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"The Breadwinner". Uma menina de 11 anos contra os talibãs
Cultura 2 min. 03.10.2018 Do nosso arquivo online

"The Breadwinner". Uma menina de 11 anos contra os talibãs

  Casa onde não há pão…

"The Breadwinner". Uma menina de 11 anos contra os talibãs

Casa onde não há pão…
Cultura 2 min. 03.10.2018 Do nosso arquivo online

"The Breadwinner". Uma menina de 11 anos contra os talibãs

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Afeganistão. Os talibãs estão no poder e o país é um dos mais pobres do mundo. As consequências da guerra estão em todo o lado.

Parvana tem 11 anos e adora ouvir o seu pai contar histórias. O pai é escritor e também conta histórias em público. Um dia ele é preso e a vida de Parvana desmorona-se como se um tremor de terra de 11 graus na escala de Richter tivesse passado por ali. Uma menina não pode fazer nada sem a companhia de um homem no Afeganistão dos extremistas e das leis feitas por homens e para os homens. Parvana não pode trabalhar, por isso não pode ganhar dinheiro e, por isso, não pode comprar comida.

Parvana – que é tudo menos parva, apesar do nome que soa muito pouco heróico em português – decide cortar o cabelo e fazer de conta que é um rapaz. Assim travestida, a menina vai tentar sobreviver e, acima de tudo, libertar o pai.

“The Breadwinner” é a terceira longa metragem do estúdio irlandês Cartoon Saloon de Nora Twomey. O argumento tem a sua origem no livro de Deborah Ellis e Anita Doron, mas o filme recebe um toque luxemburguês, tendo mesmo sido premiado nos Óscares do Grão-Ducado, pois foi coproduzido pela Melusine Productions.

A produtora irlandesa tinha anteriormente assinado duas obras cuja ação se desenrolava na verde Irlanda. Eram filmes que colocavam em destaque as tradições da ilha e que partilhavam costumes e a cultura gaélica. Este terceiro filme é uma viagem ao outro lado do planeta, assim como a uma situação política e social muito mais do que extrema.

Do verde húmido da Irlanda passamos para o amarelo seco do Afeganistão. E os animadores, apesar de estarem habituados a outras paletas de cores, conseguem claramente mostrar o local opressivo e monocromático onde vive Parvana. Mais: muitas vezes, durante o filme, o estilo de animação muda. Quando o pai da heroína conta uma história (ou mais tarde quando Parvana o faz), as sequências embelezam-se e estão entre as mais bonitas de “The Breadwinner”. As magníficas fantasias são tratadas com um certo efeito de relevo visual que as distingue do mundo real. Estes momentos do filme são importantes para destacar a importância dos contos e da transmissão da cultura através deles, mas também para deixar o público respirar e para sair da opressão das imagens tensas.

Os criadores de “The Breadwinner” não evitam a dura realidade, provocando nos espectadores uma sensação de mal-estar que só termina com os créditos finais. Estamos perante uma obra de animação que demonstra per-feitamente que esta forma de fazer cinema é capaz de transmitir mensagens tão fortes e importantes como um filme com atores de carne e osso.

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“The Breadwinner”, de Nora Twomey, Deborah Ellis e Anita Doron, com Saara Chaudry, Soma Bhatia, Noorin Gulamgaus, Laara Sadiq e Ali Badshah.


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