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The Book Thief: A guerra fria
Nos anos 40, os iPads chamavam-se livros

The Book Thief: A guerra fria

Nos anos 40, os iPads chamavam-se livros
Cultura 2 min. 19.03.2014

The Book Thief: A guerra fria

A pequena Liesel (Sophie Nélisse) vai viver com os seus país adoptivos Rosa (Emily Watson) e Hans (Geoffrey Rush) numa pequena aldeia alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Liesel torna-se amiga de Rudy (Nico Liersch), um rapaz da sua idade.

Liesel vai aprender a ler graças ao seu pai adoptivo e é nesse momento crucial para a sua vida que entra na casa um refugiado judeu, Max (Ben Schnetzer).

Max vive escondido na cave sem poder sair. Liesel começa a ler para ele e também a escrever.

"The Book Thief" é a adaptação de um grande clássico levado a cabo pelo realizador que deu corpo a uma das melhores séries britânicas dos últimos tempos, "Downtown Abbey". Mas estamos muito longe do ambiente "british" que Brian Percival inventou. Apesar de os protagonistas serem sobretudo ingleses, os criadores do filme optaram por um estranho sotaque germânico que perturba quem assiste à versão original. Se o filme é rodado em inglês, porquê pôr os actores a falar como se fossem alemães que não passaram o exame de proficiência em inglês? O resultado é estranho mas, infelizmente, é um problema comum que Tarantino parodiou de forma brilhante nos momentos iniciais de "Inglorious Bastards".

Obviamente, "The Book Thief" está muito longe dessa obra-prima, assemelhando-se muito mais a "The Boy in the Striped Pyjamas" ou mesmo "Schindler's List".

Infelizmente, "The Book Thief" não traz nada de novo ao filme de género, nem sequer nos convence que os maus são mesmo péssimos. Os nazis, demasiado caricaturados, acabam por se transformar numa espécie de personagens da série "Allo Allo" e o filme perde assim muito do seu potencial.

Felizmente, o talento da protagonista, Sophie Nélisse, dá uma vida especial a Liesel. Trata-se de uma personagem que tem tudo para agradar ao público. Esta maravilhosa criança aprende a ler num período terrível mas fica-se com a impressão de que tudo lhe passa ao lado.

O final emotivo de "The Book Thief" não salva a globalidade do projecto, que tem pouco ritmo e pode aborrecer os mais impacientes. A imponente banda sonora de John Williams ajuda o efeito emocional, mas o filme de Brian Percival tem falta de ironia, de inteligência e de inovação.

"The Book Thief", de Brian Percival, com Sophie Nélisse, Geoffrey Rush, Emily Watson, Nico Liersch, Ben Schnetzer e Heike Matasch.

Raúl Reis