em maio de 1996 –, “no início do campeonato muitos clubes de futebol onze estavam céticos quanto ao futuro da modalidade. Agora, já viram que o futsal pode ser benéfico para a evolução dos jovens nos escalões de formação.”

“Era importante criar campeonatos de futsal para os mais jovens. Seria uma espécie de viveiro para as equipas séniores. O campeonato teve uma grande evolução, mas ainda há muita coisa para melhorar. Por exemplo, a disponibilidade dos pavilhões. Tenho a certeza que o número de equipas seria muito maior se houvesse pavilhões para todos”, lamenta.

“O futsal tem tudo para crescer e continuar a marcar pontos, mas será fundamental que todos puxem para o mesmo lado: clubes, dirigentes, FLF e público”, remata. 

 “Tolerância zero para comportamentos inaceitáveis” 

Charles Schaack, vice-presidente da Federação Luxemburguesa (FLF) e responsável pelo departamento de futsal no Grão-Ducado, mostrou-se entusiasmado com o início do campeonato, mas ainda assim foi comedido nas suas declarações ao Contacto.

 Charles Schaack, vice-presidente da Federação Luxemburguesa de Futebol.
Charles Schaack, vice-presidente da Federação Luxemburguesa de Futebol.
Foto: Nicolas Bouvy

Para o dirigente federativo, o mais importante é começar bem a época, formulando o desejo “de que todos os clubes trabalhem de mãos dadas com a Federação e caminhem no mesmo sentido para que o futsal possa continuar a evoluir e a atrair pessoas aos pavilhões de todo o país.”

Schaack avisa que a violência será punida intransigentemente, podendo inclusivamente colocar em risco o futuro da competição: “Após os tristes incidentes que marcaram o final do último campeonato [em ambas as divisões] é como se fossemos começar do zero. Depois do que aconteceu, se se repetirem cenas como as que infelizmente se verificaram em alguns jogos na última época, a tolerância da nossa parte vai ser zero. É fundamental que os intervenientes se consciencializem de que o futsal é um jogo atrativo, emotivo, que gera paixões, mas acime de tudo é um desporto e não um campo de batalha. Quem ultrapassar os limites será punido severamente, sob o risco de um dia não se reunirem condições para se jogar, o que seria lamentável”, sublinha.

Sobre a qualidade do campeonato que tem vindo a crescer a olhos vistos nos últimos anos, o vice-presidente da FLF foi peremtório: “É indesmentível que o futsal é bastante popular no país e a isso muito se deve a forte componente lusitana que tem tido uma grande influência ne evolução do jogo. Esperemos que todos os agentes possam saber contribuir para que o futsal no país ganhe ainda maior protagonismo, mas pela positiva, com um comportamento correto e qualidade de jogo”.

Sobre a criação da [tão desejada] seleção nacional de futsal, Charles Schaack levantou a ponta do véu: “É um dossiê complicado sobre o qual estamos a trabalhar. Primeiro, são necessários jogadores de qualidade e que preencham os requisitos da nacionalidade. Treinadores competentes, programas de treino adequados e pavilhão com disponibilidade para treinos e competições. É necessário criar uma estrutura para enquadrar da melhor forma uma seleção que represente dignamente o Luxemburgo. Primeiro vamos tornar o campeonato melhor e mais forte e depois abordaremos o tema da seleção”, precisou. 

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