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Badminton: Atleta portuguesa do Differdange sonha com os Jogos Olímpicos

Badminton: Atleta portuguesa do Differdange sonha com os Jogos Olímpicos

Foto: Paulo Dâmaso
Desporto 3 min. 01.03.2016

Badminton: Atleta portuguesa do Differdange sonha com os Jogos Olímpicos

A portuguesa Diana Campos Almeida, de 16 anos, é a actual campeã nacional do Luxemburgo de badminton, na categoria de sub-17 singulares, e sonha chegar "um dia" aos Jogos Olímpicos.

A portuguesa Diana Campos Almeida, de 16 anos, é a actual campeã nacional do Luxemburgo de badminton, na categoria de sub-17 singulares, e sonha chegar "um dia" aos Jogos Olímpicos.

A atleta do Badminton Club Differdange (BCD), fundado em 1985, faz parte do forte contingente de jogadores portugueses, alguns já nascidos no Luxemburgo, mas que não deixam de sentir o orgulho das raízes portuguesas.

Actualmente a disputar o Campeonato Nacional 1ª divisão, o emblema que conta com cerca de 70 atletas dos 5 anos 45 anos, quer regressar à elite do badminton luxemburguês, algo que já não acontece há quase 30 anos.

"Nos primeiros três anos do clube estivemos no topo mas depois, por alguns problemas estruturais, viemos por aí abaixo. Agora, estamos na 1ª divisão do campeonato nacional e acredito que, ainda esta época, possamos chegar ao principal escalão do badminton luxemburguês", disse, ao CONTACTO, o treinador Paulo Ribeiro, de 45 anos, que actua igualmente como jogador na equipa principal do clube.

Nas suas fileiras, o BCD conta com praticantes de várias nacionalidades: franceses, luxemburgueses, jugoslavos e, claro, portugueses. É, de resto, com alguns destes atletas lusos que o clube tem regressado à notoriedade. Com apenas 16 anos, Diana Campos Almeida é a actual campeã nacional de badminton na categoria de sub-17.

A atleta não esconde o sonho de "um dia" chegar aos Jogos Olímpicos (JO) e, quem sabe, levar o Luxemburgo ao pódio. "Até gostava de lá chegar (JO) embora seja muito difícil. Mas com muito trabalho, quem sabe um dia", confessou, timidamente, a jovem atleta. Para já, o próximo objectivo está bem definido: "Trabalhar arduamente para ser campeã nacional de sub-19 e na categoria A (a elite da modalidade)", revelou.

O caminho para atingir a meta está igualmente bem trilhado. Diana é a única atleta portuguesa (ainda que nascida no Grão-Ducado) na selecção nacional de badminton. "É um motivo de orgulho", refere, com um sorriso rasgado.

O dia-a-dia é de muito trabalho. A jovem estudante tem que conciliar a escola, os treinos diários (sessão de duas horas, uns dias no clube outros com a selecção), a família e os amigos. "Há tempo para tudo", sublinha.

Da esq. para a dta. Sofia Almeida, Diana Campos, Paulo Ribeiro e Diogo Lima, alguns dos atletas lusos do Badminton Clube de Differdange
Da esq. para a dta. Sofia Almeida, Diana Campos, Paulo Ribeiro e Diogo Lima, alguns dos atletas lusos do Badminton Clube de Differdange
Foto: Paulo Dâmaso

A disciplina é, de resto, uma das características necessárias para a prática desta modalidade, que exige igualmente muito esforço físico e mental. "As pessoas não imaginam sequer a dureza deste desporto. Mexe com todos os músculos do corpo e exige uma forma física de excelência", atira Paulo Ribeiro, o treinador-jogador.

"Estás a apanhar moscas?"

Popularizado na Índia pelas tropas inglesas, o badminton não é muito reconhecido no Luxemburgo. Pode ser jogado a dois ou a quatro atletas com raquetes e volantes (o nome da pena oficial de badminton). Não costuma encher capas de jornais ou ter destaque na imprensa como o futebol, andebol ou basquetebol.

Contudo, o interesse pela modalidade tem crescido no país. "É um trabalho muito difícil, os patrocínios são difíceis de conseguir por que a modalidade não tem tanta visibilidade", desabafou Manuel Almeida (56 anos), vice-presidente do Badminton Club Differdange.

Diogo Lima, de 19 anos, é um dos portugueses que joga na equipa B do clube. Começou aos 11 anos no Differdange e é lá que quer continuar, "até deixar de praticar a modalidade".

"No início, vários colegas da escola desvalorizavam o badminton, mas depois viram que não é assim tão fácil de praticar e começaram a dar-me valor", contou o jovem luso.

Diana vai mais longe: "Os meus colegas na escola perguntavam-me: 'olha lá, estás a apanhar moscas?', mas quando me sagrei campeã nacional já tinham orgulho e diziam a todos que eram meus amigos e que eu era campeã do Luxemburgo", recordou, ao CONTACTO, a atleta lusa do Badminton Club Differdange, considerada uma das melhores academias de badminton do Luxemburgo.

Paulo Dâmaso

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