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Olimpíadas "all american"
Desporto 3 min. 19.07.2021
Atlanta 1996

Olimpíadas "all american"

Atlanta 1996

Olimpíadas "all american"

Desporto 3 min. 19.07.2021
Atlanta 1996

Olimpíadas "all american"

Luís Pedro Cabral
Luís Pedro Cabral
O ouro sorriu pela terceira vez a Portugal. Fernanda Ribeiro venceu os 10 mil metros. À vela, chegou igualmente de Atlanta uma medalha de bronze. Estes olímpicos não ficaram com boa fama.

Começando pelo fim: Juan Samaranch, presidente do COI, teve de alterar a habitual expressão "os melhores olímpicos de sempre", proferida em quase todas as cerimónias de encerramento, para um lacónico: "Bom trabalho, Atlanta". Toda a gente sabia - Atlanta também -, que esse trabalho não tinha sido bom. Longe disso.

1996 era o ano do centenário das Olimpíadas da era moderna. A Grécia fez de tudo para que os JO regressassem a casa, mas o COI não cedeu às pressões. Ou, aliás, cedeu a outras. Pela quarta vez num século os olímpicos seriam realizados nos EUA, desta vez na cidade de Atlanta, Geórgia. É muito possível que o COI se tinha arrependido amargamente desta decisão. Estas, para além do mais, foram consideradas as olimpíadas do chauvinismo, que alguns chamaram de "patrioteirismo" made in USA. Pelos vistos, o verdadeiro espírito olímpico não tinha conseguido os mínimos para estar presente em Atlanta, onde os americanos resolveram fazer uma espécie de jogos "americanos", pois o que não fosse americano, nem que se estabelecessem marcas mundiais, era como se não existisse.

Foi azar. Logo nestas olimpíadas 79 países conseguiram medalhas olímpicas. Ainda por cima, foi nestes JO que os países africanos alcançaram a sua melhor prestação de sempre, com grande destaque para a equipa de futebol da Nigéria, que conquistou o ouro. Como um azar nunca vem só, Atlanta foi uma das mais participadas da história dos Olímpicos: 196 nações. No ano que a polícia americana tinha finalmente detido o famoso "Unabomber", o terrorismo voltou a atormentar os JO, com um atentado à bomba no Parque Centenário Olímpico, fazendo duas vítimas mortais e lançando o pânico para o resto do evento. Tudo o resto, pareciam pequenos detalhes, como o trânsito infernal entre a aldeia olímpica e os recintos desportivos, que gerou uma chuva de queixas, que se multiplicaram em relação ao verdadeiro desastre do sistema informático de apoio ao evento.

Em plena competição, Atlanta já se tinha transformado num caso diplomático. Perante tantas falhas de organização e "excesso de zelo americano", o ministro dos Negócios Estrangeiros grego pronunciou-se sobre este "desastre" olímpico, fazendo valer os argumentos que antes tinha apresentado para receber as olimpíadas centenárias. O COI fez de conta que não ouviu, o mesmo fazendo o executivo de Bill Clinton, já em fim de mandato e, no momento, assoberbado com assuntos "Lewinsky". Um recorde foi estabelecido em Atlanta sem margem para dúvidas: o de bilheteira. Segundo os números oficiais, mais de 10 milhões de bilhetes vendidos, o equivalente à população de Portugal. O que não era de espantar, pois a organização vendia bilhetes até para os treinos.

Nunca numas olimpíadas uma variedade tão grande de países tinha ganho medalhas. O Burundi ganhou, a Síria ganhou, a Malásia ganhou, Trinidade e Tobago ganhou, a Mongólia ganhou e Portugal também. Para Atlanta viajou a maior delegação portuguesa de sempre, excedendo pela primeira vez a centena de atletas, para participar em 18 modalidades, também o número mais amplo até então. Fernanda Ribeiro conquistou a terceira medalha de ouro portuguesa, vencendo nos 10 mil metros. A dupla Nuno Barreto e Nuno Rocha, na classe 470 da vela, conquistou a medalha de bronze. Os velocistas foram as estrelas destes olímpicos. Donavan Bailey, canadiano (originário da Jamaica) confirmou créditos de campeão de mundo, venceu a final dos 100m estabelecendo um novo recorde do mundo. O grande herói norte-americano - e como Atlanta precisava de um! - foi Michael Johnson, que cometeu a proeza de vencer nos 200 (estabelecendo novo recorde do mundo na distância) e nos 400m, feito só igualado pela francesa Marie-José Perec.

No cômputo geral os EUA sairam vencedores, o que não acontecia desde 1968. Ou, aliás, não era bem verdade. Em 1984, nos JO de Los Angeles, os EUA também venceram. Mas, nestas olimpíadas não estava presente a antiga URSS, que em Atlanta já era Rússia. Talvez acusando a desintegração da União Soviética, ficou em segundo lugar. A China, que crescia para potência olímpica, começava a demonstrá-lo, conseguindo um quarto lugar, atrás de um gigante unificado: a Alemanha.

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