Escolha as suas informações

Benfica feito num oito
Desporto 4 min. 31.12.2021
Futebol

Benfica feito num oito

Futebol

Benfica feito num oito

Foto: HUGO DELGADO/LUSA
Desporto 4 min. 31.12.2021
Futebol

Benfica feito num oito

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
FC Porto ganha com autoridade (3:1) e já acumula oito clássicos seguidos sem derrota (nunca visto desde 1991) no regresso à liderança da 1.ª divisão.

Depende da perspectiva. Se for Porto, é vitória vitória vitória vitória empate empate vitória vitória. Se for Benfica, é derrota derrota derrota derrota empate empate derrota derrota. Seja como for, o sistema binário do clássico do futebol português está desequilibradíssimo. Oito, o Benfica não ganha ao Porto há oito jogos. É dose, quase quase a imitar a série de nove entre 1988-1991. Sete, o Benfica está a sete pontos de Porto e Sporting a uma jornada do fim da primeira volta.

O último jogo da 1.ª divisão no ano civil 2021 é bem diferente do de há uma semana, para a Taça de Portugal. Em vez de Vítor Bruno e João de Deus nos respectivos bancos, saúde-se o regresso de Sérgio Conceição, após castigo, e a estreia de Nélson Veríssimo, espécie de 112 para o lugar de Jesus, despedido no início da semana. Nos onzes, o Porto joga sem Luis Díaz (apanhado pelo covid) nem Evanilson (castigo) enquanto o Benfica apresenta-se sem Grimaldo (covid), Darwin (lesão) e Otamendi (castigo). 

Tacticamente, o Porto mantém-se igual a si próprio, já o Benfica abandona os três centrais e volta ao 4-4-2 com o capitão André Almeida a lateral-esquerdo. A massa adepta, essa, mantém-se numerosa no Dragão com mais de 45 mil pessoas nas bancadas para festejar o primeiro lugar.

O arranque é assim-assim para o insosso – quer dizer, comparado com o 1:0 de Evanilson aos 33 segundos de há uma semana. O primeiro remate digno desse nome é de Fábio Vieira aos 3 minutos, num pontapé de ressaca na sequência de um canto. A bola passa ligeiramente por cima da trave de Vlachodimos e, vá, é uma premonição para o 1:0 a envolver os mesmos intervenientes. Acontece aos 34’ numa bola longa lançada para as costas da defesa do Benfica.

A situação é useira e vezeira, o Benfica defende alto e tenta recuar nas horas. Às vezes, dá certo como no golo bem anulado a Pepê, por escassos oito centímetros. Outras, nem por isso. Aos 34’, a bola é lançada para Manafá, colado à linha lateral. Vlachodimos sai da área e despacha a bola para fora. É lançamento. Um apanha-bolas devolve a bola no quadradinho seguinte, ainda Vlachodimos está fora da área a correr para a baliza. Manafá lança para Taremi, o iraniano encontra Fábio Vieira a romper e o miúdo de 21 anos corre para o golo com a bola a passar por entre as pernas de Vlachodimos.

Ainda o Benfica está à procura da reacção e já o Porto dilata o marcador por Pepê, servido por Otávio, na direita. Mais rápido sobre a bola, Pepê ultrapassa Gilberto (literalmente nas covas) e cabeceia a bel-prazer. O Dragão ruge, naturalmente. É o 2:0, resultado feito ao intervalo. No recomeço, em cima do minuto 47, o Benfica assusta. Rafa avança pela direita e cruza rasteiro para o encosto fácil de Yaremchul ao segundo poste. Tu queres ver, há clássico?

Errrrr, talvez não. Aos 50’, André Almeida controla mal uma bola e pisa Otávio na ânsia de a recuperar. É amarelo, o segundo da noite. E é vermelho por acumulação. Com dez, o Benfica continua afoito e o 2:2 ciranda a baliza de Diogo Costa através de remates venenosos de Rafa (57’) e Gonçalo Ramos (63’). Acto contínuo, Nélson Veríssimo faz três substituições. Entram Taarabt, Seferovic e Pizzi. O problema é a saída de Rafa. Sem o maior rompedor de flancos no Benfica, quem vai meter a defesa do Porto em apuros? 

A pergunta nem tem resposta, porque o Porto acorda da letargia e dá um safanão na crise. Aos 68’, Otávio dá um nó a Weigl e oferece o 3:1 a Pepê. Em vão, o brasileiro não atina desta vez com a baliza. Menos de um minuto depois, Taremi coloca um ponto final na seca de 12 jogos sem marcar e fixa o 3:1, assistido por Vitinha. De novo, galo para Vlachodimos porque a bola passa-lhe por entre as pernas.

Até ao final, há situações de golos iminente, a última das quais pertence a Otávio, completamente isolado, já nos descontos. Acaba 3:1, prémio para o Porto mais equipa e mais assertivo. O Benfica fecha o ano com a 11.ª derrota em 62 jogos e cada vez mais longe do ambicionado título de campeão 2021-22. Sete pontos é muito. Mais ainda em relação a dois rivais como Porto e Sporting. E isto não é uma questão de perspectiva, é a realidade nua e crua.

Com Hugo Miguel no apito, eis os actores principais e secundários no Dragão:

FC PORTO – Diogo Costa; João Mário (Manafá 29) (Corona 60), Fábio Cardoso, Mbemba e Zaidu; Vitinha, Uribe, Otávio (cap) e Pepê (Francisco Conceição 83); Fábio Vieira e Taremi (Toni Martínez 83)

Treinador Sérgio Conceição (português)

BENFICA – Vlachodimos; Gilberto, Vertoghen, Morato e André Almeida (cap); Weigl; Rafa (Pizzi 66), João Mário (Seferovic 66) e Everton (Diogo Gonçalves 87); Gonçalo Ramos (Taarabt 66) e Yaremchuk (Lázaro 52)

Treinador Nélson Veríssimo (português)

Marcadores 1:0 Fábio Vieira (34); 2:0 Pepê (37); 2:1 Yaremchuk (47); 3:1 Taremi (69)

Indisciplina expulsão do benfiquista André Almeida (49, duplo amarelo)

* o autor escreve ao abrigo do antigo AO. 

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Golo supersónico de Evanilson aos 33 segundos orienta Porto para uma vitória categórica (3:0) na Taça de Portugal num triste espectáculo de futebol sem bola