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12 anos de polémicas até ao Mundial do Qatar 2022
Desporto 6 min. 14.11.2022
Campeonato do Mundo

12 anos de polémicas até ao Mundial do Qatar 2022

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12 anos de polémicas até ao Mundial do Qatar 2022

Foto: AFP
Desporto 6 min. 14.11.2022
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12 anos de polémicas até ao Mundial do Qatar 2022

Redação
Redação
O Mundial2022 está prestes a começar, no próximo domingo, mas foram 12 longos anos de preparação, discussões e controvérsias para chegar aqui. Estas são as polémicas que envolveram o país anfitrião mais inesperado que a competição já teve.

Na semana que antecede o início da competição mundial de futebol, vale a pena relembrar os 12 anos que lhe antecederam e todas as polémicas que tornaram este Mundial no Qatar no mais controverso de que há memória. 

Da violação de direitos humanos constante, nomeadamente em relação às mulheres ou à comunidade LGBT, às condições de trabalho dos migrantes que ajudaram a construir todas as estruturas desportivas, sem esquecer os escândalos de corrupção na FIFA, as controvérsias não pararam.  


O Mundial de A a Z
Com o Campeonato do Mundo de Futebol, no Qatar, à porta, fique a conhecer todas as novidades da competição e do primeiro país do Médio Oriente a acolhê-la.

2010. E o campeonato vai para...

Todos esperavam que os Estados Unidos da América fossem os anfitriões. Mas, num volte-face inesperado, o Campeonato do Mundo 2022 foi atribuído ao Qatar, a 2 de dezembro de 2010, em Zurique, Alemanha, e não faltaram reações contrárias, incluindo Barack Obama, o então Presidente dos EUA, que chegou a dizer que esta "é uma má decisão". 

O governo alemão também manifestou o espanto: "A escolha feita pela FIFA pode ser descrita como surpreendente", disse o porta-voz, Steffen Seibert. Já o Brasil reagiu de forma contrária e o Presidente Lula da Silva felicitou a FIFA pela sua "sabedoria". 

Na altura, existia apenas um dos oito estádios previstos para o Campeonato do Mundo e a chegada de mais de um milhão de adeptos levantou questões sobre a capacidade do pequeno emirado para acolher o evento, sobretudo, em termos de hotéis. 

2012. Suspeitas de corrupção 

Em agosto de 2012, a Divisão de Investigação do Comité de Ética da FIFA iniciou uma investigação sobre a atribuição do Campeonato do Mundo de 2018 à Rússia e do Campeonato do Mundo de 2022 ao Qatar, chefiada pelo antigo procurador dos EUA Michael Garcia. 

 Hans-Joachim Eckert, presidente da câmara de julgamento do comité de ética da FIFA, disse que o relatório Garcia continha "comportamento questionável" mas não pôs em causa o processo de adjudicação. Garcia denunciou uma apresentação "errada e incompleta" da sua investigação e anunciou que iria recorrer. 


Equipa da Austrália
Vídeo. Equipa da Austrália é a primeira a criticar condições do Mundial no Qatar
"Os trabalhadores não são apenas números". 16 jogadores australianos demonstram apoio aos trabalhadores que estiveram envolvidos na construção das infraestruturas para o Campeonato Mundial de Futebol.

A 27 de Junho de 2017, o relatório Garcia foi publicado pela FIFA, após fugas de informação na imprensa. Identifica uma série de transações financeiras potencialmente suspeitas, mas não fornece provas suficientes para retirar a organização do Campeonato do Mundo do Qatar. 

Em França, a magistratura investiga, desde 2019, por "corrupção activa e passiva", um almoço realizado a 23 de Novembro de 2010 entre Nicolas Sarkozy, então presidente da República, dois altos dirigentes do Qatar e Michel Platini, na altura chefe da UEFA, que levou os quatro votos europeus ao emirado. 

A 13 de outubro de 2022, uma investigação conjunta da France Télévisions e da Radio France revelou uma nota da célula diplomática do Eliseu, em preparação deste almoço, que incluía os temas "aviões de combate" e "defesa antimíssil global", para além do Campeonato do Mundo. 

