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The Family: A vantagem de ser testemunha
Esta é uma família disfuncional, ou será moderna?

The Family: A vantagem de ser testemunha

Esta é uma família disfuncional, ou será moderna?
Cultura 4 min. 14.11.2013

The Family: A vantagem de ser testemunha

O programa norte-americano de protecção de testemunhas deve ter protagonizado mais filmes do que o total de pessoas que dele usufruem. Esta ideia surgiu no final do século XIX para proteger quem testemunhasse contra o Ku Klux Klan. Desde então, o programa foi reformulado e inspirou outros países.

São muitos os Estados que dispõem de um sistema de protecção de testemunhas embora, formalmente, só alguns países assumem tê-lo. Além dos Estados Unidos, o Reino Unido, a Suécia, a Suíça ou mesmo a China e Hong Kong dispõem de legislação para garantir a segurança de pessoas que sejam testemunhas em casos considerados perigosos. Nenhum dos países acima referidos publica o total de pessoas objecto de protecção para melhor as... proteger.

O cinema americano adora histórias misteriosas como as que envolvem as testemunhas protegidas. E Luc Besson, um dos franceses mais hollywoodianos do mundo, foi o último a deixar-se fascinar pelo tema.

Segundo o filme que o francês acaba de assinar, a vida de uma família protegida pelo programa pode ser maravilhosamente pacata. Em “The Family”, os Manzoni vivem numa casa da Normandia rodeada por agentes do FBI que além de garantirem que ninguém se aproxima da casa ainda tratam de todas as necessidades da família.

Os Manzoni estão em França onde tentam passar despercebidos, como qualquer outra família de férias em França. Contudo, nenhum dos Manzoni entra na categoria de pessoas normais. Todos eles têm grandes "pancadas" e torna-se assim muito difícil passar despercebido.

O filme começa com a partida da família – interpretada por Robert De Niro, Michelle Pfeiffer, Dianna Agron e John D’Leo – de viagem desde o sul de França para a Normandia porque os Manzoni foram descobertos pela máfia. Um pouco à maneira dos “Chti's”, só o pai está convencido que o destino da viagem é excelente.

O trajecto revela-se difícil e envolve muitas discussões, incluindo uma sobre o cheiro do cão que se revela ser proveniente de um cadáver que o pai, Giovanni, escondeu no porta-bagagens à saída de Nice.

É um prazer ver De Niro e Pfeiffer num mano-a-mano delicioso que faz lembrar bons velhos tempos destes dois actores. O espectador vai ficando convencido de que o pai Manzoni é um verdadeiro mafioso numa família normal mas rapidamente se descobre que todos os membros da prole são loucos!

Giovanni Manzoni encontra-se no programa de protecção de testemunhas porque denunciou alguns dos seus amigos da máfia nova-iorquina. Os mafiosos oferecem 20 milhões a quem o apanhar, o que torna os Manzoni uma interessante presa.

O pai Giovanni, a mãe Maggie e os filhos Belle e Warren estão sob a supervisão do agente do FBI Robert Stansfield (Tommy Lee Jones). A maior dificuldade de Stansfield é fazer com que a presença dos Manzoni numa terrinha do norte da França passe despercebida.

Desde logo, os dois adolescentes americanos que aterram numa escola de aldeia norte-americana não se integram facilmente. Ou talvez sim. Warren torna-se rapidamente traficante de tabaco na escola e a sua irmã não hesita em dar um arraial de porrada a um colega que se manifesta um bocadinho mais interessado nela do que aquilo que Belle acha normal. Para complicar as coisas, a miúda apaixona-se pelo professor de matemática e o público começa logo a imaginar o pior...

Os pais não imaginam a vida que os seus filmes levam, até porque eles próprios também estão ocupados em actividades menos recomendáveis, tais como partir as pernas do canalizador porque ele não resolveu um problema lá na casa.

Robert De Niro é perfeito para este tipo de papel. O actor já o fez muitas vezes e sempre se saiu bem, mesmo em filmes piores do que este. As melhores cenas são os duetos com Michelle Pfeiffer. A actriz é ainda mais engraçada porque desempenha um papel cheio de contrastes. No seu olhar vemos raiva e mesmo um espírito destruidor, apesar de Maggie passar muito tempo na igreja e a tentar integrar-se na vida da comunidade católica.

O marido de Maggie também procura integrar-se mas acaba por se entusiasmar. Convidado para participar num debate sobre um filme americano de Vincent Minnelli, devido a um erro de programação, a película projectada acaba por ser “Goodfellas”. Neste filme sobre a máfia, o próprio De Niro interpreta um dos papéis principais. Este piscar de olho à plateia é um prazer e constitui um dos momentos mais simpáticos de “The Family”.

E que dizer deste filme de Luc Besson? Pouco. Trata-se de uma comédia irregular, com altos e baixos. Mas afinal a vida em família é isso mesmo...

“The Family” de Luc Besson, com Robert De Niro, Michelle Pfeiffer, Dianna Agron, Tommy Lee Jones, Jimmy Palumbo e John D'Leo. Raúl Reis