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A Liga dos campeões e das desilusões
Desporto 4 min. 24.08.2020

A Liga dos campeões e das desilusões

Desporto 4 min. 24.08.2020

A Liga dos campeões e das desilusões

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
Esta noite, o Bayern Munique provou que a famosa frase do internacional avançado inglês, Gary Lineker, em 1990: "O futebol é um jogo simples. 22 jogadores perseguem a bola e no final ganham os alemães (ou a Alemanha)" não foi dita por acaso.

O colosso bávaro encerrou na noite deste domingo a sua participação na Liga Milionária com uma vitória (de certa forma esperada) frente ao Paris Saint-Germain por uma bola a zero. Um triunfo que o francês de Kingsley Coman selou ao minuto 59, apesar da boa réplica da formação parisiense, mas que assenta como uma luva à atual melhor equipa do Velho Continente.

Campeões e desilusões

Bayern e Paris Saint-Germain mostraram que foram os grandes campeões desta 'Champions'. Principalmente pela sua qualidade, empenhamento e sobretudo carácter. Ainda uma palavra especial neste contexto para Leipzig e Lyon que humildemente e ao invés do que muitos esperavam, deixaram para trás, de forma categórica, alguns dos mais categorizados emblemas da Europa, chegando às 'meias' da prestigiada prova de forma brilhante.

Ao contrário, outros clubes foram autenticas desilusões no plano desportivo e também no humano. Na Juventus, mais uma vez a classe e qualidade de Cristiano Ronaldo não foram suficientes para levar o clube mais longe. O Atlético Madrid que João Félix ainda fez sonhar, também ficou pelo caminho, aos quais se juntam outros milionários como o Real Madrid – recordista da prova com 13 'orelhudas' no palmarés –, o Manchester City de Guardiola que gastou perto de 800 milhões em jogadores mas diz que "é preciso continuar a tentar" e, principalmente, o todo poderoso FC Barcelona.

O espelho da desolação no balneário do Barcelona a pós o 'pesadelo' de 8-2 contra o Bayern.
O espelho da desolação no balneário do Barcelona a pós o 'pesadelo' de 8-2 contra o Bayern.
Foto: AFP

O gigante catalão, em queda livre, sobretudo a nível internacional, nas últimas épocas, desceu ao 'inferno' depois de ter sido goleado pelo Bayern por um escandaloso 8-2.

É certo que ninguém gosta de perder e muito menos de ser enxovalhado a este nível da competição, mas a atitude da esmagadora maioria dos jogadores e dirigentes do 'Barça', chocou-me. Chocou-me durante e sobretudo após a derrota, porque o bode expiatório acabou por ser o treinador, neste caso o genuíno e carismático Quique Setien, um dos melhores técnicos espanhóis, que acabou por ser despedido em pleno balneário após o encontro. Foi dramático e ao mesmo tempo de grande coragem, o facto de ele ter aparecido a dar a cara na conferência de imprensa quase a chorar. Mal conseguia balbuciar as palavras, em choque, após tamanha humilhação...

E os jogadores, pergunto eu? Não jogam? Não têm responsabilidade? E os dirigentes, também não? No meio de tanta mediocridade, valeu a intervenção honesta e oportuna de Gerard Piqué que no fim do jogo confessou sentir-se "envergonhado", afirmando categoricamente que o clube bateu "no fundo", oferecendo-se para sair caso o clube queira contratar outros jogadores. Mas, e os outros? E o Messi, o melhor do mundo? Nada! Atitude zero! Parece que não foi nada com eles, que entraram em campo com a mais displicente atitude competitiva, nada condizente com os seus egos 'inchados'… de ar e de tanta coisa fútil.

Como se costuma dizer na gíria do futebol, "As vitórias costumam ter muitos pais, mas a derrota é sempre órfã". E esta foi mais uma, daquelas que vai ficar para a história.

O exemplo do Bayern Munique é completamente o reverso desta medalha. No que toca aos jogadores, então, nem se fala. Cada treino e cada jogo, é sempre para ganhar. A mentalidade ganhadora e responsável inculcada desde a infância, faz destes jogadores um 'dream team' não só pelas suas qualidades técnicas, táticas e físicas, mas sobretudo pelas mentais.

Outro dos 'chavões' mais utilizados no futebol consiste em que "A verdade vê-se dentro das quatro linhas". E nesse domínio, Bayern, Leipzig, Lyon e até o PSG – que nos últimos anos deixava muito a desejar neste capítulo – deram belos exemplos do que é ser uma equipa. Solidariedade, competitividade, resiliência, espírito de sacrifício, empenhamento e sobretudo atitude, são qualidades que também ganham muitos jogos, quando o adversário mostra que é igual a nós nas outras todas.

E para encerrar, deixo-vos o exemplo do atual treinador do Bayern, que ninguém conhecia e de um momento saltou para a ribalta pelas melhores razões. Hansi Flick veio da segunda equipa para a principal para trabalhar como adjunto de Niko Kovac, que acabou por substituir a meio do campeonato, quando o crónico campeão alemão das últimas décadas se encontrava a muitos pontos do primeiro lugar.

Começou a trabalhar e operou mudanças na equipa deixando alguns dos habituais titulares no banco e outros na bancada, apostando em gente nova que provou merecer uma oportunidade. Mas, apesar dos riscos, contou sempre com o apoio dos dirigentes que lhe deram toda a confiança. Também não houve nenhuma revolução no balneário e os jogadores continuaram a trabalhar como uma família, porque na sua filosofia a verdadeira vedeta é a equipa e não as individualidades, ao contrário do que acontece em muitos outros clubes. O resultado desta forma de ser e de estar foram as vitórias no campeonato e na taça da Alemanha, a nível interno, tendo fechado esta noite com a conquista de mais uma Liga dos Campeões (a sexta do clube) a nível internacional, sem qualquer derrota. Para bom entendedor...

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