The Birth of a Nation: Boas intenções
Cem anos depois de um dos mais marcantes filmes da história do cinema, um ator americano apropria-se do nome da obra de D. W. Griffith, e decide assinar mais um relato sobre a escravatura nos EUA.
“The Birth of a Nation”, o filme de 1915, conta a saga da criação de um país mas com um tom racista que quase tornou o genial cineasta num artista maldito.
Nate Parker retoma o título de Griffith e conta a histórica rebelião de escravos que em 1831 teve lugar na Virgínia, liderada por Nat Turner, personagem que o realizador interpreta.
É inevitável comparar “The Birth of a Nation” a “12 Years a Slave”. Os dois filmes mostram a brutalidade da escravatura, as injustiças tremendas e a industrialização do sistema que se tornou essencial na economia de boa parte dos EUA. Mas as semelhanças ficam-se apenas pelo tema: o filme de Steve McQueen é uma película inteligente enquanto que o trabalho de Nate Parker é uma obra que resulta única e exclusivamente de uma paixão pessoal.
Nate Parker co-escreveu o argumento, produziu, realizou e ainda arranjou tempo para desempenhar o papel principal de “The Birth of a Nation”. A motivação pessoal deste homem é imensa mas, como em todos os projetos em que a paixão é o motor, há risco de excessos. É o caso nesta obra. Nat Turner, o herói da rebelião, é retratado como um santo, com visões proféticas, recetor de mensagens de anjos e arcanjos.
As melhores intenções nem sempre resultam em filmes de qualidade e este é um bom exemplo. O drama passa a dramalhão e a violência transforma-se em violação. O resultado é um filme pomposo que terá dificuldade em encontrar um público recetivo fora dos Estados Unidos. E – porque não dizê-lo – fora da comunidade negra daquele país.
“The Birth of a Nation” de Nate Parker, com Nate Parker, Armie Hammer, Penelope Ann Miller, Jackie Earle Haley e Mark Boone Junior.
Raúl Reis
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