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The Nun: Eu não tenho medo de freiras mortas!
Cultura 2 min. 19.09.2018

The Nun: Eu não tenho medo de freiras mortas!

Espelho, espelho meu, há atrás de mim alguma freira morta?

The Nun: Eu não tenho medo de freiras mortas!

Espelho, espelho meu, há atrás de mim alguma freira morta?
Cultura 2 min. 19.09.2018

The Nun: Eu não tenho medo de freiras mortas!

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Eu que tenho medo de filmes de terror fui obrigado a ver “The Nun”, um filme de terror que, ainda por cima, mete igrejas, religião e freiras-fantasma.

Sou obrigado a começar com um desabafo. Se calhar é mesmo uma queixa... Fui obrigado a ver um filme de terror. Eu que não gosto que me assustem; eu que na noite em que vi “O Exorcista” não consegui pregar olho; eu que salto quando um gato mia num filme; eu que, quando zapo, se vejo um filme mais suspeito na televisão, desligo-a imediatamente para não ter de ver mais nada. Eu que tenho medo de filmes de terror fui obrigado a ver “The Nun”, um filme de terror que, ainda por cima, mete igrejas, religião e freiras-fantasma.

Não há nada que me assuste mais do que os filmes de terror com temática religiosa. Os filmes de assassinos em série com motosserras, ou de monstros vindos do espaço, põem-me aos saltos, mas, quando o argumento mete preces, maldições e diabos a coisa muda de figura. Estamos automaticamente no meu nível 11 de medo.

“The Nun”, como o seu nome indica, mete freiras e rezas. Quase morri quando me mandaram vê-lo. Tentei alegar doença, má disposição. Expliquei que havia outros filmes mais interessantes esta semana mas o chefe insistiu que não, que este é que era. Guardei comigo o número do delegado sindical para lhe ligar se as coisas corressem mal; sei lá, se me desse uma síncope e fosse parar ao hospital...

“The Nun” é um filme de terror que faz parte da série “The Conjuring”, à qual não assisti por questões de saúde. Esta saga tem por elo de ligação o casal Warren, e são eles que permitem fazer “spin offs” cujos argumentos não têm ligações óbvias entre eles.

Como sabem, o suicídio é mal visto pela Igreja Católica, agora imaginem se o suicida for uma freira. O mundo clerical reage muito mal a esses casos, e é isto que nos conta “The Nun”. Num convento romeno uma freira suicidou-se e há suspeitas de possessão diabólica.

O filme de Corin Hardy é maravilhoso! Não me assustou quase nadinha porque é uma sucessão de acontecimentos sem sentido e um chorrilho de lugares comuns. “The Nun” não me assustou grande coisa porque passei o tempo a rir-me por causa de o filme ser tão mal feito, chegando ao ponto de tentar surpreender-nos com uma reviravolta parvalhona.

Os anteriores filmes da saga eram capazes de assustar (e muito!) debitando “jump scares” atrás de “jump scares” que funcionavam graças a uma verdadeira tensão. Em “The Nun” não há nada disso e, acreditem, eu que me assusto por tudo e por nada, bocejei. Sim, senhoras e senhores, bocejei como se estivesse num daqueles filmes taiwaneses que passam no festival de Cannes.

Talvez seja bom terminar com algo positivo: as personagens masculinas são bem interpretadas por Demián Bichir e Jonas Bloquet, que são talvez os melhores atores nesta obra. Taissa Farmiga tem de defender uma personagem aborrecida e parece que se aborreceu tanto a fazer o filme como eu a vê-lo!

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“The Nun”, de Corin Hardy, com Taissa Farmiga, Bonnie Aaróns, Demián Bichir, Jonas Bloquet e Charlotte Hope.


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