Escolha as suas informações

Wendy Nazaré estreia-se em concerto no Luxemburgo
Cultura 4 min. 26.11.2014 Do nosso arquivo online
Cantora belga de origem portuguesa

Wendy Nazaré estreia-se em concerto no Luxemburgo

Wendy Nazaré e a sua música são o resultado de uma mestiçagem com influências de vários cantos do mundo
Cantora belga de origem portuguesa

Wendy Nazaré estreia-se em concerto no Luxemburgo

Wendy Nazaré e a sua música são o resultado de uma mestiçagem com influências de vários cantos do mundo
Cultura 4 min. 26.11.2014 Do nosso arquivo online
Cantora belga de origem portuguesa

Wendy Nazaré estreia-se em concerto no Luxemburgo

É uma das novas promessas da música pop-folk e fala português. Wendy Nazaré tem dois álbuns editados na Bélgica – “Pas de pareil” (2009) e “À tire d’ailes” (2012) – e vai estar pela primeira vez no Luxemburgo no próximo sábado, dia 29 de Novembro, na Kulturfabrik. Para Wendy, o concerto vai ser um reencontro com o seu lado português.

É uma das novas promessas da música pop-folk e fala português. Wendy Nazaré tem dois álbuns editados na Bélgica – “Pas de pareil” (2009) e “À tire d’ailes” (2012) – e vai estar pela primeira vez no Luxemburgo no próximo sábado, dia 29 de Novembro, na Kulturfabrik. Para Wendy, o concerto vai ser um reencontro com o seu lado português.

Wendy Nazaré é, tal como o seu estilo musical, o resultado de um verdadeiro “melting pot”, um caldeirão de culturas. A mãe é descendente de judeus-ingleses e argelinos e o pai é filho de uma belga e de um português natural da Serra da Estrela.

A história do lado português vai mesmo ser publicado em livro.

“Estou nesta fase a fazer algumas pesquisas. O meu avô paterno, José Nazaré, nasceu numa aldeia perto de Viseu e quando vivia no antigo Congo belga conheceu a minha avó belga, que era casada. O marido dela era muito duro e maltratava-a. Então, um jovem português (o meu avô) tornou-se seu confidente. Pouco a pouco, começaram a gostar um do outro e guardaram em segredo essa relação amorosa. Fruto dessa relação extraconjugal, nasceu o meu pai”, conta a cantora que, entre os projectos musicais, deverá publicar o livro a partir de 2016.

“O meu pai só descobriu que era filho de um português quando tinha 28 anos, quando a mãe lhe disse ’se um dia tiveres problemas vai até à Serra da Estrela e as pessoas dali vão ajudar-te’. E eu só soube a história daquele homem, ’amigo da família’, que acompanhava o meu pai quando tinha 10 anos, numa das vezes que estivemos de férias na casa dele em Oeiras”, acrescenta Wendy Nazaré.

O avô José decidiu corrigir o passado e educou Wendy com “mentalidade e língua portuguesa”. “É por isso que tenho uma relação mais forte com a origem portuguesa do que com as outras”, diz a cantora, que depois de constantes viagens à Serra da Estrela, Oeiras e Lisboa resolveu um dia desabafar através da música.

Do segundo álbum, “À tire d’ailes” (2012), saiu “Lisboa”, uma música que fala das saudades do avô José Nazaré, que lhe deu a conhecer Portugal.

“Esta música fala da saudade que tenho dele. O meu avô ouvia muito o ’Cheira bem, cheira a Lisboa’, da Amália, e a música que fiz é como se fosse uma terapia, porque quando estou em Lisboa o meu coração é ’aspirado’. Há muitas lembranças dos momentos que passei ali com o meu avô”, admite.

RELAÇÃO ESPECIAL COM PÚBLICO PORTUGUÊS

Agora, o single “Lisboa” é uma das 50 músicas mais descarregadas no iTunes português, que está a fazer os portugueses descobrirem Wendy Nazaré.

“Com o meu sotaque francês, nunca pensei que esta música pudesse um dia passar nas rádios e televisões em Portugal. Tudo começou quando o João Calisto da RTP descobriu esta música e a passou na RTPi. Depois a SIC escolheu-a como tema para a actriz Rita Blanco na novela Sol de Inverno e mais tarde foi a Rádio Renascença a apoiar-me. A música passou a ter muita visibilidade e foi assim que começou a relação com a comunidade portuguesa. Nada disto foi calculado e talvez tenha caído do céu”, conta Wendy, que já foi convidada para actuar com artistas portugueses.

“Durante um concerto do Olavo Bilac para a comunidade portuguesa, em Bruxelas, fui convidada para cantar duas músicas, e depois estive a 13 de Abril na FNAC de Almada, em Lisboa. Senti muito apoio dos portugueses e para mim foi como reencontrar o meu avô e a família portuguesa. Graças à comunidade portuguesa, sobretudo a que está fora, consegui novos projectos em Portugal e não só. Por outro lado, ajudaram-me a reforçar a minha identidade portuguesa. Além da equipa belga e de um agente francês, tenho agora também uma equipa portuguesa para gerir a minha carreira. Se o meu avô estivesse vivo, ele ia também agradecer à comunidade portuguesa”, acrescenta a luso-belga.

No Luxemburgo, Wendy vai cantar músicas dos dois álbuns e gravar um DVD do concerto ao vivo com a comunidade portuguesa. Além de “Lisboa”, tem preparada uma versão portuguesa do sucesso “Mon pays”, música que “retrata a situação dos portugueses que são obrigados a sair de Portugal” e que marcou o início da sua carreira profissional. Mas promete escrever mais em português.

“Este apoio da comunidade portuguesa reforçou o meu interesse em melhorar o português, e comecei a escrever mais coisas com letras em português”, conclui a cantora, que já está a preparar o próximo álbum, que deverá sair em finais de 2015 ou 2016.

Henrique de Burgo

O concerto na Kulturfabrik abre as portas às 20h, no dia 29 de Novembro. A entrada custa 15 euros.


Notícias relacionadas

Distinguida com o prémio José Afonso na sua cidade (Amadora) por causa do álbum “O Horizonte”, Teresa Salgueiro fala de alegrias e receios, de memórias e do presente, de vinte anos nos Madredeus e dos dez anos que já passaram após a sua saída, de Portugal e do mundo.
Teresa Salgueiro
Com mais de 25 anos de carreira, o popular cantor subiu ao palco da Rockhal pela segunda vez no sábado. Ao CONTACTO, Tony Carreira disse que quer pôr um ponto final na polémica em torno da entrega da condecoração do Governo francês, depois de a Embaixada de Portugal em França ter recusado que a cerimónia se realizasse nas suas instalações.