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Braga levanta a Taça em ano de centenário
Desporto 4 min. 24.05.2021

Braga levanta a Taça em ano de centenário

Braga levanta a Taça em ano de centenário

Foto: LUSA
Desporto 4 min. 24.05.2021

Braga levanta a Taça em ano de centenário

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Golos de Piazon e Ricardo Horta garantem 2-0 vs Benfica em Coimbra.

Sporting, Sporting e mais Sporting. É o ano do Sporting. Em Janeiro, o Sporting Clube de Portugal conquista a Taça da Liga. No início de Maio, o mesmo Sporting Clube de Portugal sagra-se campeão nacional pela primeira vez ao fim de 19 anos. E, agora, o Sporting Clube de Braga vence a Taça de Portugal, a terceira do seu historial. Na primeira, em 1966, Carlos Carvalhal era um bebé de seis meses. Na segunda, 50 anos depois, em 2016, Carlos Carvalhal é um dos numerosos adeptos no Jamor para aguentar o grito da vitória até ao desempate por penáltis. Na terceira, em 2021, Carlos Carvalhal é o treinador. É ele o homem do leme.

Carlos Augusto Soares Costa Faria Carvalhal. Nascido e criado em Braga, ali bem perto do Estádio 1.º Maio, formado nas escolas do Braga desde os iniciados (1978) até aos seniores (1983). Curiosamente, a sua primeira época na 1.ª divisão é a última de Jesus. Estamos em 1983-84 e, claro, ninguém adivinha o futuro. Daí a 37 anos, Carvalhal e Jesus defendem a sua dama em Coimbra. Para chegar à final, o Benfica limpa tudo e todos, seis vitórias seguidas. Se conseguir a sétima, iguala o registo de alguns históricos como Biri (1940), Wilson (1980), Baroti (1981), Eriksson (1983) e Csernai (1985). O sonho vira pesadelo bem rápido, aos 17 minutos, com a expulsão do guarda-redes Helton Leite por falta fora da área sobre o espanhol Abel Ruiz, melhor marcador da Taça de Portugal 2020-21 com sete golos. O árbitro Nuno Almeida saca o vermelho e, para piorar a situação, Jesus substitui Pizzi. Quer dizer, o sacrificado é o capitão? E agora, quem levanta a taça na tribuna presidencial, o sub? Náááááááááá. 

Sai Pizzi, entra Vlachodimos. E o internacional grego desequilibra ainda mais a final, com uma saída em falso num momento em que Vertonghen faz o corte. Adiantado na sua área, Vlachodimos assiste na primeira fila ao chapéu perfeito do brasileiro Piazon, cujo passado futebolístico inclui o Chelsea de Villas-Boas em 2011-12 e ainda o empréstimo por sete clubes até assinar pelo Braga há menos de um ano, por insistência de Carvalhal, seu treinador no Rio Ave em 2019-20.

Com menos um elemento em campo e a sofrer o golo no último instante da primeira parte, o Benfica nunca mais se recompõe e caminha penosamente para dois recordes, o das duas finais de Taça perdidas em anos seguidos (1974 1975 / 2020 2021) e o do treinador mais velho a perder uma final da Taça (Jesus, 66 anos, supera Trapattoni em 230 dias). Após o intervalo, Vlachodimos adia o 2-0 uma, duas, três, quatro vezes. À quinta, Ricardo Horta faz mexer o marcador e acaba com a dúvida. Faltam só cinco minutos para o fim e já não ninguém acredita numa reviravolta, embora ainda haja tempo para mais dois cartões vermelhos, um para Taarabt e outro para Piazón, num lance feiíssimo.

Aos 90’+6, o suplente Chiquinho falha a emenda à boca da baliza e o Benfica acaba mesmo o jogo a zeros. É a sua primeira final da Taça sem golos desde 1958, vs Porto (1-0). Nessa tarde de 15 de Junho, vale um golo de Hernâni e nada mais. Curiosamente, é também o dia de estreia de Pelé e Garrincha em Mundiais, na Suécia. Juntos, detonam o futebol científico da URSS (2-0) e ajudam a afastar de vez o fantasma do Mundial-50, perdido em casa, em pleno Maracanã. O Brasil avança então decidido para o inédito título. Repete a dose em 1962. E depois em 1970. Pelé é tri. Só falha o Mundial-66, eliminado ainda na fase de grupos por Portugal, no ano em que o Sporting ganha o campeonato e o Braga a Taça de Portugal. Ele há coincidências, ainda há há.

É a terceira vitória do Braga sobre o Benfica em 2020-21, uma na Luz para a 1.ª divisão, outra em Leiria para a Taça da Liga e agora em Coimbra para a Taça de Portugal. E é o quarto título em oito anos, entre Taça da Liga 2013, Taça de Portugal 2016, Taça da Liga 2020 e Taça de Portugal 2021. Tudo isto um dia depois do regresso do Vizela à 1.ª divisão, 36 anos depois. O Minho dita leis. Tal como o Sporting, seja o de Portugal, seja o de Braga. Os dois já têm encontro marcado para 1 de Agosto. É o dia da Supertaça portuguesa.

Sob o apito de Nuno Almeida, eis os 26 artistas em campo

BENFICA – Helton Leite; Vertonghen, Otamendi e Morato (Chiquinho 81); Diogo Gonçalves (Nuno Tavares 57), Weigl, Taarabt e Grimaldo; Pizzi (Vlachodimos 21), Seferovic (Darwin 57) e Everton (Rafa 57)

Treinador Jorge Jesus

BRAGA – Matheus; Esgaio, Tormena, Raúl Silva e Sequeira; Ricardo Horta, Al Musrati (André Horta 75), André Castro (João Novais 70) e Galeno; Abel Ruiz (Sporar 87) e Piazón

Treinador Carlos Carvalhal

Marcadores 0-1 Piazón (45+3); 0-2 Ricardo Horta (85)

Indisciplina expulsões de Helton Leite (17), Taarabt (90+3) e Piazón (90+3)

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