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"Three Thousand Years of Longing". Três mil anos é muito tempo
Opinião Cultura 1 3 min. 18.09.2022
Crítica de cinema

"Three Thousand Years of Longing". Três mil anos é muito tempo

Tilda Swinton e Idris Elba são as estrelas principais deste filme de George Miller.
Crítica de cinema

"Three Thousand Years of Longing". Três mil anos é muito tempo

Tilda Swinton e Idris Elba são as estrelas principais deste filme de George Miller.
Foto: DR
Opinião Cultura 1 3 min. 18.09.2022
Crítica de cinema

"Three Thousand Years of Longing". Três mil anos é muito tempo

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
... Acaba por ser um filme simples sobre histórias de encantar e um romance sobre o(s) mistério(s) do amor.

A doutora Alithea Binnie, interpretada por Tilda Swinton, é uma académica contente com a vida e uma criatura que acredita na ciência, na razão, e que não se deixa enrolar.

Em Istambul, durante uma conferência, encontra um génio (no filme chamam-lhe Djinn), interpretado por Idris Elba, que lhe oferece três desejos em troca da sua liberdade. Um Djinn é impossível para a racional Alithea: "ele não pode ser real".

Mas esse é apenas o primeiro problema que se coloca a Alithea: ela, que tudo sabe sobre histórias fabulosas e mitologia, tem também consciência de que os desejos gratuitos costumam dar bronca...

[O filme] tem um propósito maior, que é interrogar-nos sobre a necessidade de histórias que todos temos.

O génio defende o seu caso contando histórias fantásticas e bem sucedidas do passado. Djinn é bom vendedor e Alithea acaba por pedir um desejo que a ambos surpreende.

O realizador George Miller deixou a imaginação vaguear, mas os resultados nem sempre correspondem às propriedades mágicas do material original. O filme tem por base a obra de A.S. Byatt "The Djinn In The Nightingale’s Eye". A partir daí, Miller criou uma realidade muito vívida.

Durante a maior parte da primeira metade do filme, Djinn e Alithea conversam no quarto de hotel e as desventuras do ser mágico são reveladas em elaborados flashbacks coloridos. Seja com a Rainha de Sabá ou um génio esquecido do século XIX, o Djinn tentou ser libertado fazendo com que o objeto de sua afeição pedisse os seus três desejos. No entanto, sempre houve algum obstáculo inesperado...

Idris Elba interpreta um génio que se aproxima da personagem interpretada por Tilda Swinton sonhando com a possibilidade de que esta aceite os três desejos, levando a uma série de momentos épicos que revelam uma forte corrente emocional. O desempenho de Elba como esta figura poderosa, mas paralisada, dá a sensação de que existe um poder maior do que a vida do Djinn.

Swinton é a estudiosa Alithea, que insiste ao longo da película que está contente, mesmo estando sozinha. Amante de histórias, a personagem viaja da sua casa, em Londres, para Istambul. É aí que vai comprar um objeto que, depois de esfregado, desencadeia o aparecimento do Djinn. A atriz reflete bem as mágoas e misérias que a sua personagem enfrentou com diferentes (des)amores.

A força dos dois protagonistas serviu para que este filme, em Cannes, e apesar de estar fora de competição, merecesse grande destaque. Contudo, todos esperavam o George Miller de "Mad Max", quando "Three Thousand Years of Longing" está a milhares de quilómetros de distância daqueles filmes de ação hardcore.

Embora Miller se tenha rodeado de muitos dos magos da tecnologia que moldaram "Mad Max – Fury Road", as sequências fantásticas parecem mais trabalhosas do que virtuosas. "Three Thousand Years of Longing" peca também por se tornar repetitivo, com o filme constantemente regressando a Elba e Swinton naquele quarto de hotel, recapitulando as consequências da sua última recordação. Mas perdoa-se-lhe esse conjunto de flashbacks, pois ele tem um propósito maior, que é interrogar-nos sobre a necessidade de histórias que todos temos.

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Dito isto, depois dos flashbacks, o filme muda de sentido tornando-se uma história de amor silenciosa e melancólica entre os protagonistas, que tentam iniciar um relacionamento. Tilda Swinton entra então num registo adorável e mais vulnerável do que nunca, interpretando uma mulher que passou a vida a isolar-se da possibilidade de ter um parceiro.

A banda sonora de Tom Holkenborg sugere a grandeza dramática que Miller busca, na esperança de mostrar como o amor, tal como as histórias, mantém as pessoas vivas durante tempos sombrios. "Three Thousand Years Of Longing" acaba por ser um filme simples sobre histórias de encantar e um romance sobre o(s) mistério(s) do amor.

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