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A atleta com muitas hormonas masculinas luta por justiça
Desporto 3 min. 18.02.2019

A atleta com muitas hormonas masculinas luta por justiça

A atleta com muitas hormonas masculinas luta por justiça

Foto: Saeed Khan/AFP
Desporto 3 min. 18.02.2019

A atleta com muitas hormonas masculinas luta por justiça

Caster Semenya é acusada por muitos de competir injustamente nas corridas femininas devido ao excesso de testosterona. A Federação Internacional de Atletismo (IAAF, em inglês) quer que atletas como Semenya compitam na categoria masculina ou façam tratamentos hormonais para baixar os níveis de testosterona.

Lembra-se de Caster Semenya, a atleta sul-africana que ganhou a medalha de ouro na corrida dos 800 metros nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no Brasil, em 2012? 

Esta semana, a atleta começa uma batalha jurídica nos tribunais contra o Tribunal Arbitral do Desporto e contra os regulamentos da Federação Internacional de Atletismo (IAAF, em inglês) de tornar obrigatório tratamentos hormonais para atletas femininas com excesso de testosterona (hormona primária masculina). 

As audições começaram esta segunda-feira e terminam no dia 22 de fevereiro. A decisão do Tribunal está prevista para 29 de março. 

De acordo com a nova legislação proposta, mas ainda não aprovada pelo organismo, as mulheres consideradas hiperandrogénicas -  com excesso de andrógenos, por exemplo valores elevados de testosterona (hormona masculina) - deverão fazer tratamentos para diminuir os níveis de testosterona de forma a poderem participar em eventos internacionais. Estas regras são aplicadas em provas de atletismo entre os 400 metros e os 1000 metros.

À chegada hoje ao tribunal em Lausanne, na França, a atleta optou pelos gestos em vez das palavras fazendo o símbolo "V" (de vitória) com os dedos das mãos. Horas mais tarde, publicou uma mensagem no Twitter onde se podia ler: "Deus já preparou o caminho. Ele está apenas a preparar-vos". 

O presidente da IAAF, Sebastian Coe, considera que a proposta tem como objetivo "promover" e "defender" as mulheres da modalidade. "As regras que propomos têm como objetivo proteger o carácter sagrado de uma concorrência leal e aberta", acrescentou em declarações à AFP.

"Violação grosseira dos direitos humanos"

A nova legislação estava prevista entrar em vigor a 1 de novembro do ano passado mas foi adiada até 26 de março de 2019, visto que a associação de atletismo da África do Sul, país natal da atleta, decidiu levar o assunto para os tribunais. Em declarações no ano passado, Caster afirmava que "só queria correr de forma natural, do jeito que nasceu".  

"O que está em causa é nada menos do que a violação de qualquer pessoa de praticar desporto: os corpos das mulheres, o seu bem-estar, a sua capacidade fazer carreira, a sua privacidade, o seu sentido de pertença ao mundo estão a ser questionados", afirmou recentemente o ministro do Desporto sul-africano, um dos apoiantes da atleta. "É uma violação grosseira dos direitos humanos", chegou mesmo a afirmar. 

Aquando da conquista da medalha de ouro no Rio2016, Semenya foi durante vários dias tema central de notícias devido ao ser ar andrógeno e força aparentemente anormal para uma mulher. O seu género foi inclusive contestado pela atleta Lynsey Sharp, uma das adversárias na corrida dos 800 metros, que não foi aquém do 6° lugar. 

Numa entrevista dias após o sucedido Sharp afirmava que era injusto Caster competir na categoria feminina. "Toda a gente consegue ver a diferença entre atletas com níveis de testosterona elevados e as que não têm.  Toda a gente consegue ver que são duas corridas diferentes mas não há nada a fazer", referiu na altura ao jornal inglês Daily Telegraph, citada pela BBC. 

Em 2009, com 18 anos, foi-lhe pedido um teste de género onde, segundo alguns media, os resultados deram a presença de características femininas e masculinas com elevados níveis da hormona 'testosterona'. Enquanto esperava pelos resultados foi impedida de competir, tendo regressado em julho de 2010. 

Mas Caster não é caso único: Francine Niyonsaba, do Burundi, e Margaret Wambui, do Quénia, foram também questionadas sobre os seus níveis de testosterona. Ambas conquistaram medalhas nos Jogos Olímpicos no Brasil. 

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