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"The Figo Affair". Exercício de memória
Opinião Cultura 1 3 min. 11.09.2022
Crítica de cinema

"The Figo Affair". Exercício de memória

Crítica de cinema

"The Figo Affair". Exercício de memória

Foto: Luis Gene/EPA
Opinião Cultura 1 3 min. 11.09.2022
Crítica de cinema

"The Figo Affair". Exercício de memória

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
O documentário vai servir para resolver o problema da memória curta...

Sou obrigado a fazer uma declaração muito formal antes de começar este texto: vou escrever sobre um documentário relativo ao futebol e eu não percebo nada de futebol. Gosto de ver um bom jogo, como qualquer pessoa; adoro acompanhar a seleção, sobretudo quando ela ganha, mas não sou apaixonado pela bola nem nada que se pareça. Para provar esta minha distância do desporto-rei posso dizer que já tinha 20 anos quando vi o meu primeiro jogo. Além disso, fui sempre um dos últimos a serem escolhidos quando fazíamos as equipas para jogar à bola no liceu.

Reconheço que, como ser humano que sou, também já me tinha esquecido que Luís Figo era um génio do futebol.

É com este currículo de ignorância futebolística quase total que pretendo falar de "The Figo Affair", um documentário que a Netflix lançou no final de agosto sobre um dos maiores futebolistas portugueses. A razão principal que me leva a falar deste trabalho é o síndrome da memória curta. "The Figo Affair" fez-me recordar que as pessoas esquecem muito facilmente os atletas "reformados". Basta ver qualquer ranking de melhores jogadores do mundo para perceber a problemática: 90% dos futebolistas mencionados nessas sondagens ou estão ainda em atividade ou estiverem há menos de dez anos.

Reconheço que, como ser humano que sou, também já me tinha esquecido que Luís Figo era um génio do futebol. Apesar de o ter visto jogar muitas vezes, foi preciso um documentário sobre o antigo capitão da seleção nacional para o colocar de novo no meu panteão pessoal dos grandes da bola.

O documentário "The Figo Affair: The Transfer That Changed Football" recorda uma das transferências mais controversas da história do futebol, tanto pelos montantes envolvidos, como pela tensão resultante da saída do português do Barcelona para o Real Madrid.

No verão de 2000, o atacante português, que tinha passado cinco anos no Barcelona, é anunciado como provável atleta do clube da capital espanhola. O futuro presidente do Real Madrid, Florentino Peréz, utiliza a cartada da contratação de Figo para ser eleito para a presidência do clube. Para o fazer, o Real teria de assumir uma cláusula de rescisão de cerca de 60 milhões; então um recorde mundial.


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Os novos filmes da semana e a sétima arte em destaque pelo jornalista Raúl Reis.

Nesse verão, passei por Barcelona dias depois de Luís Figo ter sido apresentado como futebolista do Real Madrid. Recordo-me que nessas férias, eu que estou sempre orgulhoso do meu país, nunca admiti a ninguém ser português. Os fãs do Barça sentiram-se traídos por um jogador que foi durante anos o símbolo da equipa, e Figo rapidamente se transformou em indesejado aos olhos dos adeptos no Camp Nou, e os portugueses levaram todos por tabela. 

Luís Figo foi insultado, de forma inédita e muito violenta, durante todos os jogos contra o Barcelona. Os insultos clássicos (sobre a mãe e a mulher de Figo) alternavam com 'pesetero' e outras menções, acusando o português de pensar apenas em dinheiro.

O documentário de David Tryhorn e Ben Nicholas, conhecidos pelo seu trabalho no filme "Pelé", de 2021, tenta ser o mais jornalístico possível. Praticamente todos os intervenientes são entrevistados. Além de Figo, passam pelo documentário Paulo Futre, o agente José Veiga e os presidentes dos dois clubes envolvidos. Destaque ainda para o agora treinador Pep Guardiola que, em Barcelona, enquanto jogador, era o melhor amigo de Luís Figo e deixa um testemunho bastante positivo sobre o português.

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

A vantagem deste documentário é a de não tomar partido. Elogioso sobre o talento de Luís Figo, o filme não assume uma posição sobre as razões que levaram o atleta a deixar o Barcelona. Aliás, o português parece ser vítima da sua 'entourage' que o manipula, com destaque para o agente José Veiga, mas também Paulo Futre que, apesar de ser amigo de Figo, poderá ter contribuído para tornar irreversível a transferência entre Barcelona e Real.

O documentário mergulha nos bastidores dos negócios do futebol, na rivalidade histórica entre Barcelona e Madrid e sobretudo vai servir para resolver o problema da memória curta...

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