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Tiago Rodrigues. A força portuguesa à frente do Festival de Avignon
Cultura 3 min. 20.09.2022
Teatro

Tiago Rodrigues. A força portuguesa à frente do Festival de Avignon

Tiago Rodrigues, ator de teatro português, realizador, dramaturgo e diretor do Festival d'Avignon.
Teatro

Tiago Rodrigues. A força portuguesa à frente do Festival de Avignon

Tiago Rodrigues, ator de teatro português, realizador, dramaturgo e diretor do Festival d'Avignon.
AFP
Cultura 3 min. 20.09.2022
Teatro

Tiago Rodrigues. A força portuguesa à frente do Festival de Avignon

AFP
AFP
É o primeiro estrangeiro a ser nomeado diretor do prestigiado festival de teatro.

Os professores do Conservatório de Lisboa não acreditaram no seu talento para o palco e nunca sonhou em ser dramaturgo, mas a magia do teatro acabou por absorvê-lo e o português Tiago Rodrigues é o novo diretor do Festival de Avignon, em França. 

Para além da importância do cargo, é também o primeiro estrangeiro a ser nomeado para dirigir o festival de prestígio fundado por Jean Vilar, em 1947. 

No entanto, Tiago, de 45 anos, prefere falar sobre as "coincidências poéticas" que marcaram a sua vida. Como o "início de um amor mútuo", em 2015, quando veio pela primeira vez à cidade para apresentar a sua versão de "António e Cleópatra" de Shakespeare. "Vir para Avignon é como conhecer Antígona. Fiquei assoberbado, apaixonei-me e casámos", brincou, durante uma entrevista à AFP. 

Tiago, cujo discurso rápido contrasta com um comportamento calmo, tem muitos planos para "o mais belo festival do mundo", começando com "uma linguagem convidada" todos os anos. 

Para a primeira edição como diretor, em julho de 2023, "será o inglês, com várias peças" provenientes da Grã-Bretanha, Nigéria ou África do Sul, por exemplo, com o objetivo de "redescobrir a diversidade desta língua dominante, os seus grandes tesouros culturais mas também os seus problemas históricos e coloniais". 

Na era pós-Brexit, "temos o dever, na Europa, em criar novos túneis, novas pontes", afirma. Novas pontes também com artistas que têm "uma visão oposta do teatro" à sua. "Temos de nos permitir uma contradição estética e mesmo política", acredita.

O diretor português também quer aprofundar o trabalho já iniciado pelo seu antecessor, Olivier Py, para facilitar o acesso aos jovens e ao público que vem de longe, estabelecendo uma espécie de "primeira vez em Avignon". 

E não esquece o desenvolvimento de uma "consciência ecológica", promovendo "práticas sustentáveis" na produção de espetáculos. 

Uma vida para o palco

Os amantes do teatro conhecem-no de "By Heart" (2014), quando fez a plateia aprender de cor o soneto 30 de Shakespeare. 

A um ritmo frenético, este outono apresenta quatro peças em Paris, incluindo "Choeur des amants" (Coro de amantes) e "Entre les lignes" (Entre as linhas), sobre a relação ator-diretor. 

No Teatro Odéon, revive "Dans la mesure de l'impossible" (Na medida do impossível), uma imersão na vida de um trabalhador humanitário, e no teatro Bouffes du Nord apresentou uma peça que foi controversa no seu país: "Catarina ou la beauté de tuer des fascistes" (Catarina e a beleza de matar fascistas), uma distopia baseada na ideia de "uma vitória de extrema-direita em Portugal em 2028". 

O amor às palavras

Como é frequente no seu trabalho, estas duas últimas peças são baseadas em "pesquisa jornalística ou documental", o que não surpreende vindo do filho de um jornalista e de uma médica, dois intelectuais que viveram o 25 de Abril. "O meu pai teve de se exilar em França durante a ditadura", lembra.

Nasceu em Lisboa já após a revolução de 1974, mas foi "muito marcado pela memória do povo que lutou contra o fascismo e a ditadura". 

Quando entrou para o Conservatório de Lisboa, o início não foi promissor e os  professores não estavam convencidos. "Talvez eles tivessem razão", diz, a rir. 

Continuou a trabalhar em jornalismo televisivo, escrevendo poesia e cinema, mas sabia que queria ser um artista de teatro depois de conhecer o famoso coletivo flamengo "tg STAN", com o qual atuou por toda a Europa.

"A partir desta experiência, mantive o gosto pelo "trabalho coletivo, a recusa da hierarquia e o amor às palavras", sublinha. 

Dirigiu o Teatro Nacional Dona Maria II durante sete anos.   

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