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“Warrior Nun”. A exorcista portuguesa
Cultura 3 min. 18.07.2020

“Warrior Nun”. A exorcista portuguesa

“Warrior Nun”. A exorcista portuguesa

Foto: DR
Cultura 3 min. 18.07.2020

“Warrior Nun”. A exorcista portuguesa

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Alba Baptista é elogiada em todas as críticas que eu pude ler e com razão. A jovem atriz tem aqui o seu primeiro grande papel internacional.

“Warrior Nun” é uma série inspirada na banda desenhada do mesmo nome. Uma produção Netflix que mete monstros, conspirações do Vaticano e uma auréola divina que dá superpoderes. Mas o que justifica falarmos desta série nestas páginas é o facto de a protagonista ser a portuguesa Alba Baptista e o cardeal de serviço o maior ator luso de Hollywood, Joaquim de Almeida.

Alba Baptista é elogiada em todas as críticas que eu pude ler e com razão. A jovem atriz tem aqui o seu primeiro grande papel internacional e, além de falar bem inglês, é uma excelente atriz, apesar de se estrear a falar a língua de Shakespeare. Aliás, Joaquim de Almeida, ator convidado e com um papel menor, descobre Alba Baptista sem saber que a jovem é portuguesa. “Curiosamente, há coisa de ano e meio, quando filmámos pela primeira vez não conhecia a Alba e cheguei ao plateau e comecei a falar com ela em inglês! Acham que alguém me avisou que ela era portuguesa!?”, confessou o ator. Pelos vistos, foi Alba Baptista quem lhe disse que era portuguesa; e a jovem até confessou que ficou com vergonha de dizer ao grande Joaquim de Almeida que era a protagonista...

Mas quem é Alba Baptista? Até aqui, a sua carreira passou por séries na RTP, telenovelas na TVI e vários títulos do cinema português. Nasceu a 10 de junho de 1997 em Lisboa. O pai, engenheiro mecânico, de dois em dois anos mudava de país, pelo que Alba já estava habituada, na companhia da mãe, a viajar muito. Para além disto, pouco se sabe acerca da vida da jovem atriz portuguesa antes da sua estreia no filme “Miami”, de Simão Cayatte. Alba Baptista foi, entretanto, no grande ecrã, Carolina Paixão em “Leviano”, Leila em “Equinócio”, Elsa Schneider em “Linhas de Sangue”, Catarina em “Caminhos Magnétykos” e Clara em “Nero”.

Logo no primeiro episódio de “Warrior Nun” descobre-se que Ava, a personagem interpretada por Alba Baptista, era uma rapariga tetraplégica que logo depois de morrer foi ressuscitada por uma auréola divina. Em entrevistas, a portuguesa revela que os criadores da série lhe deram liberdade para dar mais “camadas” à personagem para a tornar mais imprevisível. Ninguém queria que ela fosse simplesmente a boazinha, criando assim uma grande área cinzenta, mais humana e mesmo humorística, mas infelizmente sem muita piada.

A escrita foi, pelos vistos, bastante evolutiva e isso nota-se tristemente no resultado: há muitas incoerências no nível de linguagem, entre o que Ava diz e pensa, por exemplo. E a lamentável voz off com os pensamentos de Ava é, sobretudo nos primeiros episódios, de um pretensiosismo tal que não corresponde nada com o que a personagem diz. Uma pena.

Os recursos financeiros nem sempre foram bem aproveitados em “Warrior Nun”. Muitas das cenas de ação são rodadas em tal escuridão que a cena passa a depender mais uma da sonoplastia do que da imagem. Uma prova de preguiça lamentável numa produção que a Netflix considera ser uma das suas grandes séries do verão de 2020.

O potencial da história original é enorme, mas há muitas desilusões pelo meio. O ritmo é irregular e, a primeira parte da temporada mostra Ava a passear-se com os seus indigentes amigos enquanto a tal voz vai narrando coisas sem interesse ou fora de contexto e de tom.

A série melhora quando a ação passa de Espanha para o Vaticano e o ritmo aumenta. Em “Warrior Nun” há mistérios e um original universo que dariam pano para mangas. Já para não falar no enorme potencial de as protagonistas serem miúdas giras vestidas de freiras a matar demónios com espadas.

Alguém disse que “Warrior Nun” pode tornar-se num fenómeno do tipo “Stranger Things” graças ao fantástico e fascinante mundo em que nos mergulha. A série tem o potencial narrativo, as personagens e os atores para obter esse estatuto. Faltam sobretudo bons argumentistas e uma realização que faça justiça a tanta fruta. “Warrior Nun” é uma série que parece um pouco indecisa com a suas próprias propostas, não indo a fundo em assuntos que o próprio argumento invoca, o que acaba por ser prejudicial para a sua qualidade e coerência.

“Warrior Nun” de Simon Barry, com Alba Baptista, Toya Turner, Thekla Reuten, Lorena Andrea, Kristina Tonteri-Young, Tristan Ulloa e Joaquim de Almeida.


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