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007 no Manchester United
Desporto 4 min. 30.09.2021
Futebol

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007 no Manchester United

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Sean Connery ao lado de Cristiano Ronaldo: isto sim, uma saga com interesse.

Sete, zero zero sete. Mais um filme da saga, agora é o ‘Sem Tempo para Morrer’. Estreia no dia 30 Setembro, em Portugal. Já estamos em contagem decrescente? Nem por isso, o James Bond é uma seca. A trama é sempre a mesma há décadas e décadas, só varia o herói. Agora é Daniel Craig. Antes, Timothy Dalton, Pierce Brosnan, Roger Moore e por aí fora


'007: Sem tempo para morrer' estreia-se finalmente nos cinemas
Depois de vários adiamentos, o novo filme do espião mais famoso do mundo chega às salas de cinema.

O melhor de todos é Sean Connery. Antes de ser actor, o escocês espalha classe no campo de futebol como jogador do Bonnyrigg Rose, um clube amador em Midlothian que equipa à Arsenal. Há quem o descreva como um extremo-direito alto e forte, e há quem se lembre dele mais como engatatão, com pouco jeito para a bola, como diz o seu treinador Pat Stanton. “Primeiro falava com toda a gente, do árbitro aos espectadores. Depois preferia olhar para as meninas da bancada a olhar propriamente para a bola.” Seja como for, ambas as partes estão de acordo em dois aspectos: Sean é o Big Tam e veste a camisola número 7 (que não double O), a dos extremos-direitos por direito próprio.

E os mais atentos lembram-se de um grande golo de Sean Connery num jogo da Taça da Escócia de juniores, com o Broxburn Athletic. Em 1951, Sean divide-se entre futebolista, salva-vidas, motorista (driving someone que não Miss Daisy), modelo e o cinema, com um papel de figurante em “South Pacific”, um filme rodado em Manchester. Páginas tantas, a equipa de filmagens defronta os juniores do Manchester United.

Um dos espectadores é Matt Busby. Como gosta do número 7 dos visitantes, o lendário treinador do United oferece um contrato de 25 libras por semana a Sean, então com 21 anos. Dá que pensar, não dá? A resposta na primeira pessoa. “Quando jogava no Bonnyrigg Rose ganhava cinco xelins por semana, mais o autocarro de ida e volta. Recebi uma proposta para me treinar à experiência no East Fife [2.ª divisão da Escócia], mas recusei.”

E dessa vez com o Manchester United? “Estava mesmo inclinado a aceitar, mas pensei duas vezes e preferi continuar no cinema. Afinal, um futebolista de topo pode abdicar da sua profissão aos 30 anos de idade, e eu já tinha 23. Foi uma das decisões mais inteligentes da minha vida.”

Dez anos depois, é vê-lo na tela. Faz um filme de James Bond. Depois outro. E mais um. Ao todo, seis. O primeiro é “007, O Agente Secreto”, em 1962. Sean beija mulheres, mata outros tantos vilões e diz uma vez “My name is Bond, James Bond”. Começa aí a marca registada. Do James Bond. Que é Sean Connery, o maior.

Um ano depois (1963), Sean faz “007, Ordem para Matar”. Aí envolve-se com duas mulheres e mata quatro vilões. Da frase lendária, nem ai nem ui, muito menos um oi. Voltaria a soar em 1964, com “007 Contra Goldfinger”, entre duas “boas” e nove “maus”. O número aumentaria significativamente em 1965, no “007, Operação Relâmpago” (três mulheres, uma frase e 16 vilões atingidos).

No “007, Só Se Vive Duas Vezes”, quatro mulheres, zero “Bond, James Bond” e 18 vilões. No último filme de Sean (“007, Os Diamantes São Eternos”), em 1971, a táctica é 1-1-5. Ou seja, em seis filmes, 16 senhoras, 56 vilões e quatro vezes a frase, essa mesmo. Esquecemo-nos de um pormenor de propósito: como estamos de martinis? Uiiiiii. Há cientistas ingleses a dizer que Bond bebe bem acima do permitido pelo Serviço Sanitário Britânico.

Qualquer coisa como 93 doses de álcool por semana, mais de quatro vezes o limite máximo recomendado. É perturbador, pois está claro. Mais ainda para quem tem de salvar o mundo dia sim dia sim, com uma pistola na mão e outra… Mas o que é isso para Sean Connery?

Há 579 copos de martini repartidos pelos seis filmes dele, de 1962 a 1971. Passa o testemunho a Roger Moore, outro ilustre, se bem que mais tosco e menos engraçado. Seguem-se Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig. Passam-se anos e anos, vira-se o século, e aí está ele de novo, Sean Connery num papel de 007.

Ai não acredita? Então vamos explicar: descobre-se uma carta datada de 11 Dezembro 1998 e enviada ao cuidado de Stephen F. Jobs. Esse mesmo, o da Apple, para o edifício 1 da Infinite Loop, em Cupertino, Califórnia. Diz assim: “Mr. Jobs, só lhe vou dizer isto mais uma vez. Entende inglês, não entende? Não vou vender a minha alma pela Apple ou por qualquer outra companhia. Não tenho nenhum interesse em ‘mudar o mundo’, como sugere. Você não tem nada que me interesse ou queira. Você é um vendedor de computadores – eu sou o f****** JAMES BOND. Não vejo uma possibilidade mais rápida de destruir a minha carreira do que aparecer num anúncio da sua companhia. Por isso, não me contacte outra vez. Best, Sean Connery.”

Passam-se uns anos e chegam à conclusão de que a carta é fake news. Seja, é ficção. Como os filmes. E então? Dá um gozo do caraças relê-la, sobretudo aquela parte do ‘eu sou o f******* JAMES BOND’. Imagino Sean Connery a jogar no United com o 007 (o 7, esse, é de Ronaldo). É ficção, sim. Da boa, ao contrário do James Bond.

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