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Arsenal vs Tottenham. O dérbi Ronnie Biggs
Desporto 4 min. 01.10.2022
Histórias da Bola

Arsenal vs Tottenham. O dérbi Ronnie Biggs

Ronnie Biggs, também conhecido por ladrão do século, era uma fanático adepto do Arsenal.
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Arsenal vs Tottenham. O dérbi Ronnie Biggs

Ronnie Biggs, também conhecido por ladrão do século, era uma fanático adepto do Arsenal.
Foto: Kirsty Wigglesworth/AP
Desporto 4 min. 01.10.2022
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Arsenal vs Tottenham. O dérbi Ronnie Biggs

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Este sábado há dérbi londrino: Arsenal vs Tottenham. É também o dérbi de Ronnie Biggs. Quem? Fanático adepto do Arsenal. E não só.

Arsenal vs Tottenham. O regresso à normalidade da Premier League começa cedo, no sábado às 12h30, com o dérbi londrino. Acrescentamos, o verdadeiro dérbi londrino. Ah e tal, e o Chelsea? Como diria Bobby Robson cá em Portugal, good equipe, terrific jogadores, football attack. E mais, muito mais. Só que a história não se faz só do passado recente. 

O Chelsea é campeão europeu em 2012, respect. O Tottenham só consegue chegar à final da Liga dos Campeões em 2019 e that's all folks. Também respect. Claro, o Chelsea é uma equipa com queda para a história recente. Que o digam Mourinho, bicampeão inglês em anos seguidos, ou Ancelotti, autor de uma inédita dobradinha em 2010. Chelsea é Chelsea e vice-versa. A verdade é que a história de todo o sempre ainda protege o Tottenham como arquirrival do Arsenal desde os primórdios até aos nossos dias. Aliás, há um episódio engraçado na contratação de Fàbregas pelo Arsenal em 2003. Perguntam-lhe sobre o jogo mais esperado e o médio espanhol, jovem como tudo (só 16 anos) diz Chelsea. O assessor de imprensa, sempre atento, segreda-lhe ao ouvido e o bom do Cesc rectifica. "A rivalidade histórica é com o Tottenham."

Pois bem, Arsenal vs Tottenham em Londres, no Emirates. É também o dérbi de Ronnie Biggs. Quem? Fanático adepto do Arsenal. Só isso? Há um acrescento delicioso: famoso ladrão de um dos roubos mais espectaculares da história, ocorrido a 8 Agosto 1963, quando um comboio que transporta 2,6 milhões de libras (quase três milhões de euros) é assaltado a meio da viagem. Ainda hoje ele é apelidado como o ladrão do século ou o ladrão do comboio de Glasgow.

Biggs era um carpinteiro, na altura, e foi apanhado pela polícia um ano depois do assalto, juntamente com a maioria dos envolvidos, que dividiram o dinheiro, mas deixaram impressões digitais em tudo o que era sítio. A sentença foi imediata: 30 anos de prisão. Biggs conseguiu fugir da cadeia, da maneira mais risível, com uma escada feita à mão com cordas e lençóis, depois de corromper três guardas prisionais.

Fugiu para Paris, onde forjou um outro passaporte e mudou a aparência com uma cirurgia plástica. Em 1970, mudou-se para Adelaide, na Austrália. Trabalhou como montador de cenários no Channel 10 até que um repórter o reconheceu. Foi aí que fugiu para Melbourne, antes de se instalar definitivamente no Brasil, no mesmo ano, deixando mulher e filhos para trás.

Em 1974 foi encontrado pelo jornal inglês Daily Express no Rio de Janeiro. O repórter Colin MacKenzie recebera informações do paradeiro de Biggs e informou os detectives da Scotland Yard, que nada puderam fazer ao abrigo da lei daquela época – não havia tratados de extradição firmados entre o Brasil e o Reino Unido.

Para completar o ramalhete, a então namorada de Biggs (Raimunda de Castro, dançarina de discoteca) estava grávida, situação que impedia a expulsão de Biggs, segundo a lei brasileira. O seu estatuto de fora-de-lei não lhe permitia trabalhar legalmente, mas também não o impedia de tirar proveito do azar da Scotland Yard. Daí que repentinamente xícaras e camisolas com a estampa de Biggs começassem a surgir nos pontos turísticos da cidade carioca. Por alguns trocados, qualquer um poderia almoçar com o charmoso anti-herói.


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Em Maio 2001, Biggs volta a Inglaterra por iniciativa própria. E faz questão de anunciar publicamente o regresso a casa, numa entrevista exclusiva ao tablóide inglês The Sun, que lhe paga 44 mil libras (49 mil euros) pela história e ainda freta um jacto para o levar de regresso a Londres, onde foi novamente preso, ainda no aeroporto. O estado físico de Biggs foi-se deteriorando, com dois ataques cardíacos e três AVC, o que levou o seu advogado a pedir, a 1 Julho 2009, a sua liberdade condicional. O secretário de justiça britânico Jack Straw recusou, porque Biggs não apresentava uma ponta de arrependimento pelo crime. O mesmo político mudou o veredicto 27 dias depois, quando Biggs foi internado com pneumonia, no hospital universitário de Norfolk e Norwich. Daí até à morte é um roteiro previsível, com um jogo de bola pela televisão.

Michael, o tal filho de Biggs com a dançarina brasileira Raimunda de Castro, tem 34 anos em 2009 e é ele quem cuida do pai. E é na sua casa que Biggs vê o último dérbi da sua vida. "Ele", disse Mike, famoso no Brasil por ter pertencido nos anos 80 ao grupo musical Balão Mágico da apresentadora Xuxa, "vibrou com o golo do Fàbregas" (olha olha quem é ele). Acaba 3:0 para o Arsenal e os outros dois golos da tarde pertencem ao holandês Van Persie, autor da assistência para o 2:0 de Cesc.


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Só para arrumar o assunto, em jeito de piada sobre o início do texto, o Chelsea é o único clube londrino a sagrar-se campeão europeu. É o tal título em 2012, com Villas Boas na fase de grupos e Di Matteo a partir da 2.ª mão dos 1/8 final, vs Nápoles. Os outros acumulam finais perdidas, só. Seja como for, o Arsenal é Big.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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