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"Vic The Viking". No meu tempo é que era bom
Cultura 3 min. 27.02.2020 Do nosso arquivo online

"Vic The Viking". No meu tempo é que era bom

O Vickie voltou, mas já não é o mesmo…

"Vic The Viking". No meu tempo é que era bom

O Vickie voltou, mas já não é o mesmo…
Foto: DR
Cultura 3 min. 27.02.2020 Do nosso arquivo online

"Vic The Viking". No meu tempo é que era bom

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
As aventures de Vickie já foram adaptadas ao grande ecrã com personagens de carne e osso, mas agora estão de novo no cinema, através de um projeto de animação que reúne alemães, franceses e belgas.

“Vickie, o Viking” é o nome de uma série de animação que muito me marcou nos anos 70 do século XX. Esta série foi uma coprodução entre japoneses e alemães e abriu o caminho a outras, tais como “A Abelha Maia” ou “Marco”.

Portugal acolheu o pequeno viking na RTP1 em 1974 na sua versão alemã com legendas em língua portuguesa. Apesar de ser em alemão, os desenhos animados do miúdo que salvava os adultos com as suas boas ideias, inspirou a minha geração e provavelmente outras porque a série voltou à televisão nos anos 90 e também já neste século.

Na versão original sueca, o miúdo chamava-se Vicke e foi criado por um jornalista e escritor daquele país. Runer Jonsson terá ido buscar inspiração às conhecidas sagas islandesas e ao clássico romance sueco “Röde Orm”. Os livros de Jonsson sobre Vicke foram traduzidos em várias línguas, mas o êxito foi enorme na Alemanha, o que levou à criação do projeto de série de animação que totalizou 78 episódios de 25 minutos cada um. Foram esses que eu vi e adorei.

Runer Jonsson relata nas suas obras as aventuras de Vickie e dos habitantes da pequena aldeia de Flake, que situou algures entre a Suécia e a Noruega. Eu gostava tanto do Vickie que até participei num concurso radiofónico de desenho sobre os vikings. Um dia lá recebi uma recompensa pelo meu desenho no correio, troféu que devo ainda ter guardado em casa dos meus pais. Como disse, Vickie (Vicky, Wickie, Vic ou Vicke, conforme a língua) inspirava todos os seus jovens espectadores e, já então, demonstrava um enorme potencial de desenvolvimento.

As aventures de Vickie já foram adaptadas ao grande ecrã com personagens de carne e osso, mas agora estão de novo no cinema, através de um projeto de animação que reúne alemães, franceses e belgas.

Como filho de um chefe viking, o jovem Vickie sonha com aventuras em mares tempestuosos, mas o seu pai Halvar recusa levá-lo no navio com os seus ousados guerreiros, já que a criança ainda não está pronta para a dureza das batalhas nem para os perigos das viagens.

Os guerreiros trazem um dia uma espada antiga de uma das batalhas. Leif, um jovem guerreiro que visita Flake, brilha como o melhor arqueiro de um torneio, mas também decifra as personagens gravadas na arma e conclui que se trata da espada de Odin, o pai dos deuses nórdicos. Mais: a espada pode dar aos comuns mortais o poder de tudo transformar em ouro.

Vickie fica emocionado e golpeia a lâmina no chão, libertando um turbilhão de energia que acaba por atingir a sua própria mãe, Ylva, que instantaneamente se transforma numa estátua de ouro. Calma! O guerreiro Leif parece ter uma solução para salvar a mãe do miúdo. Numa ilha secreta, haverá um caminho para Asgard, onde os deuses vivem. Se o caminho se abrir, a espada perderá o seu poder e Ylva pode tornar-se novamente uma pessoa de carne e osso.

Halvar e os seus guerreiros partem para o misterioso lugar. Vickie e seu primo Ylvi, sentindo-se culpados, escondem-se a bordo para corrigir o erro.

Fiquei fascinado com este filme, como me acontecia com a série que vi nos anos 70? Certamente que não, porque o Vickie de então era algo de diferente e excecional para a época e para o nosso recôndito Portugal e a nossa péssima televisão. O filme de Éric Cazes é giro, tem personagens interessantes – a obra de Runer Jonsson é brilhante desse ponto de vista – mas falta qualquer coisa de cativante.

Apesar de não ser uma obra-prima, o filme é agradável, tem uma história que desperta interesse e vai certamente contentar os mais pequenos. Os velhotes como eu que viveram as emoções do Vickie dos anos 70 vão dizer, como dizem todos os velhotes: “no meu tempo é que era bom”.

“Vic The Viking” de Éric Cazes.