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Transformers: The Last Knight: Carros sem garantia
Hoje o meu carro acordou mal disposto

Transformers: The Last Knight: Carros sem garantia

Hoje o meu carro acordou mal disposto
Cultura 2 min. 05.07.2017

Transformers: The Last Knight: Carros sem garantia

Há tantos anos que escrevo neste jornal que os meus leitores já devem saber que tenho muito mau feitio. Os meus amigos lembram-me isso sempre que Portugal perde, os meus colegas repetem-no cada segunda-feira de manhã e as mulheres que conheço sempre.

Há tantos anos que escrevo neste jornal que os meus leitores já devem saber que tenho muito mau feitio. Os meus amigos lembram-me isso sempre que Portugal perde, os meus colegas repetem-no cada segunda-feira de manhã e as mulheres que conheço sempre.

Hoje estou mesmo mal disposto porque fui ver um filme de que me apetecia gostar mas não consegui. Fico de muito mau humor quando deposito todas as minhas esperanças na minha única ida ao cinema da semana para cedo descobrir que mais valia ter ficado em casa a ver séries em série no Netflix.

Há dez anos, Michael Bay pegou nos bonecos dos anos 80 e transformou-os em seres ultracomplexos, carros que se transformam em andróides cheios de engrenagens e peças salientes e assim conquistou os cinéfilos mais aguerridos. Homens, mulheres, jovens ou menos jovens, todos nós sucumbimos ao prazer de ver estes carros que afinal eram robôs que afinal eram quase pessoas.

Dez anos depois, que aconteceu à saga? Nada. E esse é o drama. Dez anos e cinco episódios depois, “Transformers: The Last Knight” não propõe nada de novo e martela-nos a paciência com uma carrada de histórias e com tanta informação que nem um Intel Inside consegue processar.

No meio desta ação desmesurada e das histórias cruzadas não sobra tempo para mais nada: nem para as personagens, nem para a lógica, nem para as emoções. Pior. Os criadores desta quinta tirada da saga “Transformers” levaram-se tão a sério que mesmo quando tentam ser divertidos fracassam.

Não vou perder tempo aqui com a história que – pasme-se – começa na velha Inglaterra, nos tempos do mago Merlim. Podem imaginar que a partir daí tudo é possível e é sempre a dobrar.

Os atores consagrados sucedem-se, de Wahlberg a Hopkins, passando por Turturro e Duhamel. As histórias são muitas, por isso há momentos para o amor, para uma trama pai-filha, para dinobots-bebés e para divagar sobre o futuro do planeta.

Agora que já desabafei sinto-me melhor. Quero aproveitar a onda de bom feitio para dizer que há algumas coisas boas em “Transformers: The Last Knight”: são elas as transformações dos robôs que continuam a surpreender-me, e a uma determinada altura aparecem as mágicas palavras “The End”.

“Transformers: The Last Knight”, de Michael Bay, com Mark Wahlberg, Anthony Hopkins, John Turturro, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Laura Haddock e Isabela Moner.

Raúl Reis

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