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Viagem a um dos períodos mais ricos da música portuguesa
Cultura 3 min. 12.10.2021
Festival Atlântico

Viagem a um dos períodos mais ricos da música portuguesa

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Viagem a um dos períodos mais ricos da música portuguesa

A soprano Ana Quintans que vai actuar neste concerto da Orquestra Divino Sospiro.
Cultura 3 min. 12.10.2021
Festival Atlântico

Viagem a um dos períodos mais ricos da música portuguesa

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
O concerto da Orquestra Divino Sospiro decorrerá na Sala de Música de Câmara da Philarmonie esta terça-feira a partir das 19:30.

Uma viagem no tempo à música barroca do século XVIII é o que nos propõe a orquestra Divino Sospiro, dirigida pelo maestro Massimo Mazzeo, na programação do Festival Atlântico. O concerto decorrerá na Sala de Música de Câmara da Philarmonie esta terça-feira a partir das 19:30.

“Com este repertório, a Orquestra Divino Sospiro propõe um olhar sobre a produção e circulação de repertórios e revelar a contribuição que Portugal como nação deu à produção musical europeia desta época”, afirma o maestro Massimo Mazzeo, em declarações ao Contacto.

Um período em que Portugal “partilhou uma visão da Europa muito aberta que deu azo a desenvolvimentos muito importantes não só no continente europeu como também noutros continentes”, acrescenta o músico. O país era então governado pelo rei D. João V que “conseguiu fazer uma síntese que é única na Europa, conjugando a música religiosa com a implementação mais extravagante dos reportórios das serenatas tocados nas casas do nobres. Uma estratégia de fusão simbólica entre o poder civil e religioso que é um marca fundamental da visão portuguesa deste século”, sublinha o maestro italiano. Portugal propunha assim uma “visão da Europa através do filtro do cosmopolitismo que foi um marco fundamental de desenvolvimento do ponto de vista social, político e cultural e que coloca o país num dos lugares mais identificativos da pátria cultural europeia”, acrescenta o músico.

Maestro Massimo Mazzeo
Maestro Massimo Mazzeo
Foto: DR

Uma produção cultural que nasce “da vontade do rei D. João V de abrir o país a uma nova época e a um novo modelo cultural e estético que é utilizado como arma diplomática perante os outros países europeus”. Portugal foi assim palco de “uma grande circulação de músicos, cantores e reportórios, provavelmente uma das mais relevantes de toda a Europa daquele período”. Massimo Mazzeo sublinha que “o rei não teria tido essa grande visão se, a seu lado, não estivesse a raínha Mariana de Áustria, vinda da corte de Viena, e que instigou a criação de uma orquestra e de uma atividade cultural substancial em Lisboa”, à imagem do que acontecia na sua terra natal.

A Divino Sospiro pretende recriar a orquestra existente naquele período que era formada por músicos vindos de toda a Europa. Neste espetáculo apresentam um programa que faz uma viagem por toda a produção musical portuguesa, e não só, do século XVIII. Começando por interpretar obras de Carlos de Seixas e Francisco António de Almeida, dois dos mais importantes compositores da primeira metade deste século, seguindo-se a apresentação de uma das mais célebres composições de Vivaldi. Mas o programa continua com peças de Pedro António Avondano e João de Sousa Carvalho representantes da segunda metade do séc. XVIII. Período que decorreu sobre a regência de D. José I, um “rei muito iluminado e que herdou do seu pai a ideia de fazer da música e da cultura armas diplomáticas muito importantes”.

Domenico Scarlatti, um dos criadores mais marcantes desta época

Charles Avison, um compositor inglês que viveu durante o séc. XVIII, é outro dos autores interpretados, numa composição criada a partir das obras de Domenico Scarlatti, considerado “o pai primordial da música do séc. XVIII”, sublinha Massimo Mazzeo. Mestre da Capela Papal em Roma, o mais importante lugar da música em todo o mundo naquela época, Domenico Scarlatti esteve dez anos em Portugal o que tornou possível uma reforma completa da música portuguesa”, acrescenta.

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