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Benfica vai processar eurodeputada Ana Gomes

Benfica vai processar eurodeputada Ana Gomes

Foto: Lusa
Desporto 3 min. 25.03.2019

Benfica vai processar eurodeputada Ana Gomes

Ana Gomes é uma das defensoras de Rui Pinto, o 'hacker' denunciante do Football Leaks que está em prisão preventiva pela justiça portuguesa.

O Benfica e o seu presidente, Luís Filipe Vieira, vão interpor processos crimes e cíveis contra a eurodeputada Ana Gomes, na sequência das suas declarações ao jornal Record, disse hoje à Lusa fonte ofical do clube. Em entrevista publicada hoje pelo diário desportivo, em resposta à hipótese de o 'hacker' Rui Pinto ter acedido ilegalmente ao correio eletrónico do Benfica, Ana Gomes diz que "há um passado de delinquência" ligado a Vieira e que o Benfica pode ter interesse em que alguém como o colaborador do Football Leaks, que está em prisão preventiva, esteja sob controlo. Fonte do Benfica disse à Lusa que tanto o clube com Luís Filipe Vieira vão processar Ana Gomes por calúnias, falsas declarações e difamação.

"Extraordinariamente, a SAD, o clube e o seu dirigente máximo não são acusados [no âmbito do processo e-toupeira]. Sabemos que o dirigente máximo do clube está referenciado em várias listas de grandes devedores do país por vários empréstimos não pagos. Há todo um passado de delinquência ligado a essa pessoa. Há inúmeros elementos que apontam para o facto de o Benfica poder ter especial interesse em que alguém que tem um acervo considerável de documentos de vários clubes não só possa ser posto sob controlo, mas inclusivamente o seu arquivo também o seja", afirmou a eurodeputada ao Record.

No processo 'e-toupeira', Paulo Gonçalves é acusado pelo Ministério Público (MP), enquanto assessor da administração da Benfica SAD, e no interesse da sociedade, de solicitar a funcionários judiciais informações sobre inquéritos, a troco de bilhetes, convites e 'merchandising' do clube, e terá de responder por crimes de corrupção, violação do segredo de justiça, violação do segredo de sigilo e acesso indevido.

A juíza de instrução decidiu levar Paulo Gonçalves a julgamento, mas não pronunciou a SAD 'encarnada', considerando que a sociedade não pode ser imputada pelos atos do seu antigo assessor jurídico, uma decisão de que o MP recorreu e que Ana Gomes também contesta. "Há aqui qualquer coisa de muito alarmante dos níveis de intimidação que explicam que certos setores dentro do sistema policial e judicial não atuem como era suposto exigir-se que atuassem", acrescenta a eurodeputada.

Nesta entrevista, Ana Gomes voltou a defender Rui Pinto, que é uma das fontes que tem permitido à plataforma digital Football Leaks denunciar casos de corrupção e fraude fiscal no universo do futebol, considerando que "tem razão para temer pela sua vida", ao ter sido entregue às autoridades portuguesas.

Para a eurodeputada, pessoas como Rui Pinto "fazem um trabalho extraordinariamente importante na defesa do interesse público, para o combate ao crime organizado", mesmo que no caso do denunciante português recaia pelo menos uma acusação de tentativa de extorsão.

As críticas da eurodeputada em relação ao processo do pirata informático não são novas. No início deste mês, Ana Gomes criticou na sua conta na redes social Twitter as autoridades de justiça portuguesas, acusando-as de estar mais preocupadas em prender o 'hacker' do que  com "criminosos e corruptores do gabarito de Ricardo Salgado e capangas"

Rui Pinto, que foi detido na Hungria e chegou a Portugal na quinta-feira, com base num mandado de detenção europeu emitido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), foi indiciado pela prática de quatro crimes: acesso ilegítimo, violação de segredo, ofensa à pessoa coletiva e extorsão na forma tentada. O advogado do pirata informático já informou que vai recorrer da prisão preventiva

Na base do mandado estão acessos ilegais aos sistemas informáticos do Sporting e do fundo de investimento Doyen Sports e posterior divulgação de documentos confidenciais, como contratos de futebolistas do clube lisboeta e do então treinador Jorge Jesus, além de outros contratos celebrados entre a Doyen e vários clubes de futebol.

Lusa


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