Escolha as suas informações

"West Side Story". O musical como a gente gosta
Opinião Cultura 2 min. 19.12.2021
Crítica de cinema

"West Side Story". O musical como a gente gosta

Crítica de cinema

"West Side Story". O musical como a gente gosta

Foto: DR
Opinião Cultura 2 min. 19.12.2021
Crítica de cinema

"West Side Story". O musical como a gente gosta

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
A visão de Spielberg do lendário musical "West Side Story" é um regresso em grande forma de um dos melhores realizadores vivos. Além do (re)renascimento de Spielberg, vamos descobrir novos atores cheios de talento e vontade de atualizar a versão de 1961.

Mas o jovem e talentoso elenco conta também com veteranos do teatro musical norte-americano, incluindo Rita Moreno, que participou no filme inicial mas interpretando uma personagem distinta.

Os autores desta versão integraram personagens novas, deram mais destaque a algumas que tinham uma presença bastante secundária e adaptaram algumas à nossa época, integrando por exemplo uma personagem transgénero.

Apesar das 'modernices', o filme realizado por Steven Spielberg e escrito por Tony Kushner adaptando o clássico da Broadway que se transformou há 60 anos em filme, continua a ir beber a sua inspiração em "Romeu e Julieta" de Shakespeare. Mas, em vez de estarmos numa cidade qualquer da península itálica, a ação é na Manhattan dos anos 50. Uma história de amor impossível, tendo por pano de fundo os gangues e, sobretudo, a rivalidade entre os Jets, constituídos por jovens brancos de ascendência europeia, e os porto-riquenhos Sharks.

Foto: DR

Os fãs da produção de teatro original, ou do tão apreciado filme dos anos 60, não precisavam de ler nada do parágrafo anterior, e alguns deles até consideram que não havia necessidade de fazer um 'remake' de "West Side Story".

Spielberg veio recordar que este género não é menor, não deve ser esquecido e pode agradar inclusivamente às novas gerações.

Sabe Deus porquê, os 'remakes' de filmes famosos são mais frequentemente vistos como tentativas de suplantar o original. E é verdade que, quando se junta o génio de gente como Steven Spielberg, os talentos de escrita de Tony Kushner, o diretor de fotografia Janusz Kaminski, o coreógrafo Justin Peck e um conjunto impressionante de juventude e veterania, o melhor é mesmo possível.

Kushner e Spielberg permaneceram fiéis à peça e ao filme original e encenaram esta produção de uma forma que muitas vezes é hipnotizante. Claro que o filme sofre do "síndroma do Titanic": toda a gente sabe a história e sabemos que no final o barco se afunda. Qualquer pessoa atenta sabe que este Romeu de Nova Iorque se apaixona assolapadamente por uma Julieta porto-riquenha e conhece bem como acaba a história.

Apesar do síndroma, Spielberg e o seu argumentista encontram novos aspetos de interesse num musical que muita gente sabe de cor. As mudanças dizem respeito a elementos retirados do original de tal forma que o público de 2021 os verá de forma diferente do filme de 1961.

A visão de Spielberg deste lendário musical é muito bem filmada e brilhantemente interpretada, com atualizações da versão de 1961 para ser ainda mais latina, ou autenticamente porto-riquenha.

Reconheço que, entre os musicais do século XXI, tenho um preferido: quem me tira "La La Land" tira-me tudo. Contudo, Spielberg veio recordar que este género não é menor, não deve ser esquecido e pode agradar inclusivamente às novas gerações.

É admirável a forma como o realizador gere um elenco fenomenal e mantém as cores expressionistas e as formas ousadas do filme de 1961, ao mesmo tempo que abre a história ao mundo dos nossos dias, misturando imagens vistosas, como as sombras dos Jets e Sharks ao se encontrarem num campo de batalha, e propõe momentos de celebração da vida como é o caso da gigantesca festa de rua. Alguém já desejou que "West Side Story" seja o primeiro e não o único musical de Steven Spielberg. Subscrevo.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas