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Academia do Sporting. Arguido diz que foi "dar um aperto" aos jogadores
Desporto 2 min. 12.02.2020

Academia do Sporting. Arguido diz que foi "dar um aperto" aos jogadores

Academia do Sporting. Arguido diz que foi "dar um aperto" aos jogadores

Foto: LUSA
Desporto 2 min. 12.02.2020

Academia do Sporting. Arguido diz que foi "dar um aperto" aos jogadores

Lusa
Lusa
O arguido Tiago Neves afirmou esta quarta-feira em tribunal que se deslocou à Academia do Sporting para assustar os jogadores para que "eles percebessem que deviam ter dado mais em campo".

"Queria ir lá dar uma espécie de 'aperto', mas nunca foi minha intenção agredir, era mais pedir justificações. A minha intenção nunca seria ir lá agredir jogadores, a minha intenção era assustá-los e fazer com que eles percebessem que deviam ter dado mais no campo, deviam ter ganhado", sustentou.

Tiago Neves, que vivia em Loulé e veio para Lisboa um dia antes da invasão para se encontrar com a namorada, admitiu ter acionado uma tocha no interior da academia, mas garantiu que não chegou a entrar no balneário de equipa profissional de futebol.

"Acendi uma tocha no interior da academia, essa tocha foi-me passada por um dos elementos, sei que não devia, acendi a tocha e projetei-a para uma zona sem nada", afirmou o arguido, o segundo a falar em tribunal desde o início do processo, em 18 de novembro de 2019.

Confrontado com algumas mensagens enviadas via Whatsapp a incitar à violência sobre os jogadores, nomeadamente uma que dizia "Amanhã, quero ir bater nos jogadores", Tiago Neves afirmou que estas "eram mais bazófia do que outra coisa".

A juíza Sílvia Pires contrapôs a afirmação de Tiago Neves, referindo que nas referidas mensagens o arguido "incentivou as hostes, incentivou a chamar mais malta, discutiu o ponto de encontro e aconselhou a que não saíssem dos carros ao mesmo tempo para não chamar a atenção", acrescentando: "Isto é muito sério, não é uma brincadeira de Carnaval, vocês não são acéfalos".

O arguido, que disse ser "um adepto, não filiado em nenhum grupo, mas com muitos amigos no grupo 'Casuals'", afirmou ter ficado à porta do balneário, onde viu "Bas Dost caído no chão a ser ajudado por alguém do Sporting".

"Depois dirigi-me às portas da ala profissional e acabei por entrar. Fiquei na zona de porta, talvez tenha dado uns passos para dentro, estava muito fumo e muita confusão lá dentro do balneário. Ouvi várias ofensas aos jogadores", disse, acrescentando que os únicos jogadores que viu, além do avançado holandês, foram William Carvalho e Rafael Leão.

Tiago Neves, que foi dos primeiros a entrar e dos últimos a sair da academia no dia 15 de maio de 2018, disse ter tapado a cara quando saiu do carro, "no caminho para a academia", para onde se deslocou "em passo de corrida".

O arguido, de 29 anos, considerou que as suas atitudes são condenáveis, e que "se calhar, o Sporting era um vício".

"É tudo condenável, não me revejo nisto, não sei o que me passou pela cabeça na altura. Percebo que isto chocou o país. Isto, se calhar, era um vício que eu tinha, o Sporting e as claques", disse o arguido, que admitiu ter mentido no interrogatório.

O processo, que está a ser julgado no tribunal de Monsanto, tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho, à data presidente do clube, 'Mustafá', líder da Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados de autoria moral de todos os crimes.


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