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André Barrela: “Se tivesse de escolher entre as seleções de Portugal e a do Luxemburgo, escolhia a luxemburguesa”
Desporto 7 min. 12.09.2019

André Barrela: “Se tivesse de escolher entre as seleções de Portugal e a do Luxemburgo, escolhia a luxemburguesa”

André Barrela: “Se tivesse de escolher entre as seleções de Portugal e a do Luxemburgo, escolhia a luxemburguesa”

Foto: Sibila Lind
Desporto 7 min. 12.09.2019

André Barrela: “Se tivesse de escolher entre as seleções de Portugal e a do Luxemburgo, escolhia a luxemburguesa”

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
O lusodescendente internacional pelos sub-19 do Luxemburgo esteve a fazer testes com os juniores do FC Porto. Uma semana diferente na vida do jovem guarda-redes adepto dos azuis e brancos que sonha em ser profissional e representar a seleção "A" grã-ducal.

Como surgiu a oportunidade para estagiar com a equipa de sub-19 do FC Porto na última semana?

Há dois anos, através de contactos que tive em Portugal, recebi um convite para fazer um estágio com a equipa de sub-17 porque eu e mais alguns jogadores já estavamos referenciados no FC Porto. Agora, voltaram a chamar-me para passar uma semana, aferirem as minhas qualidades e avaliar se tenho condições para integrar o clube num futuro próximo.

Correu bem a semana de treinos?

Correu muito bem. Treinei todos os dias de segunda a sábado e ainda participei num jogo amigável contra os seniores do Águeda. Fui muito bem recebido pelos dirigentes e treinadores.

Os dirigentes já emitiram o veredito final?

Todos elogiaram as minhas qualidades, mas quanto à decisão dos responsáveis, ainda ninguém falou comigo sobre um eventual interesse. Acho que ainda é cedo. Existem muitos parâmetros de avaliação que têm de ser levados em conta no relatório individual que é estabelecido e depois entregue pelos vários treinadores que trabalharam comigo. Mas estou confiante e agora vou aguardar serenemente.

O que sente um jogador amador de um clube pequeno quando é chamado à academia de um dos grandes da Europa?

Foi, acima de tudo, uma alegria imensa ter sido convidado para fazer um estágio no FC Porto. Ainda por cima, é o meu clube preferido e pelo qual nutro grande admiração praticamente desde que nasci. Estar no Centro do Olival, em Vila Nova de Gaia, com a equipa profissional, deu-me a sensação de estar em outro mundo. Tudo é diferente. Nota-se que o clube é um dos maiores da Europa e do Mundo. Tudo é profissional e muito bem estruturado. Não falha nada. Lá, sentimo-nos jogadores a sério. Tudo é perfeito desde que entramos na porta do centro de estágio. Aprendi muito, dentro e fora do relvado. Os níveis competitivos e de exigência são muito superiores àqueles a que estou habituado. Todos jogam para ganhar. Ninguém dá tréguas. O treino é levado tão a sério como a competição. A mentalidade dos jogadores, treinadores e dirigentes é das mais elevadas que já vi. Melhor, seria impossível. Foi uma bela experiência.

Foi, acima de tudo, uma alegria imensa ter sido convidado para fazer um estágio no FC Porto. (...) Tudo é profissional e muito bem estruturado. Não falha nada.

Além do FC Porto tem mais algum clube preferido?

O FC Etzella, naturalmente. É como se fosse o prolongamento da minha família. O FC Porto é o meu clube em Portugal. A minha família é originária do norte do país e temos todos um carinho especial pelos ’dragões’, por tudo o que têm conquistado no futebol português, europeu e mundial. Mas foi no Etzella [de Ettelbrück] que comecei a praticar futebol aos quatro anos. É também um clube que representa muito para mim. Foi lá que cresci e tenho os meus amigos. Passei por todas as categorias de idade, conquistei vários títulos e cheguei à seleção luxemburguesa. É um clube verdadeiramente especial para mim, também.

Tem ainda idade de junior (18 anos), mas já teve algumas aparições na equipa principal do Etzella na Liga BGL. Quais são os seus principais objetivos para esta época?

Para já, recuperar o meu lugar de titular. Levo o futebol muito a sério. Toda a minha família foi de férias e eu fiquei para não faltar a nenhum treino. Iniciei o campeonato a titular e depois perdi a titularidade. O meu objetivo imediato é recuperar o lugar na baliza do Etzella. Sou muito novo, mas bastante ambicioso. Esta época quero fazer no campeonato exibições que me deem acesso a outros voos.

Foto: Sibila Lind

Nunca pensou em representar a seleção portuguesa?

