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Após dez anos de sucessos: José Gonçalves: “Saio triste mas de consciência tranquila”
Desporto 4 min. 27.01.2016

Após dez anos de sucessos: José Gonçalves: “Saio triste mas de consciência tranquila”

Após dez anos de sucessos: José Gonçalves: “Saio triste mas de consciência tranquila”

Foto: Á. Cruz
Desporto 4 min. 27.01.2016

Após dez anos de sucessos: José Gonçalves: “Saio triste mas de consciência tranquila”

Depois de uma década ao leme do Kayl/Tétange, que levou das divisões mais baixas à Liga BGL, José Gonçalves vive os últimos dias como presidente do clube do coração. Estava disposto a continuar por mais dois anos, mas diz que não reconheceram o seu trabalho. Apesar de convidado para integrar os quadros da FLF e outros clubes da elite, ainda não tomou uma decisão, mas garante que fica no futebol.

Depois de uma década ao leme do Kayl/Tétange, que levou das divisões mais baixas à Liga BGL, José Gonçalves vive os últimos dias como presidente do clube do coração. Estava disposto a continuar por mais dois anos, mas diz que não reconheceram o seu trabalho. Apesar de convidado para integrar os quadros da FLF e outros clubes da elite, ainda não tomou uma decisão, mas garante que fica no futebol.

Por Álvaro Cruz

José Gonçalves disse ao CONTACTO que “não há volta a dar à situação”. Vai deixar a presidência do Union 05 Kayl/Tétange na próxima sexta-feira, na assembleia-geral do clube, mas garante que vai ajudar o seu sucessor, tal como o ajudaram quando assumiu os comandos do clube, em 2005.

“Vivo um momento de grande tristeza, mas saio com a consciência tranquila por ter dado o meu máximo em prol de um clube que para mim era uma extensão da família”, diz, com voz embargada.

Na base da decisão de abandonar o clube estão os insultos que lhe foram dirigidos por espectadores após a derrota (1-2) frente ao Remich/Bous, em Setembro de 2015, na segunda jornada do campeonato da Promoção. “No final do jogo, no bar, um espectador que raramente vejo no campo, mas que me disseram ser um antigo jogador do clube, dirigiu-se a mim, atirou-me o bilhete e disse-me que o podia guardar, que não valia o preço que ele tinha pago, reforçando em voz bem alta que a equipa era podre e que não valia nada”, recorda.

“Entretanto, outros espectadores alinharam no coro de críticas acesas. Um ex-dirigente do clube mandou-me mesmo trocar o treinador português por um luxemburguês, o que achei inadmissível”, conta.

“Estou sempre pronto para ouvir críticas, mas que sejam construtivas e possam ajudar o clube e a equipa a melhorar. Foram dez anos de muitos sacrifícios e horas que dei ao clube em detrimento da família, sem falar no dinheiro que investi no clube durante uma década”, vinca.

“Acho que não merecia esta forma de ’agradecimento’ por tudo o que eu e a minha família temos feito pelo clube. O facto de um indivíduo pagar um ingresso para um jogo não lhe dá o direito de ofender o presidente do clube. Não fui educado assim!”, lamenta.

“Tirei este clube das divisões mais baixas e levei-o até à Liga BGL. Foi com muito trabalho e grande esforço que consegui. O meu pai veio para o Luxemburgo em 1963 e aos nove anos comecei a jogar em Kayl e foi aqui que cresci e vivi toda a vida”, recorda.

“Com o passar dos anos, o clube fazia parte da minha família. Depois, por termos perdido um jogo, tive de ouvir coisas que não esperava e inclusivamente ser maltratado por gente que não merece a mínima credibilidade. Eu e a minha família ficámos muito tristes”, diz, com ar abatido.

“QUERIA SAIR COM O CLUBE NA LIGA BGL”

“Não era desta forma que eu queria deixar o clube. Depois de ter falado com todos lá em casa, decidi que iria continuar por mais duas épocas (até 2018) para voltar a colocar o clube na Liga BGL e depois poder sair, mas isso não foi possível, apesar de muitas pessoas terem tentado demover-me da minha decisão”, precisa.

Sobre a actual situação do clube, penúltimo da Promoção de Honra, o ainda presidente do Union 05 Kayl/Tétange acredita que “a equipa vai lutar e manter-se”. “Os jogadores não perderam as suas qualidades e com os dois novos reforços a equipa vai ficar mais forte. Acredito que todos vão unir-se ao treinador e fazer uma boa segunda volta para conquistar os pontos necessários e terminar num lugar honroso”.

José Gonçalves lamenta a má campanha desta época e diz que “o clube passou por alguns contratempos que poderiam ter sido evitados se estivesse mais presente”. “Infelizmente, o meu pai tem passado por vários problemas de saúde, o que me tem obrigado, e à minha família, a algumas deslocações a Portugal”, explica.

Sobre o próximo presidente, garante que vai ajudar o seu sucessor. “Quando me convidaram para ser presidente, há mais de dez anos, também me ajudaram a desempenhar as minhas funções, as quais fui desenvolvendo com o tempo. Por isso, vou colaborar com o próximo presidente e o comité do clube para que tudo corra bem”.

“CONVITES PARA CONTINUAR NO FUTEBOL NÃO ME FALTAM”

Apesar de José Gonçalves ter vivido uma grande desilusão, convites para continuar no futebol luxemburguês não lhe faltam, como o próprio revela.

“Ainda ontem uns dirigentes telefonaram-me para ser presidente de um clube da liga BGL, e não foram os únicos”, diz, com orgulho.

“Não sou jogador para ser contratado pelas minhas qualidades dentro do campo, mas sinto-me com plenas capacidades para desempenhar, fora das quatro linhas, as funções de dirigente que fui aprendendo ao longo dos anos. Tenho também um grande clube luxemburguês, aqui perto de casa, que já solicitou os meus serviços, sem esquecer a Federação Luxemburguesa de Futebol, que me abriu as portas através dos seus dirigentes, com os quais mantenho excelentes relações há décadas”, reforça.

José Gonçalves diz que ainda não tomou uma decisão quanto ao futuro. Garante que que nunca mais voltará ao Union 05 Kayl/Tétange, mas assegura que vai continuar no futebol luxemburguês.


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