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VvV. Portugueses participam hoje na Indoor Poetry Marathon transmitido através do YouTube
Cultura 4 min. 21.03.2020

VvV. Portugueses participam hoje na Indoor Poetry Marathon transmitido através do YouTube

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Cultura 4 min. 21.03.2020

VvV. Portugueses participam hoje na Indoor Poetry Marathon transmitido através do YouTube

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
O evento transmitirá poesia durante 24 horas

“O que é que precisas para fazer parte disto? Um poema e um smartphone”. O Campeonato Europeu de Poesia, que estava previsto acontecer em Itália no dia 21 de março, foi cancelado devido à situação atual do país na luta contra a Covid-19. 

No entanto, em resposta à situação, surge a Indoor Poetry Marathon, iniciativa do poeta italiano Simone Savogine e a Liga Italiana de Poetry Slam ( L.I.P.S), que está a ser transmitir pela internet e reúne poetas de todo mundo para numa edição solidária, motivada pela resiliência à situação global de cancelamento de eventos culturais em todo mundo.

“A nossa natureza de partilha não pode aceitar de forma leve este contratempo que nos levou a tomar medidas para sensibilizar a população para a Covid-19, por isso estamos a organizar um evento de poesia online 24 horas, no YouTube e no Facebook, para ajudar o máximo possível as pessoas que sofrem deste vírus”, explica a organização no seu website. 

No dia Internacional da Poesia e com intenção de unir o mundo através desta arte, este é um evento que dura 24 horas e recebe, este sábado, cinco convidados portugueses, entre as 19 e as 20 horas (hora de Lisboa). Entre eles Luís Perdigão, Li Alves, Nuno Piteira, Raquel lima e Mick Mengucci.

Luís Perdigão, tem 28 anos e é um dos poetas que levará a língua portuguesa ao evento desde fim-de-semana. Começou a escrever poesia aos treze anos e mergulhou no mundo do Poetry Slam por volta dos dezoito.

Em 2017, venceu o Campeonato Nacional de Poetry Slam, que o transportou diretamente até Bruxelas, na Bélgica, para participar no Campeonato Europeu. Foi durante este evento que conheceu Simone Savogin, poeta italiano que agora organiza esta maratona. “Este era um convite que não podia recusar; a L.I.P.S andou a preparar um evento como o Campeonato Europeu de Poetry Slam de forma independente e recorrendo a crowdfunding e isso caiu tudo por terra com a Covid-19”, conta.

O poeta natural da Amadora, diz que não está a interpretar este momento “como o fim do mundo”, uma vez que se sente “numa situação privilegiada”, o que tornou a sua participação nesta iniciativa muito clara. Tendo em conta o contexto de isolamento social e a catástrofe que Itália enfrenta, ver o seu amigo “e grande poeta Simone Savogine a montar um stream de 24h de poesia com centenas de poetas de Itália e do mundo inteiro”, não lhe permitiu sequer pensar em recusar o convite. “Não há como não sentir o amor e o chamamento de onde a poesia vem do coração e do âmago das palavras, no momento em que elas fazem falta no mundo inteiro”.


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Ao Contacto, conta que no fim-de-semana passado recusava-se a pensar no que estava a acontecer, “quase como se me estivesse a preparar mentalmente para isto que estamos a enfrentar e para o facto de termos de estar fechados”. Uma semana depois, sente-se “pronto para acrescentar uma carga positiva no meio desta situação”. 

Enquanto poeta e artista, diz deparar-se com um misto de sentimentos sobre esta fase de isolamento social. “Estou a ser bombardeado com lives, com convites para escrever haikus sobre o fim do mundo, para escrever a poesia de quarentena, para partilhar poemas diariamente; e sinceramente nada disso me seduz, nada disso me soa a coisas que eu faria se não estivesse obrigado a estar fechado em casa”.

Garante que ainda não escreveu nenhum poema durante este período e nem sabe se irá escrever. “Não estou preocupado com isso. A minha visão poética e o que considero ser a poesia leva-me ou a fugir do óbvio, ou a encarar a realidade de forma nua e completamente de frente sem hipocrisias”.

Quanto ao futuro, não está certo se este modelo trará procura ou não, mas diz que “o digital e a internet em si é uma plataforma para a poesia e todo o tipo de coisas se difundir à velocidade da luz”. Aquilo que mais gosta de fazer é “dizer poesia a olhar nos olhos das pessoas, mas poesia é mensagem e o meio acaba por não ser o mais importante neste momento”.

Luís Perdigão sente que, apesar de tudo o mundo está unido, "estamos juntos e só quero abraçar estes italianos da forma que só nós latinos sabemos fazer, com as mãos, com a boca, com o coração aberto”.

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