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Wonderstruck: Maravilhas natalícias ou nem por isso
Hoje o 1109 estava atrasado.

Wonderstruck: Maravilhas natalícias ou nem por isso

Hoje o 1109 estava atrasado.
Cultura 27.12.2017

Wonderstruck: Maravilhas natalícias ou nem por isso

Ele chama-se Ben e só sonha em encontrar o pai que não conhece. Rose sonha com uma atriz com quem nunca se cruzou na vida real mas de quem conhece cada detalhe. Estes dois sonhadores, um belo dia, por muito boas razões, decidem partir em busca destas duas pessoas que lhes fazem tanta falta...

Ele chama-se Ben e só sonha em encontrar o pai que não conhece. Rose sonha com uma atriz com quem nunca se cruzou na vida real mas de quem conhece cada detalhe. Estes dois sonhadores, um belo dia, por muito boas razões, decidem partir em busca destas duas pessoas que lhes fazem tanta falta...

Assim começa o novo trabalho de Todd Haynes, um realizador que já deu ao mundo do cinema obras interessantíssimas e um eterno renovar de estilo que vai deixando esperança no futuro.

“Wonderstruck” foi apresentado em Cannes 2017 e é a adaptação de um livro infantil de Brian Selznik, o mesmo que escreveu “The Invention of Hugo Cabret”, que deu origem igualmente a um filme.

A história de Rose tem lugar em 1927 e Haynes decide contá-la a preto e branco, enquanto que o relato das aventuras de Ben é a cores, porque se passam em 1977. Apesar da distância temporal, as duas histórias parecem ter pontos comuns inexplicáveis, como se esses elementos atravessassem o tempo.

A forma como Todd Haynes constrói o filme é interessante, mas “Wonderstruck” tem dificuldades em encantar o público. Os ingredientes necessários estão presentes mas, infelizmente, parecem não terem sido misturados da melhor forma.

O filme propõe instantes mágicos e maravilhosos, como é o caso da referência constante ao cinema mudo nas cenas em que Rose, surda, não pode usar a palavra. Os “saltos” de 1927 a 1977 são igualmente interessantes, com ligações temáticas que fazem pensar.

Todd Haynes parece ter como pretensão fazer uma grande homenagem ao cinema, uma espécie de elegia da Sétima Arte como forma de transmitir sonhos de criança. Mas “Wonderstruck” também pode ser sobre a morte e a forma de viver o luto. E outra hipótese ainda seria que o filme fosse uma nova perspectiva sobre as saudades da infância e a busca do tempo perdido...

“Wonderstruck” é um bom filme mas parece querer dizer demasiadas coisas em pouco tempo e acaba por não conseguir abrir o coração do público. Pelo menos o meu não abriu, mas, obviamente, o defeito pode ser só meu.

“Wonderstruck”, de Todd Haynes, com Julianne Moore, Michelle Williams, Oakes Fegley, Millicent Simmonds, Amy Hargreaves e Tom Noonan.

Raúl Reis

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