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As três estreias de Ronaldo no José Alvalade
Desporto 5 min. 19.07.2022
Futebol

As três estreias de Ronaldo no José Alvalade

Ronaldo disputa a bola com um adversário do FC Bruges, num particular em 2003.
Futebol

As três estreias de Ronaldo no José Alvalade

Ronaldo disputa a bola com um adversário do FC Bruges, num particular em 2003.
Foto: Paulo Cunha/Lusa
Desporto 5 min. 19.07.2022
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As três estreias de Ronaldo no José Alvalade

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Tudo o que sempre sonhou saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar. Por Rui Miguel Tovar.

Capítulo 8. As três estreias no José Alvalade. 

Há quem diga que o cinema é acção, mas é um equívoco. O movimento é apenas uma parte do cinema. O espectáculo também não é o cinema. E também não é cinema fotografar actores a representar. Fiar-se nos actores é pedir emprestado ao teatro. Para os entendidos, como Alfred Hitchcock, a montagem é o aspecto essencial de um filme. 

E basta ver a cena do chuveiro em Psycho. A faca de Anthony Perkins nunca toca o corpo de Janet Leigh no ecrã. Dá-se a impressão que sim, só que, na realidade, não toca. O efeito é da montagem. E também não se mostra nenhuma parte do corpo feminino que possa ser considerada tabu. A ilusão de nudez é também alcançada através da montagem. 

Há 70 planos com trucagem diferentes em 45 segundos. Tudo 'culpa' da montagem. No futebol, as palavras acção, movimento e espectáculo desaguam invariavelmente em golo. Se for de livre directo, é uma montagem. Porque o jogador nunca vê a baliza toda nem sempre o guarda-redes assiste à partida da bola. De repente, alegria de um lado e tristeza do outro. Tudo 'culpa' da montagem. Como nos filmes. 

Inventámos esta linha de pensamento agora mesmo para nos sentirmos mais confortáveis na abordagem da temática dos livres directos, um capítulo dominado por Ronaldo (dez na selecção – recorde nacional – e 58 na carreira – a 28 de Zico).

Livres directos? Baaaaah, Ronaldo faz acção, movimento e espectáculo em tudo. Ele é livres directos, ele é penáltis, ele é jogadas individuais, ele é remates de primeira e sem preparação, ele é com o pé direito, ele é com o pé esquerdo, ele é de cabeça, ele é de calcanhar, ele é de bicicleta. Ele é tudo, de qualquer maneira e feitio, de qualquer lado. Até sem ângulo. É literalmente craque da cabeça aos pés, recordista de categorias infinitas. 

A história é assim há anos e anos. Ronaldo é Ronaldo, não há volta a dar. É o melhor marcador de sempre da Taça/Liga dos Campeões (e só começa a marcar a partir do 30.º jogo). É o melhor marcador de sempre do Real Madrid. É o português melhor marcador de sempre, à frente de dois fura-redes intemporais como Peyroteo e Eusébio.


A primeira grande entrevista de Cristiano Ronaldo
Tudo o que sempre sonhou saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar. Por Rui Miguel Tovar.

No Sporting desde os 12 anos de idade, Ronaldo cresce em todos os sentidos. Aos 17, é chamado por Laszlo Bölöni para integrar o plantel principal em 2002-03. No dia em que se confirma a entrada nos seniores, Ronaldo janta na casa do pai desportivo Aurélio Pereira. A boa memória acompanha-o sempre. "Nesse dia, jantámos carne à jardineira e, depois, melão." É um Verão inesquecível, porque Ronaldo estreia-se no José Alvalade, vs Paris SG, dia 20 Julho. É o jogo de apresentação aos sócios e acaba 2:2, com o Sporting a reagir à dupla desvantagem com golos de Rui Bento (penálti) e Ricardo Fernandes (livre directo) numa altura em que Ronaldo já fora substituído por Rui Jorge, aos 59 minutos.

Apresentado com o número 28, joga a extremo-esquerdo e é ele quem marca os cantos. Descontraído, assume sempre sem medos o um para um e arrisca o golo em duas situações, a primeira num pontapé de longe, a outra de cabeça. "Ainda não estou a 100%, isto foi só o início. Seja como for, é um dia para recordar." Bölöni também o avalia. "Por enquanto, é um jovem. Não me falem em jogador feito, se faz favor. Vai ter de trabalhar um, dois ou três anos e depois logo se vê. O que eu sei é que tem muitas qualidades, veremos se as comprova ao longo do tempo."

(curiosidade dessa noite luso-parisiense: Pepe está vestido à civil quando é chamado ao onze por lesão de Hugo no aquecimento; o jovem brasileiro emprestado pelo Marítimo ao Sporting para a pré-época dá-se mal com a táctica dos três centrais e, sobretudo, com o poderio físico do avançado Diawara.)

Duas semanas depois, a estreia oficial no José Alvalade, vs Inter para a Liga dos Campeões. É a pré-eliminatória de acesso à fase de grupos e o Inter chega a Lisboa com Toldo, Zanetti, Materazzi, Sérgio Conceição, Vieri e Recoba, entre outros (ausência de vulto é Ronaldo, o fenómeno). Com o marcador a zero, Bölöni chama Ronaldo e substitui-o por Toñito aos 58 minutos. É o primeiro suplente a sair do banco, atenção, muita atenção. 


Cristiano Ronaldo, celebra um golo contra a seleção da Holanda. EPA/OLIVER BERG
Tudo o que sempre quis saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar
Histórias sobre o lado menos conhecido do jogador português. Por Rui Miguel Tovar.

É o chamado jóquer – seguem-se-lhe Kutuzov (69’) e Ricardo Fernandes (76’). Durante meia hora, Ronaldo entretém-se e entretém os adeptos com alguns malabarismos (que o diga Dalmat), sem efeito prático. O perfume do seu futebol está no ar, falta-lhe um bocadinho assim para dar o salto.

No final do prélio, Ronaldo aproxima-se de Di Biagio e pede-lhe a camisola. O italiano aceita o desafio e ainda hoje recorda o momento com piada. "Na verdade, ia trocar com o Pedro Barbosa, capitão do Sporting, mas veio aquela criança pedir-me e não se pode dizer não a uma criança. Agora o meu filho está muito feliz por ter uma camisola do Ronaldo lá em casa."

Muito bem, estreia oficiosa e estreia oficial. Game over? Nem por isso. O quê? Há mais, como assim? Falámos só das estreias com a equipa sénior. Antes, muito antes, Ronaldo estreia-se no José Alvalade a um 14 Fevereiro 1998. Bonito, não é?, dia dos namorados e tal. Pois bem, é um Sporting vs Benfica para o distrital dos infantis com arbitragem de Jorge Coroado. Acaba 3:1 do Sporting, sem qualquer golo de Ronaldo. Adivinhe lá quem é o capitão do Benfica?

ah poizéééééé

Amorim

Rúben Amorim.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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