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Xavier Bettel falou português na inauguração do Camões e levou pastéis de nata para casa
Cultura 20 1 4 min. 09.03.2016 Do nosso arquivo online

Xavier Bettel falou português na inauguração do Camões e levou pastéis de nata para casa

Xavier Bettel (à esq) com a secretária de Estado da Cooperação, Teresa Ribeiro, e o embaixador de Portugal no Luxemburgo, Carlos Pereira Marques

Xavier Bettel falou português na inauguração do Camões e levou pastéis de nata para casa

Xavier Bettel (à esq) com a secretária de Estado da Cooperação, Teresa Ribeiro, e o embaixador de Portugal no Luxemburgo, Carlos Pereira Marques
Fotos: Manuel Dias
Cultura 20 1 4 min. 09.03.2016 Do nosso arquivo online

Xavier Bettel falou português na inauguração do Camões e levou pastéis de nata para casa

O primeiro-ministro do Luxemburgo falou hoje em português durante a inauguração das novas instalações do Instituto Camões e considerou "um bom augúrio" a abertura coincidir com a tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa. Visivelmente bem-disposto, Xavier Bettel acabaria por levar pastéis de nata para casa.

Foram apenas duas frases na língua de Camões, a abrir o discurso durante a inauguração do novo Centro Cultural Português no Luxemburgo, mas o gesto do primeiro-ministro foi muito aplaudido. "Enquanto primeiro-ministro, é um enorme prazer estar aqui convosco e participar na inauguração do novo espaço do Centro Cultural Português", disse Bettel. "A Europa vive actualmente uma profunda divisão entre os seus Estados-membros e a sua população, mas a cultura é sem dúvida um meio eficaz para responder a este importante desafio", acrescentou, sempre em português.

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Lamentando a crise migratória que divide a Europa, que considerou "uma das mais graves depois da Segunda Guerra Mundial", o primeiro-ministro luxemburguês defendeu que "a cultura é o cimento que permite manter-nos unidos"

As frases em português foram muito aplaudidas pelos cerca de 200 convidados para a inauguração do novo IC, numa cerimónia em que participou a secretária de Estado da Cooperação, Teresa Ribeiro.

Xavier Bettel aproveitou ainda para felicitar Marcelo Rebelo de Sousa, recordando que a inauguração do Centro Cultural Português concidiu com a tomada de posse do novo Presidente da República. "Considero de bom augúrio que inauguremos estas instalações no mesmo dia em que toma posse Marcelo Rebelo de Sousa", disse o primeiro-ministro luxemburguês, que pediu a Teresa Ribeiro para transmitir "as saudações mais cordiais" ao Presidente da República.

As novas instalações do Instituto Camões no Luxemburgo ficam num edifício arrendado pelo Governo português com o apoio do Executivo do Luxemburgo, que paga metade da renda do espaço, ao abrigo de um acordo entre os dois países que data da criação do centro cultural, em Maio de 1999. A mudança para outro local era uma aspiração antiga do governo português, já que as anteriores instalações ficavam num primeiro andar, o que lhes retirava visibilidade.

Para a secretária de Estado da Cooperação, o novo espaço, um projecto do arquitecto Jean-Paul Carvalho com ‘design’ de Eduardo Aires, premiado com o European Design Award em 2015, pode contribuir para dar aos luxemburgueses "um pequeno vislumbre da riqueza da cultura portuguesa". "Nós temos de facto uma cultura muito rica e temos uma grande experiência de abertura que nos vem das Descobertas e da nossa ligação ao mar", disse Teresa Ribeiro.

Ao CONTACTO, Xavier Bettel defendeu que o novo espaço "é importante para a comunidade portuguesa no Luxemburgo", que considerou "parte integrante da sociedade luxemburguesa", e contribui para reforçar os laços entre os dois países.

"Sublinhámos sempre a importância dos laços entre a comunidade portuguesa e a comunidade luxemburguesa, e ter locais onde possamos encontrar-nos é extremamente importante", disse Bettel.

Na alocução que fez, o primeiro-ministro frisou ainda as "ligações muito estreitas" que unem os dois países, recordando o acolhimento em Portugal dos refugiados luxemburgueses, durante a Segunda Guerra Mundial. 

"A praça em que estamos chama-se Joseph Thorn, um jurista e político luxemburguês que tal como a família grã-ducal se refugiou em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial, fugindo à ocupação nazi", lembrou Bettel, num discurso em que evocou várias vezes a actual crise migratória na Europa. 

"Estamos divididos, e algumas pessoas aproveitam para explorar estas divisões. Alguns partidos extremistas tentam surfar esta vaga de preconceitos e dividir-nos, tentado convencer-nos que as diferenças são as nossas fraquezas, quando é esta a nossa riqueza", sustentou. "Para mim a cultura é precisamente este elemento que permite que nos conheçamos, quer sejamos luxemburgueses ou portugueses, católicos, judeus ou muçulmanos (...), e que aprendamos a partilhar momentos juntos, sem tentarmos convencer o outro de que temos razão, mas trocando pontos de vista. A cultura é o cimento que permite manter-nos unidos".

O primeiro-ministro rematou com mais palavras em português, desta vez para dar "muitos parabéns" ao centro cultural. Visivelmente bem-disposto, Xavier Bettel acabaria por levar para casa uma caixa com pastéis de nata, servidos na inauguração. "O meu marido está em casa e ele adora isto!", disse o primeiro-ministro luxemburguês.

A inauguração da nova casa do IC contou com várias personalidades da vida política do Luxemburgo, incluindo o ministro da Justiça, o luso-descendente Félix Braz, o secretário de Estado da Cultura e a burgomestre da capital. O local, situado na place Joseph Thorn, em Merl, fica nas antigas instalações da fábrica da Luxlait e foi remodelado pelo arquitecto luso-descendente Jean-Paul Carvalho. O design no exterior do espaço, com frases de Camões e de Vergílio Ferreira nas janelas, é assinado por Eduardo Aires, que concebeu a marca "Porto ponto" para a cidade do Porto. Um projecto que lhe valeu o European Design Award em 2015.

Amanhã, o Instituto Camões abre portas ao público para um concerto de Carlos Barreto e António Eustáquio. A entrada é gratuita.

Paula Telo Alves


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