Sim, há uns anos pensava mais do que agora. Mas a seleção luxemburguesa tem evoluido muito nos últimos anos. Em Portugal, a concorrência é muito maior e as oportunidades são significativamente mais reduzidas. Se jogar com regularidade no Etzella tenho maiores hipóteses de chegar à seleção ’A’ luxemburguesa e ser titular. Hoje, as várias seleções grã-ducais já defrontam muitos dos adversários olhos nos olhos. Vários dos nossos jogadores são profissionais e atuam em boas equipas europeias e isso tem sido fundamental para os bons resultados que o país tem obtido. Acho que é também uma questão de coerência.

Tem algum guarda-redes como modelo?

O Jan Oblak, do Atlético Madrid. É guarda-redes fantástico, mas ao mesmo tempo discreto. Não sa fala muito dele, mas é tremendamente eficaz e precioso para a formação madrilista e para a seleção da Eslovénia. Tem um estilo que aprecio imenso.

E entre os guarda-redes portugueses?

O Vítor Baia. Embora nunca o tenha visto jogar ao vivo, vou à internet e vejo tudo o que ele fazia. Era um excelente guarda-redes e um símbolo do FC Porto.

Nunca ambicionou abraçar a carreira de jogador profissional?

Claro que sim, penso nisso todos os dias. É o meu sonho e vou lutar por ele. No entanto, acho que não posso ’queimar’ etapas. Preciso de me fixar como titular do Etzella, apesar de ainda ser júnior. Necessito de experiência e traquejo no mundo dos seniores para poder dar o passo seguinte que é integrar um clube profissional. Por vezes, há que ser paciente e avançar mais lentamente, mas com segurança.

Em que clube gostava de iniciar a carreira?

No FC Porto, obviamente. Mas se for necessário passar primeiro por clubes de melhor dimensão que me abram as portas da elite, terei de ser paciente e percorrer as etapas necessárias.

Nasceu no Luxemburgo?

Sim, em Ettelbruck.

Pode falar-nos do seu percurso futebolístico?

Iniciei-me no FC Etzella, com 4 anos, e passei por todas as categorias no clube. Conquistei títulos nas várias equipas e repre sentei o Luxemburgo nas seleções jovens. Atualmente, estou nos sub-19, mas pertenço ao quadro de internacionais há alguns anos. Na época passada treinava já com os séniores e fiz alguns jogos na Liga BGL, tal como nesta também, mas quero continuar a trabalhar arduamente para tentar chegar o mais longe possível.

Necessito de experiência e traquejo no mundo dos seniores para poder dar o passo seguinte que é integrar um clube profissional.

Tem-se notabilizado no Etzella e nas seleções jovens luxemburguesas, ao serviço das quais conta com várias internacionalizações. Se um dia fosse obrigado a escolher entre Portugal e o Luxemburgo, qual escolhia?

(Risos) Não é uma escolha nada fácil... O meu coração está de certa forma dividido, mas se tivesse de escolher entre Portugal e o Luxemburgo para jogar, escolhia a seleção luxemburguesa. Amo Portugal e o país, mas foi aqui que nasci e cresci. Tenho cá os meus amigos, os meus pais e irmãos. Estou completamente adaptado à vida no Grão-Ducado e gosto bastante. Este país deu-me tudo e não posso deixar de estar agradecido. Se agora tivesse que ir viver e jogar para Portugal, talvez passasse por algumas dificuldades.

Recentemente, o lusodescendente Dany Mota, atualmente a jogar nos sub-23 da Juventus, comemorou a sua primeira internacionalização ao serviço dos sub-21 portugueses com dois golos, cotando-se como o melhor jogador em campo. O exemplo dele inspira-o?

Sim, sem dúvida, mas é preciso analisar e ver que entre ele e eu existem diferenças. Ele é mais velho, tem mais experiência e também muita qualidade. Jogamos em lugares diferentes e em campeonatos de níveis também diferentes. Fico muito contente por tudo o que ele conseguiu. Acho que poderá ser um bom exemplo para todos os lusodescendentes que queiram abraçar a carreira profissional, mas cada caso é um caso.

O que representa o futebol para si?

Quase tudo. Sou um apaixonado pelo futebol. Acho que sem futebol a minha vida não ia ser a mesma coisa. As pessoas que me conhecem sabem que é o centro da minha vida.

Ainda estuda?

Sim. No liceu LCG, na cidade do Luxemburgo. Atualmente estudo Gestão e Comércio, embora também já tivesse inclinado para seguir jornalismo. Outro dos meus objetivos é terminar os estudos secundários para depois ver que rumo dou à minha vida.

O que mais gosta no Luxemburgo?

A vida, os amigos e claro, o futebol.

E o que gosta menos?

O tempo. Embora ultimamente se tenha registado uma melhoria, falta o sol que normalmente temos em Portugal.

O prato favorito?

Adoro comer uma boa francesinha.

Passatempo favorito?

Estar com os amigos, ir ao cinema e ver futebol.