"The Storm"

Convenção de Tatuagens levou 20 mil pessoas à Luxexpo

O evento, que decorreu entre sexta e domingo, considerado o maior do género na Europa, contou com a presença de 417 tatuadores de todo mundo, incluindo Portugal
O evento, que decorreu entre sexta e domingo, considerado o maior do género na Europa, contou com a presença de 417 tatuadores de todo mundo, incluindo Portugal
Foto: Paulo Dâmaso

Cerca de 20 mil pessoas passaram este fim-de-semana pela 5ª edição da convenção internacional de tatuagens “The Storm”, na Luxexpo, em Kirchberg. O encontro, já considerado o maior do género de toda a Europa, contou com a presença de 417 tatuadores de todo mundo, incluindo Portugal.

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“É já a melhor e a maior convenção da Europa, sem dúvida. Quando comecei há cinco anos nunca esperei que o evento crescesse desta forma. É o concretizar de um sonho”, disse, ao CONTACTO, o luxemburguês Alain Junckel, da organização e fundador da “The Storm”.

“Passaram pela Luxexpo cerca de 20 mil pessoas em três dias, que apreciaram os trabalhos de 417 tatuadores oriundos de 30 países do mundo. São números recorde”, regozija-se o organizador.

A "armada portuguesa"

Para o sucesso da convenção muito contribuiu a “forte armada” portuguesa presente no evento. Os tatuadores Emanuel Oliveira, Marco Reboke, Isabel Filipa Silva, Marco Federado e Pedro Eman foram cinco dos artistas que vieram propositadamente de Portugal para o encontro. Mas, muitos outros tatuadores lusos vieram de países vizinhos como Alemanha e Suíça.

A convenção luxemburguesa serviu para promover trabalhos, aprofundar conhecimentos e técnicas, cimentar amizades e criar rede de contactos. Portugal está ao nível dos melhores nesta área.

“Os tatuadores portugueses conseguem acompanhar os melhores do mundo. Não temos nenhuma figura tão mediática como os Estados Unidos, por exemplo, mas temos qualidade a nível mundial”, frisou o tatuador Emanuel Oliveira, de 27 anos, que no final do ano passado arrebatou o 2º lugar na categoria de tatuagens realistas em Berlim, na Alemanha.

“Estamos num patamar bastante elevado, tanto ao nível do rigor técnico, como de questões de higiene. Mas ainda há por aí muitos 'sapateiros' (maus profissionais)”, reforçou Marco Federado, outro dos tatuadores lusos.

No certame, que faz as delícias dos amantes das tatuagens, piercings e outros adereços cutâneos, observou-se um forte “contigente” feminino. São cada vez mais as mulheres que abraçam a profissão, ainda dominada pelos homens.

“Ainda há muito preconceito nesta guerra de sexos, mas sinto que estou a lutar pelo lado feminino da tatuagem”, sublinhou Isabel Filipa Silva, que tem um estúdio em Espinho.

“As tatuagens são um luxo”

Num panorama de crise financeira, o mundo das tatuagens não tem sentido quebras. Muito pelo contrário. Ultrapassadas as barreiras do preconceito social, as tatuagens são, cada vez mais, um negócio emergente e rentável. Do médico ao empregado de mesa, hoje todos têm pelo menos um “desenho no corpo”.

“Há mercado para viver exclusivamente das tatuagens, mesmo em Portugal. Até conheço quem já enriqueceu à conta da profissão”, sublinhou Emanuel Oliveira, natural da Murtosa (Aveiro).

“Há um nicho que nunca é atingido pela crise: o luxo. E as tatuagens são um luxo, não são um bem essencial. São uma questão meramente estética”, acrescentou o tatuador.

“Temos que ser bons no que fazemos mas já se consegue viver apenas das tatuagens”, reforçou a portuguesa Cláudia Raquel, que veio de Bremen (Alemanha), para participar e tatuar na convenção luxemburguesa, que contou ainda com lojas, ‘stands’ informativos, concertos e concursos.

Actor Robert LaSardo atraiu atenções

Muitos aproveitaram a convenção para acrescentar mais um “pedaço de história e arte” à sua tela corporal. As mesas de trabalho permaneceram bastante ocupadas e houve uma tatuadora em especial que despertou a atenção geral: a norte-americana Teresa Sharpe, vencedora do programa de televisão “Best Ink” e nome emergente no panorama mundial. O júri desse programa, Joe Capobianco, também esteve no Luxemburgo. O “ídolo” dos amantes das tatuagens foi igualmente muito requisitado.

Mas, o VIP mais mediático foi o actor norte-americano Robert LaSardo, conhecido por ter o corpo coberto de tatuagens. Com 52 anos, é uma tela viva, em movimento e em constante crescimento. Tem cerca de 95% do corpo tatuado.

“Fiz a minha primeira tatuagem aos 17 anos, em Brooklyn, Nova Iorque, e desde então nunca mais parei. É uma paixão”, disse, ao CONTACTO, Robert LaSardo, que participou em filmes como "Justiça Cega", "Centopeia Humana 3", "Corrida Mortal" e também em séries televisivas como "CSI: Miami".

Quantas tatuagens tem? À pergunta do CONTACTO, LaSardo reagiu com subtileza: “Sabes, tenho apenas uma tatuagem. Uma única e grande tatuagem, com muitos globos oculares”, referiu sorrindo.

O actor, que chegou ao Luxemburgo meses antes da estreia do filme “Sky Sharks” em que participa, foi bastante requisitado para fotos e autógrafos. Ao contrário da maioria das personagens que “veste” no cinema, LaSardo é um homem que transmite tranquilidade e humildade.

“Sabe muito bem perceber que a milhares de quilómetros de casa há pessoas que apreciam o teu trabalho e considero que é importante interagir com os fãs. Aqui são todos bastante amigáveis. A organização do melhor. Senti-me em casa”, referiu o actor ao nosso jornal.

A sexta edição da convenção internacional de tatuagens “The Storm” já tem data marcada: vai acontecer entre 19 e 21 de Maio de 2017 e, segundo Alain Junckel, já há cerca de 200 artistas inscritos para a edição do próximo ano.

Paulo Dâmaso

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