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Carta de amor a Daniela Melchior
Cultura 3 min. 27.08.2021
“The Suicide Squad”

Carta de amor a Daniela Melchior

“The Suicide Squad”

Carta de amor a Daniela Melchior

Foto: DR
Cultura 3 min. 27.08.2021
“The Suicide Squad”

Carta de amor a Daniela Melchior

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Este sábado passámos mais de duas horas juntos. Já me tinhas falado deste projeto: “The Suicide Squad”, um filme que te levou até Hollywood, para longe de mim e para o estrelato global. A crítica de cinema de Raúl Reis.

Querida Daniela, a primeira vez que te vi foi em março de 2019. Não sei se te lembras, mas eu lembro-me como se fosse hoje.

Estavámos ambos no Casino Estoril para participar nos Prémios Sophia. Tu porque eras candidata a melhor atriz; eu porque fui lá armado em repórter e para dizer olá a amigos.

Como tinha uma máquina fotográfica – sim em 2019 ainda usava uma Nikon de dois quilos e meio – decidi tirar fotos de todas as vedetas que iam passando pelo tapete vermelho que dava acesso à sala.

Dei um abraço ao mais maluco deles todos, o Manuel João Vieira, felicitei o Dimitri Bogomolov pela personagem fabulosa que interpretou em “Carga”, fotografei mais umas loiras anónimas e de repente vi-te chegar no teu vestido roxo (ou lilás, ou violeta, que essas nuances sempre me ultrapassaram).

Como estava acompanhado da minha namorada, limitei-me a olhar de lado, como quem não quer a coisa, e tirei apenas uma foto tua (esta que aqui apenso).

De repente ela disse: esta miúda é linda! Quem é?

Um burro velho como eu sabe que nestas situações tudo o que diga pode ser usado contra mim e como nós ainda tínhamos dois dias a passar juntos em Lisboa, eu não queria estragar o ambiente. Disse apenas: sim, é gira é, mas não sei quem é...

A azáfama do momento não permitiu continuar a conversa até porque outros convidados conhecidos apareceram e ficamos ali aos beijos e abraços (isto foi antes da covid, note-se).

Lá dentro a minha namorada começou a folhear as fotos no ecrã da Nikon e parou na tua. A miúda é mesmo linda! E parece muito nova, insistiu.

Tentei googlar-te porque – confesso – confundia-te com todas as miúdas giras da tua geração e de todas as telenovelas. Reconheço que, como nunca vejo as novelas portuguesas, e tenho por isso dificuldade em acompanhar a muito efémera carreira de atores e atrizes que este ano são topes e daqui a 365 dias já ninguém sabe o que deles é feito. Dito isto, não sabia quem tu eras e não fiquei a saber nessa noite.

No dia seguinte fui procurar as reportagens fotográficas todas dos Prémios Sophia e lá encontrei uma referência: tu eras a miúda do filme “Parque Mayer” – que eu ainda não tinha visto. Mas fui logo ver. Nesse dia.

Entretanto, fiquei teu fã. Segui-te no Instagram e apreciei os teus posts (por vezes bizarros e misteriosos, mas também sexy e lindos). Até que um dia me perguntaram se te queria entrevistar porque eras a única portuguesa numa lista de atores que eram as jovens esperanças do cinema europeu.

Disse logo que sim, mas correu tudo mal. Eu estava tão nervoso que quando me apercebi que a entrevista já tinha começado ainda estava a perguntar-te se nos podíamos tratar por tu. Tu disseste que sim, que era como eu quisesse. E eu corei e entupi.

Apesar disso, a entrevista correu bem porque tu falaste e eu ouvi. Foram os nossos primeiros 15 minutos juntos e, no fim, nem o botão de desligar o Zoom conseguia encontrar.

Este sábado passámos mais de duas horas juntos. Já me tinhas falado deste projeto: “The Suicide Squad”, um filme que te levou até Hollywood, para longe de mim e para o estrelato global. Na IMDB tu és o nome mais procurado e o mundo todo já sabe que a beleza tem nome e é portuguesa.

Podia ter ficado com ciúmes mas não. Fiquei feliz por ti porque sou um gajo espetacular. A entrevista mais longa que me tinhas prometido quando falamos pela primeira vez agora vai ser difícil porque tu és a “next big thing”, como disse o Hollywood Reporter.

Gostei tanto de te ver a dominar ratinhos para o bem da paz no mundo. “The Suicide Squad” não é grande pistola – embora se disparem muitos tiros – mas tu és a mais querida e tornaste-te na namoradinha do planeta inteiro. E como eu estou neste planeta, também és a minha namoradinha.

Beijinhos Daniela!

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