Wonder Wheel: Roda da Fortuna
Justin Timberlake é o narrador neste novo filme de Woody Allen, uma obra nostálgica mas simultaneamente muito atual porque segue uma família recomposta.
Como é muitas vezes o caso nas obras de Allen, as interações entre as personagens fazem avançar uma história que parece quase não existir. Os temas de “Wonder Wheel” são os habituais na carreira do realizador: amor, o passar dos anos e o adultério.
Desta feita, Allen afastou-se dos diálogos picantes e com sentido de humor, tendo escolhido uma certa sobriedade.
Em cada novo filme do realizador nova-iorquino procuramos quem é a personagem que representa o próprio Woody Allen, e curiosamente em “Wonder Wheel” é uma mulher.
Kate Winslet é um excelente Woody Allen, cheia de hesitações, de dúvidas e de “wanderlust”. A sua personagem é a alma e o coração da película, enquanto que os outros atores parecem estar lá apenas para fazer brilhar Winslet.
“Wonder Wheel” cheira a teatro e a déjà vu, com um argumento rocambolesco que, na verdade, se limita a um triângulo amoroso polvilhado com imensas dúvidas existenciais e muita introspeção.
A mensagem que deixa o realizador é que envelhecer não se resume simplesmente a acumular anos de vida, mas a vivenciar os erros e fracassos, aprendendo com eles. As deceções da nossa existência humana podem servir para melhor vivermos o futuro e para podermos usufruir dos bons momentos quando a sorte muda. Daí o título de “wonder wheel”, referindo-se à roda gigante de Coney Island que gira, gira e, de repente, quem há pouco tempo estava cá em baixo passa a ter a melhor vista da praia.
Mesmo nos trabalhos menos inspirados, Woody Allen consegue um filme agradável de ver, com momentos especiais e até encantadores. “Wonder Wheel” não é “Midnight in Paris” nem se compara aos grandes clássicos de Allen, mas é certamente um simpático momento de cinema.
“Wonder Wheel”, de Woody Allen, com Jim Belushi, Juno Temple, Justin Timberlake, Kate Winslet e Woody Allen.
Raúl Reis