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The Big Short: O princípio da crise
Cultura 3 min. 30.12.2015 Do nosso arquivo online

The Big Short: O princípio da crise

Em 2005 os financeiros e banqueiros eram desonestos, diz o realizador

The Big Short: O princípio da crise

Em 2005 os financeiros e banqueiros eram desonestos, diz o realizador
Cultura 3 min. 30.12.2015 Do nosso arquivo online

The Big Short: O princípio da crise

Estamos em Nova Iorque, mais propriamente em Wall Street, nos idos de 2005. Um grupo de geniozinhos visionários adivinham que o sistema de crédito americano está em risco, por causa da bolha imobiliária, e preparam-se para dar um golpe mítico, aproveitando as fragilidades do sistema bancário.

Estamos em Nova Iorque, mais propriamente em Wall Street, nos idos de 2005. Um grupo de geniozinhos visionários adivinham que o sistema de crédito americano está em risco, por causa da bolha imobiliária, e preparam-se para dar um golpe mítico, aproveitando as fragilidades do sistema bancário.

Este aperitivo atrairá os fãs deste género de filmes, que não se sentirão defraudados com o mais recente trabalho de Adam McKay. O realizador, conhecido por filmes cómicos bastante ligeiros, adaptou desta feita a obra “The Big Short”, de Michael Lewis. Este excelente escritor já não é novo no mundo da Sétima Arte. Dois dos seus livros deram origem a bons filmes de Hollywood: “The Blind Side” e “Moneyball”. O primeiro mereceu o Óscar para o Melhor Filme em 2010 e o segundo teve seis nomeações em 2012, entre as quais para os melhores actores principal e secundário.

Em “The Big Short” não encontramos Will Ferrel, um “habitué” dos filmes de McKay, mas um elenco de luxo, com Christian Bale, Steve Carell, Ryan Gosling, Brad Pitt e Marisa Tomei.

O filme acompanha Michael Burry, o homem que antecipa a crise imobiliária que acontecerá dois anos depois. Paralelamente, seguimos Mark Baum e os seus sócios Danny Moses, Porter Collins, Vinny Daniel e Jared Vennett, que tentam aproveitar-se dos problemas financeiros para ganhar o máximo de dinheiro.

Filme cheio de personagens centrais e de grandes actores, “The Big Short” tem mais três protagonistas: Jamie Shipley, Charlie Geller e Ben Rickert.

O papel de Michael Burry foi entregue a Christian Bale. Uma vez mais, o actor confirma os seus pergaminhos e convence desde os primeiros segundos. A mesma coisa acontece com Steve Carell que, depois do seu desempenho em “Foxcatcher”, já não tem que provar que é capaz de fazer muito mais do que filmes cómicos. Os papéis menos centrais também foram entregues a gente que não precisa de apresentações, tais como Ryan Gosling, Brad Pitt ou Marisa Tomei.

O realizador opta por alternar entre as diferentes personagens, misturando ainda imagens que mostram as consequências da crise imobiliária. Esta opção é feita de forma inteligente e não perturba nada o ritmo do filme, ajudando os mais distraídos a colocar a acção no seu contexto, mas pode dificultar o entendimento do argumento. Este é bastante complexo e – apesar das ajudas que fornece o realizador – há momentos em que alguns pormenores podem escapar aos menos atentos. Quem não estiver minimamente informado sobre o assunto pode precisar de ver o filme pela segunda vez para compreender os acontecimentos na sua totalidade.

A construção decidida por McKay acaba por colocar em segundo plano os excelentes diálogos e as boas prestações dos actores. Mesmo assim, vale a pena saborear o génio de Steve Carell, Brad Pitt e Christian Bale, ue conseguem compor personagens complexas. Ryan Gosling, Hamish Linklater, Rafe Spall, Marisa Tomei, Melissa Leo, Max Greenfield, Billy Magnussen, John Magaro e Jeremy Strong dão o resto do prestígio, as também o carisma que se acumula em cada cena.

O filme acaba por ser confuso, tal como a realidade que tenta retratar. O espectador descobre a inevitabilidade da crise financeira. O realizador questiona: como foi possível que todos fossem cúmplices nesse caminho para uma catástrofe anunciada? Com uma montagem que faz lembrar um teledisco, McKay utiliza técnicas modernas que ajudam a fazer pensar na brutalidade da realidade.

O realizador tem um ponto de vista e não o esconde: McKay quer acordar as consciências para a ambição desmesurada do ser humano e condena claramente o sistema financeiro e os seus actores.

 Raúl Reis

“The Big Short”, de Adam McKay, com Steve Carell, Brad Pitt Christian Bale, Ryan Gosling, Hamish Linklater, Rafe Spall, Marisa Tomei, Melissa Leo, Max Greenfield, Billy Magnussen, John Magaro e Jeremy Strong.


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