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Automobilismo: Lusodescendente campeão de ralis no Grão-Ducado promete correr em Portugal
O piloto lusodescendente continua a mostrar grande ambição

Automobilismo: Lusodescendente campeão de ralis no Grão-Ducado promete correr em Portugal

Foto: Steve Fernandes
O piloto lusodescendente continua a mostrar grande ambição
Desporto 4 min. 08.02.2018

Automobilismo: Lusodescendente campeão de ralis no Grão-Ducado promete correr em Portugal

Steve Fernandes, campeão do Luxemburgo de ralis, é um verdadeiro apaixonado por automóveis. Dono da garagem Peugeot, em Ell, passa a maior parte do tempo a trabalhar nos seus carros. Quer continuar a acumular pódios e garante que vai disputar o Rali de Portugal.

Steve Fernandes, campeão do Luxemburgo de ralis, é um verdadeiro apaixonado por automóveis. Dono da garagem Peugeot, em Ell, passa a maior parte do tempo a trabalhar nos seus carros. Quer continuar a acumular pódios e garante que vai disputar o Rali de Portugal.

Por Álvaro Cruz

“Prometi ao meu pai que, um dia, vou disputar o Rali de Portugal e vou cumprir. Muitas das etapas têm lugar perto de Paredes de Coura, onde ele nasceu. Assim cumpro um sonho que nos é comum.” É deste modo que Steve Fernandes, campeão de ralis no Luxemburgo, projeta a mais ambiciosa das suas metas.

Filho de pai português e mãe luxemburguesa, nasceu em Ettelbruck e apaixonou-se pelo mundo automóvel muito cedo, por influência do pai, que era condutor de camiões.

“Ia com o meu pai e, lá no trabalho dele, conduzia tudo o que me viesse parar à mão. Como havia uma oficina, sempre que podia ajudava os mecânicos e comecei, também, a interessar-me por tudo o que está ligado à mecânica de automóveis. Hoje, transformo os carros e construo os meus próprios motores”, revela o piloto de 36 anos.

Batismo na Alemanha

Steve já simulava corridas na adolescência, em Portugal, quando ia de férias com os pais. Ainda sem carta de condução, percorria no carro da mãe, às escondidas, as estradas nas imediações de Paredes de Coura: “Na altura havia muito pouco trânsito e eu aproveitava para andar sempre a abrir. Até a polícia me acenava”, recorda com um sorriso.

Pouco depois das peripécias nas estradas do norte de Portugal, chegaram os primeiros títulos. Em 2007, Steve Fernandes fez o seu ’batismo’ num rali na Alemanha, mas foi mecânico de assistência em outras equipas. Disputou várias provas em França, Holanda e Bélgica, com pódios pelo caminho. Em 2010 chegou o seu momento e sagrou-se campeão do Luxemburgo pela primeira vez.

No ano passado, Steve Fernandes sagrou-se campeão do Luxemburgo pela segunda vez
No ano passado, Steve Fernandes sagrou-se campeão do Luxemburgo pela segunda vez
Foto: Steve Fernandes

“Foi muito bom ter ganho o meu primeiro título no Grão-Ducado”, admite. “Já tinha alcançado alguns pódios em outros ralis, especialmente na Bélgica, onde as provas são muito competitivas, mas ganhar no meu país foi importante para mim, para a minha família e para todos os que me apoiam”, sublinha.

Em 2016 veio o segundo título de campeão, que juntou ao prémio de melhor piloto luxemburguês na categoria de automobilismo, mas o lusodescendente, que tem como referências os franceses Sébastien Loeb e Sébastien Ogier, não quer ficar por aqui. “Enquanto muitos preferem ir ao café ou estar em casa a ver televisão, eu fico no meu atelier a trabalhar pela noite dentro. Procuro melhorar em tudo aquilo que faço, porque, como costumo dizer, a competição, para mim, é ganhar ou morrer.”

Competidor por excelência

Competidor por excelência, Steve Fernandes dedica-se a cem por cento à sua paixão. Vai trocar o seu Peugeot 207 S2000 por um R5 para estar à altura dos melhores concorrentes.

“A última época foi excelente, com a conquista de vários troféus, mas ainda quero melhorar. Espero revalidar este ano o título de campeão luxemburguês e preparar-me para tentar chegar ao pódio no rali de Antibes, em França, mas também noutros como o Mont-Blanc, sem esquecer o rali de Monte Carlo que também pretendo colocar no meu currículo. Gosto de competir com os mais fortes para poder aferir o meu verdadeiro nível, mas no Luxemburgo a concorrência não é muita”, revela.

Já capotou várias vezes, fez algumas piruetas, mas saiu sempre ileso dos despistes. Diz que é impossível ser piloto profissional no Grão-Ducado porque “o investimento é muito elevado e as ajudas são poucas”.

“Nunca houve alguém que me desse qualquer coisa em toda a vida. Hoje, tenho a minha garagem e o meu próprio negócio, mas construí tudo do zero e isso custa muito a engolir a alguns invejosos”, vinca.

Solidariedade

“Na Bélgica, convivi com alguns dos melhores pilotos do mundo e, na generalidade, são todos humildes. Até o público é mais caloroso e vem ao nosso encontro para pedir autógrafos. Nas corridas, a solidariedade entre pilotos é grande, ao contrário de algumas provas no Luxemburgo, onde cada equipa fica no seu canto e nem nos falamos”, lamenta.

Entretanto, Steve Fernandes vai continuar a competir e a preparar-se até que chegue o dia de voltar a Paredes de Coura para disputar o Rali de Portugal. Aí ficará cumprida a promessa que fez ao àquele que considera o seu maior fã: o pai.

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