O antigo secretário-geral do Palácio do Eliseu, Claude Guéant, confirmou "discussões com o Qatar" sobre a venda dos aviões Rafale, que foi finalmente concluída em 2015, mas excluiu qualquer ligação com a adjudicação do Campeonato do Mundo. 

2014. No verão? Nem pensar  

A 8 de janeiro de 2014, Jérôme Valcke, então Secretário-Geral da Fifa, declarou que o Campeonato do Mundo não se realizaria "em junho/julho" mas "entre 15 de novembro e 15 de janeiro o mais tardar", numa entrevista transmitida pela France Info e pelas estações de rádio France Inter. 

É a confirmação de uma opção já apresentada por Sepp Blatter, então presidente da FIFA, face a "problemas ligados ao calor". No verão, as temperaturas podem subir até aos 50 graus no Qatar. 

A 25 de setembro de 2015, o comité executivo da FIFA decidiu a favor da competição realizar-se de 21 de novembro a 18 de dezembro de 2022. No final, o jogo de abertura foi antecipado por um dia, para 20, para permitir que o Qatar abrisse o torneio.

Pela primeira vez, realiza-se um Campeonato Mundial de Futebol no final do ano civil, interrompendo as ligas europeias de clubes, o que causou desagrado entre os clubes europeus. 

2014. E os direitos humanos?

Muitas vozes criticam o emirado por causa do tema dos direitos humanos, a começar pela Confederação Sindical Internacional, autora, em 2014, de um relatório sobre o tratamento dos trabalhadores migrantes. 


Construção do Lusail Stadium, em Doha.
Mundial2022. Qatar rejeita compensação para trabalhadores migrantes
Ministro do Trabalho diz que ONG's são motivadas por "racismo" e querem descredibilizar o país.

Oficialmente, registaram-se três mortes nos oito estádios do Campeonato do Mundo. Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que tem um escritório em Doha, concluiu que 50 trabalhadores morreram em acidentes de trabalho em 2020 e outros 500 ficaram gravemente feridos. 

A OIT observa que existem lacunas no sistema de investigação e registo de óbitos e que o número poderia ser mais elevado. 

Sob pressão de ONG's, patrocinadores e várias federações que pedem um fundo de compensação, a FIFA disse a 17 de outubro que estava em "diálogo" sobre "iniciativas" para ajudar os trabalhadores nos estaleiros de construção do Campeonato do Mundo. 


O primeiro-ministro do Luxemburgo, Xavier Bettel.
Ser gay é "doença mental", disse embaixador do Mundial do Qatar. Bettel reagiu
As declarações do embaixador foram alvo de várias críticas, incluindo do primeiro-ministro do Luxemburgo.

Membros da comunidade LGBT+ também estão sob vigilância neste estado muçulmano, onde a legislação criminaliza as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Os organizadores comprometem-se a acolher "todos" os visitantes sem discriminação, desde que "respeitem as regras do país".  

2021. Vamos falar do impacto ambiental? 

"Impacto zero do carbono" versus "aberração ecológica" - as análises dos organizadores e dos adversários diferem quanto à pegada ambiental do Campeonato do Mundo deste ano. De acordo com um relatório publicado pela FIFA em junho de 2021, mais de 3,6 milhões de toneladas de CO2 serão emitidas como resultado da competição, em comparação com 2,1 milhões de toneladas emitidas na Rússia, em 2018. 

Mas esta avaliação é incompleta, segundo a ONG Carbon Market Watch, que acredita que a pegada de carbono da construção de estádios pode ter sido subestimada: 1,6 milhões de toneladas de CO2 será a realidade, em vez dos 0,2 milhões. Os organizadores argumentam que a proximidade dos oito estádios, num raio de 75 quilómetros, irá reduzir o tráfego aéreo a favor do metro e dos autocarros elétricos. 

No entanto, há preocupações de que as emissões aumentem devido aos voos para trazer adeptos dos países vizinhos, a fim de limitar a pressão sobre a oferta hoteleira do Qatar. 

O ar condicionado nos estádios não pesa muito no balanço. Mas, para a primeira-ministra francesa Elisabeth Borne, este ar condicionado ao ar livre "não é um bom sinal" em termos de sobriedade energética.

(Com AFP*)

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