Escolha as suas informações

Superjhemp Retörns: É um pássaro ou é um avião? É o Superjhemp!
Cultura 3 min. 24.10.2018

Superjhemp Retörns: É um pássaro ou é um avião? É o Superjhemp!

Superjhemp Retörns: É um pássaro ou é um avião? É o Superjhemp!

Foto: Gerry Huberty
Cultura 3 min. 24.10.2018

Superjhemp Retörns: É um pássaro ou é um avião? É o Superjhemp!

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Adaptar banda desenhada, ou mesmo séries de animação ao cinema, é um desafio considerável que muitos e bons falharam.

Adaptar uma série de “comics” luxemburguesa enorme de quase 30 volumes e todo o seu imaginário é uma missão hercúlea. Sobretudo porque um dos homens que deram origem à personagem, Roger Leiner, o desenhador, já não está entre nós há dois anos. Lucien Czuga, o homem que escrevia as histórias, é quem resta para garantir a ortodoxia da banda desenhada que atravessou gerações de luxemburgueses e que tem no Superjhemp talvez a personagem mais marcante da cultura popular do Grão-Ducado.

Produzido no Luxemburgo, com participação belga, “Superjhemp Retörns” custou 3,5 milhões de euros à Samsa Films. Claude Waringo, fundador da empresa, pretendia há muitos anos produzir uma obra cinematográfica que fosse “muito luxemburguesa” e que, ao mesmo tempo, tivesse a capacidade de atrair o grande público às salas.

A personagem de Superjhemp preenchia os critérios todos mas “não era fácil conseguir realizar o projeto com um orçamento limitado”, segundo Waringo. Pior, o produtor queria um realizador luxemburguês, qualquer outro teria o enorme “handicap” de não perceber a cultura nem as nuances da personagem principal. O terceiro problema eram os efeitos especiais: a Samsa queria que, mesmo neste aspeto, a produção fosse nacional.

Naturalmente, os atores são igualmente produto grão-ducal: André Jung e Désirée Nosbusch desempenham os papéis principais, mas a lista é uma espécie de “quem é quem” da cena luxemburguesa: Etienne Halsdorf, Jules Werner, Luc Feit, Jules Waringo, Henri Losch, Tommy Schlesser, Jean-Paul Maes, Julie Kieffer, Adèle Wester e Fabienne Hollwege.

Mas afinal o que conta “Superjhemp Retörns”? Num país chamado Luxusbuerg tudo se prepara para a coroação do príncipe Luc. Além da enorme importância de um evento tal, o país comemora nada mais nada menos do que o seu primeiro centenário. Mas a coroa esfuma-se misteriosamente: um sistema moderníssimo de criação de buracos negros terá feito desaparecer a coroa, sem a qual não pode, naturalmente, haver coroação.

A partir daqui, como dizia o outro, é sempre a dobrar. Tudo aquilo que o estimado leitor pensou e nunca ousou dizer sobre os luxemburgueses e o Luxemburgo este filme diz, ou pelo menos dá a entender, ou pelo menos divertir-se a brincar com a realidade do país.

Os bombos da festa são as personalidades luxemburguesas mais relevantes, mas também as empresas (muitas, mas mesmo muitas) e outros tantos locais que quem vive no Grão-Ducado identificará rapidamente.

Se falar luxemburguês o prazer será maior, mas os produtores tiveram um enorme cuidado na legendagem. Claude Waringo disse várias vezes que a tradução para francês foi o projeto linguístico mais complicado da sua vida. Podemos dizer-lhe que o esforço valeu a pena. As legendas são um exemplo de tradução/adaptação de qualidade tendo mantido a maioria das piadas e trocadilhos.

“Superjhemp Retörns” não perdoa a ninguém, mas fica a impressão de que mesmo os visados vão achar graça. O filme poderia ter sido uma série de “sketches” sem ligação, mas desde o início sente-se que há um enredo e que as personagens até têm pés e cabeça, assim como o filme do realizador Félix Koch. A imagem tem qualidade, a montagem é eficaz e os efeitos especiais surpreendem.

______

“Superjhemp Retörns”, de Félix Koch, com André Jung, Désirée Nosbusch, Etienne Halsdorf, Jules Werner, Luc Feit, Jules Waringo, Henri Losch, Jean-Paul Maes, Julie Kieffer e Tommy Schlesser.


Notícias relacionadas